Gabriel Araújo e Fábio Antunes: Prata para “seu Pratinha”, férias e foco em Paris

Gabriel Araújo falou com a imprensa nesta quarta em Juiz de Fora Foto: Jéssica Pereira/Clube Bom Pastor

  As medalhas são pesadas, mas a alegria que elas causaram é ilimtada. Uma experiência que muda a vida. É este o impacto dos Jogos Paralímpicos de Tóquio na vida de Gabriel Araújo e Fábio Antunes, integrantes da equipe do Clube Bom Pastor.

  Nadador multimedalhista e treinador conversaram com a imprensa em coletiva nesta quarta, sobre as lembranças e lições de Tóquio, a jornada até o pódio triplo, a homenagem ao avô de Gabriel, a folga e os planos para o ciclo olímpico de Paris.

  Nesta quinta, Gabriel e Fabinho vão passear pelas ruas de Juiz de Fora no carro do Corpo de Bombeiros. A partir de sexta, Gabriel está de férias. Fabinho volta ao trabalho na segunda-feira com os demais integrantes da equipe de natação do Bom Pastor.

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Prata para Seu Pratinha

Prata para “seu Pratinha”, férias e foco em Paris
Gabriel e Fábio avaliaram a campanha paralímpica Foto: Jéssica Pereira/Clube Bom Pastor

  A primeira medalha do Brasil nos Jogos Paralímpicos foi a prata de Gabriel Araújo. E esta vitória foi para o avô, Antônio, que faleceu dias antes do evento. “Quando eu ganhei a medalha de prata, conversei com meus familiares, essa medalha foi para ele. E meu primo lembrou algo, o apelido dele é seu Pratinha. Não teve circunstância melhor: a medalha de prata foi para o seu Pratinha”, disse o nadador.

  Gabriel recebeu a notícia sobre o falecimento do avô em Hamamatsu. Quem contou foi o treinador Fábio Antunes, que teve o apoio da psicóloga da equipe no amparo emocional para o atleta estar pronto para a estreia. O nadador destacou que já tinha saído do Brasil com a homenagem em mente.

  “Meu vô era um cara excepcional, um herói, eu fazia companhia para ele, sempre estava com ele. Ele estava debilitado, saí do Brasil com isso na cabeça, independente do que tivesse que acontecer, seria o plano de Deus. Se eu tinha dez motivos para nadar, iria nadar por ele e ele teria orgulho de mim. Falei que ele iria me assistir e ele me assistiu do lugar mais especial que poderia”, narrou.

“Fui para o restaurante com a medalha no peito”

  A reportagem do Toque de Bola perguntou a Gabriel e a Fábio como foram a noite antes da prova e o dia seguinte a estrear no pódio. Gabriel destacou que, na véspera, começou a viver a prova, descansando para estar fisicamente bem. Depois, foi curtir a prata.

Prata para “seu Pratinha”, férias e foco em Paris
Coletiva Gabriel e Fabinho no Clube Bom Pastor
Foto: Roberta Oliveira/Toque de Bola

  “Depois foi aproveitar o momento, as milhares de mensagens. Pessoas que eu sempre admirei me mandaram felicitações pelo que fiz. Dormi, acordei, se deixasse levava ela para todo canto. Fui para o restaurante com a medalha no peito, medalha batendo no prato”, contou.

  O técnico Fábio Antunes destacou que foi um momento importante, mas que interveio para Gabrielzinho retomar o foco.  “No dia seguinte após o almoço, falei ‘acabou, você ainda tem mais duas provas pela frente’. Essa é apenas uma parte, uma das metas, curtiu, agora chega e bola para frente. [Precisava] dar uma focada novamente”.

Medalha é consequência do trabalho

  Esse é o lema que guiou a preparação e a participação paralímpica de Gabriel sob a orientação de Fábio. “Claro que todo atleta sonha com a medalha, mas a gente sabia que a medalha seria uma consequência do resultado do trabalho. Eu queria chegar lá e nadar bem, não queria nadar mal e ser campeão. Não seria tão bom quanto foi quando bati a cabeça e vi que o tempo foi até melhor que eu esperava”.

Gabriel, medalhas e Somight 
Foto: Roberta Oliveira/Toque de Bola

  Ele também ressaltou a felicidade de fazer parte de uma campanha histórica da delegação brasileira nos Jogos Paralímpicos. “O mais importante foi ajudar que o Brasil batesse o recorde e conseguisse a melhor colocação. O meu objetivo era representar o país e colocar o Brasil lá em cima”, disse Gabriel.

  Justo a pandemia que trouxe tantas notícias difíceis, foi responsável por um presente para o treinador Fábio Antunes – que se tornou uma lembrança especial.

  “Foi poder participar do cerimonial na entrega das medalhas. O treinador nunca participa, eu só fui porque ele não tinha condições de pegar a medalha. Então eu fui os braços dele para colocar a medalha. Eu tive essa oportunidade de participar. Escutar o Hino Nacional ali foi uma emoção muito grande”

  E antes que perguntassem como era a emoção de estar no lugar mais alto do pódio, Gabriel se manifestou: “Não sei descrever. É uma emoção que só quem está ali vai sentir. É um filme que passa na cabeça, não tem como falar, só consegue sentir”.

Confiança e nadar pela equipe

“Eu confio no trabalho do Fábio” Foto: Roberta Oliveira/Toque de Bola

  A relação entre treinador e nadador, que ficou evidente nos abraços no pódio e nas entrevistas pós-provas, foi definida por Gabriel de uma forma bem simples – uma confiança de mão dupla.

  “Eu confio no trabalho do Fábio, eu sempre vou confiar e vou acreditar no que ele fala. Se ele falar ‘faz isso que você vai ganhar a prova’, eu vou fazer, porque eu sei que vai dar certo. Ele confia no meu trabalho, eu confio no dele e o resultado foi esse”, disse Gabriel.

  Enquanto Gabriel posava para fotos na piscina, Fábio Antunes aproveitou para rever os treinadores e outros integrantes da equipe de natação do Bom Pastor. E destacou a importância da equipe para a conquista dos resultados no Japão.

  “Salientar que a gente não estava lá pelo Gabriel e pelo Fábio, a gente estava pelo time. É muito forte essa cultura que a gente tem aqui no clube: a gente estava representando o time da natação, todos eles. Temos orgulho de estar lá e de ter a força deles”, afirmou.

Inspiração

  O jovem de Corinto que se mudou para Juiz de Fora para mergulhar atrás do sonho de conquistar medalhas, volta para casa com mais que o peso dourado e prateado. O fato de Gabriel ser reconhecido deixa o técnico feliz.

“Você vê uma criança querendo fazer foto com ele! Já teve que parar e descer várias vezes do carro porque era criança pedindo. É emocionante”, destacou Fábio.

Coletiva Gabriel e Fabinho no Clube Bom Pastor
Foto: Roberta Oliveira/Toque de Bola

  Gabriel Araújo comentou que as Paralimpíadas permitiram que a história dele se tornasse conhecida. E espera inspirar as pessoas.

  “Antes de ser atleta, sempre tive o sonho de todo mundo conhecer a minha história e se espelhar. Eu sempre achei que Deus tinha um propósito muito bom na minha vida. Tive a oportunidade de todo mundo poder me conhecer nos Jogos, aprendesse e poder inspirar as pessoas”, disse.

Férias e de olho em Paris 

  Agora é hora de curtir os resultados de Tóquio e descansar. Fábio Antunes lembrou que a pausa é necessária para a manutenção do desempenho dos atletas de alta performance. Ainda mais porque a agenda de Gabriel está com compromissos definidos em várias escalas para desembarcar em Paris-2024.

  “É uma pressão e um estresse muito grande. O treinamento de alta performance é um estresse para o corpo, um estresse emocional e descansar principalmente a cabeça para encarar essa jornada que vai ser bastante longa. Em 2022 tem Mundial; em 2023 tem Parapan e em 2024 tem Paris. Em anos consecutivos tem grandes competições pela frente. E uma vez que você sente o gosto de estar na frente é difícil tirar. A nossa meta é nadar mais rápido, medalha é consequência”, reforçou.

Texto: Toque de Bola – Roberta Oliveira 
Fotos: Roberta Oliveira/Toque de Bola e Jéssica Pereira/Clube Bom Pastor

Este post tem um comentário

  1. Marcelo Schumann

    Super merecidas as homenagens ao Gabrielzinho “campeão paralímpico”, ao técnico Fabinho, a equipe de natação paralímpica e a diretoria do Clube Bom Pastor!

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