Juninho reclama da postura da delegada e diz que vendeu seu carro para pagar atletas

José Luiz Mauler Júnior, presidente do Tupi

  Em entrevista concedida no início da noite desta terça-feira, dia 14, por telefone, ao Toque de Bola, o presidente do Tupi, José Luiz Mauler Júnior, o Juninho, que passou a noite de segunda-feira no Ceresp, em Juiz de Fora, reclamou muito da condução do processo pela delegada da Polícia Civil, Ione Barbosa.

  Ele afirmou que a delegada está agindo desta forma por não ter recebido o seu apoio na época em que ela foi candidata à prefeita na cidade, em 2020. “Para mim é uma coisa pessoal”, disse o dirigente.

  Sobre a operação policial denominada “Operação Tupi: Jogando Limpo”, Juninho admite que houve problemas na questão do  futebol de base (que o clube delegou a terceiros, e estes, segundo ele, já se comprometeram a ressarcir os prejuízos) e também afirmou não contestar o fato de as armas não terem documentação (ele foi preso por posse ilegal de armas), conforme foi verificado na busca em sua casa.

   Nas outras questões que vêm sendo levantadas pela Polícia Civil, como no questionamento sobre a permuta envolvendo o estádio Salles Oliveira, o dirigente afirma que não há nada de irregular seja no estádio ou no acordo com a Construtora Rezende Roriz e que as movimentações bancárias com seu nome são simples de entender. De acordo com Juninho, tanto ele recebe as verbas que em tese teriam que entrar na conta do clube como dele também saem quantias para quitar débitos e pendências do Carijó.

  “Tive que vender o meu carro para poder pagar os jogadores que disputaram o Módulo 2 do Campeonato Mineiro, para evitar novas dívidas do clube. Faço isso porque gosto do Tupi, porque estou buscando soluções para a continuidade do clube”, revelou.

    Sobre a questão das armas encontradas em sua casa, afirmou terem sido do pai dele e que serviam até de enfeite. “Na situação das armas está claro: não tenho documentação sobre elas. Mas não concordo com este valor fixado para a fiança  (R$ 50 mil) e por isso passei a noite no Ceresp, não iria pagar este valor”.

         Quanto às restrições envolvendo sua liberdade, determinadas no alvará de soltura (leia no Toque de Bola), o dirigente disse acreditar que irá conseguir reverter tranquilamente com o tempo. “Não reclamo dos mandados de apreensão e busca porque não tenho nada a temer. Mas a maneira como a situação foi conduzida pareceu coisa pessoal. Não ajuda em nada o Tupi sair desta situação difícil que todos sabem que ele se encontra”.

  Sobre a situação política do clube, revelou que quando perdeu as eleições em outras oportunidades não ficou tentando atrapalhar o trabalho da diretoria então eleita e acredita que essa investigação minuciosa sobre cada passo dado no clube, culminando com a sua prisão na noite de segunda-feira, não vai resultar em nada porque não há irregularidade alguma.

  Sobre o fato de o clube ter anunciado recentemente novo período de testes para o futebol de base, garantiu que desta vez nada tem a ver com a parceria anterior. “Foi uma iniciativa do clube já visando a próxima temporada”, garantiu Juninho. O imbróglio nos testes e seletivas da base foi o fator inicial a ser levado à Polícia Civil quase simultaneamente a reportagens publicadas inicialmente pelo g1 Zona da Mata por familiares de atletas envolvidos em episódios diversos  (nota da redação: o Toque de Bola entrou em contato com Thiago Ferreira, a quem foi entregue a condução dos testes e períodos de treinos das categorias de base que acabaram gerando bastante polêmica, e uma reportagem com ele está em andamento)

Texto e fotos: Toque de Bola

 

Ivan Elias

Ivan Elias, associado do Panathlon Club de Juiz de Fora, é jornalista, formado em Comunicação Social pela UFJF. Trabalhou por mais de 11 anos no Sistema Solar de Comunicação (Rádio Solar e jornal Tribuna de Minas), em Juiz de Fora. Já foi freelancer da Folha de S. Paulo, atuou como produtor de matérias de TV e em 2007 e 2008 “defendeu” o Tupi, na Bancada Democrática do Alterosa Esporte, da TV Alterosa (SBT-Minas). É filiado à Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) e Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace).

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