Tradição de família: pai e filho comemoram bronze no JUBs

Dois Fernando pai e filho e os bronzes no JUBs
Foto: Fernando Henrique Vital/arquivo pessoal

Duas medalhas de bronze no karatê se tornaram símbolos dos laços entre o pai cirurgião dentista e o filho estudante de Matemática em Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Ao subir no pódio do kata masculino individual nos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) de 2021, Fernando Henrique Vital Filho, de 18 anos, repetiu a conquista do pai, Fernando Henrique Vital, de 46 anos, na mesma categoria no JUBs em 2012.

A reportagem do Toque de Bola foi atrás desta história e descobriu que o bronze reflete que o karatê é parte da família.

No entanto, há detalhes curiosos: uma delas é como que a modalidade passou fazer parte da rotina dos Vital.

A outra é meio spoiler, mas a gente não resiste em antecipar: podem vir mais medalhas no futuro.

Karatê que veio “não sei de onde”

A caminhada que levou aos bronzes começou com uma resposta do pequeno Fernando Henrique, em 2008, com 5 ou 6 anos, à pergunta do pai: que esporte gostaria de praticar.

“Esporte sempre esteve presente na minha vida. Mas a ideia do karatê surgiu do Fernandinho. Com 5 anos ele me pediu para praticar karatê, só não me pergunte de onde ele tirou essa ideia!”, disse o pai.

O karatê faz parte da vida de Fernando Henrique Vital e os filhos
Foto: Fernando Henrique Vital/arquivo pessoal

Bem, o jeito foi perguntar para quem teve a iniciativa. De onde veio essa ideia, Fernando? “Eu não sei de onde eu disse que queria fazer karatê. Eu não tinha contato com karatê, nem meu pai, nem minha irmã, nenhum familiar”, contou o filho.

Assim, o pai procurou uma academia que aceitasse os dois filhos, porque a mais velha, Laura, também se interessou em conhecer a modalidade. Ao encontrar uma que aceitava crianças fez a matrícula dos filhos…e  a dele.

“Levei para praticar numa academia próxima de casa. Ao vê-lo, me bateu aquela vontade de treinar. Então com 33 anos, eu comecei o karatê junto com ele e minha filha mais velha. Nunca mais paramos!”, confessou o pai.

2012: Bronze no JUBs em Fortaleza
Quatro anos depois, Fernando Henrique pai voltou às salas de aula como aluno da Faculdade de Física na UFU. E participou pela primeira e, até agora, única vez dos Jogos Universitários Brasileiros em Fortaleza (CE).

“Pra ser sincero, disputei o campeonato sem muitas pretensões. Tinha muita gente lá mais nova que eu, que tinha 34 anos. Quando comecei a ganhar, vi que existia a possibilidade real. E estar no pódio com pessoas mais de 10 anos mais novas que eu foi fantástico! Eu só participei dessa edição mas ficou gravado na minha história!”.

O filho se recorda que toda a família apoiou a participação do pai na competição. “Eu lembro bastante. Meu pai foi sozinho e a gente ficava mandando mensagem e perguntando como que foi, qual que foi o resultado, eu lembro quando ele chegou, porque ele também voltou com uma medalha de bronze”, comentou.

2021: Bronze no JUBs em Brasília

Nove anos depois, foi a vez do faixa preta de Fernando Henrique Vital Filho defender Minas Gerais no JUBs 2021. Mesmo assim, o pai destacou que a viagem do filho só foi possível após a garantia dos protocolos de segurança sanitária.

Dois Fernandos, pai e filho, e o amor pelo karatê
Foto: Fernando Henrique Vital/arquivo pessoal

“A pandemia nos colocou restrições de mobilidade. Jamais de sonhar! Meu filho somente foi ao JUBs porque tomou uma dose e porque vi que os protocolos foram rígidos. Retomar as atividades é um misto de sentimentos, desde a felicidade de poder retomar a vida e a tristeza de saber que muitos se foram”, comentou.

O filho lembrou que o bronze no JUBs em Brasília foi conquistado após mais de um ano longe das competições e com a preparação que foi possível.

“Por causa da pandemia, não teve nenhum campeonato presencial. Eu quase não treinei durante pouco mais de um ano. Voltar a competir, ainda mais nesse nível, e conquistar a medalha de bronze…. Foi muito especial. Tinha diversas pessoas de nível muito alto no karatê e foi um campeonato sensacional, uma experiência muito boa que eu tive”, explicou.

Fernando Henrique Vital Filho explicou que outra diferença foi não ter a companhia do pai, que costuma acompanhá-lo nos eventos. No entanto, não significou falta de apoio.

“Se antes a gente mandou mensagens para meu pai, agora ele, minha mãe e minha irmã apoiaram, me enviavam mensagens perguntando como foi a competição, qual foi o resultado, se eu estava gostando,  se a viagem estava sendo boa. Esse apoio é bem legal e sempre foi muito forte para mim dentro do karatê e para toda minha vida”, disse.

Todo atleta fala que a emoção de ganhar uma medalha é indescritível. No entanto, como reagiu o pai, que viveu este momento, ao ver o filho no pódio do JUBs?

“Minha primeira impressão foi gratidão! Agradecimento pela oportunidade dada e acreditar que quando se une esporte e educação as conquistas acontecem. Todo pai torce para seu filho vencer com honestidade e respeito. Quando isso acontece é um turbilhão de felicidade compartilhada com familiares e amigos que sempre nos apoiaram”.

Medalhas no JUBs podem se tornar tradição de família

Fernando Henrique Filho em ação nos Jogos Universitários Brasileiros (foto Arthur Raposo Gomes)

O futuro ainda está em aberto, no entanto, Fernando Henrique Vital Filho tem uma certeza: o karatê vai fazer parte.

“Com certeza, continuar com o karatê. Como eu comecei muito novo, não consigo pensar em um momento que o karatê não fez parte da minha vida. Eu vivo e respiro karatê 24h e todo momento estou aprendendo com ele e amando cada vez mais. Terminar minha faculdade que também é outra coisa que eu amo. E na medida do possível, me preparar para outras competições e também para os próximos JUBs”.

E talvez nos próximos JUBs, Fernando Henrique Filho tenha a companhia do pai. E não será exclusivamente na torcida, mas como integrante da equipe de karatê. Aos 46 anos, ele está novamente nas salas de aula da UFU e em dose dupla, nos cursos de Matemática e técnico de enfermagem. Garantiu que vai voltar aos tatames e à disciplina que o karatê impõe para os compromissos do treinamento.

“Eu sinto que é como se fosse uma continuidade, algo que meu filho viu que foi bom pra mim e agora passou a ser bom pra ele também. Na minha opinião, vai virar sim uma tradição porque unimos duas coisas que amamos fazer: estudar e karatê! Nós temos mais 4 ou 5 anos de atividades juntos. Acho que pode rolar até uma dobradinha, aí, hein!  Vamos nos esforçar. Isso prova que quando você une família, escola e esporte, o sucesso é garantido”, resumiu Fernando Henrique Vital.

Texto: Toque de Bola – Roberta Oliveira

Fotos: Fernando Henrique Vital/arquivo pessoal e Arthur Raposo Gomes/Fumemg

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