Juninho está em liberdade condicional; investigação continua, diz delegada

A 3ª Vara Criminal concedeu alvará de soltura ao presidente do Tupi

  O presidente do Tupi José Luiz Mauler Júnior, o Juninho, deixou o Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) na manhã desta terça-feira, 14 de setembro.

  Ele passou a noite na unidade, após ser preso em flagrante por posse ilegal de armas de fogo, localizadas durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão da “Operação Tupi: jogando limpo” , nesta segunda.

 De acordo com a delegada Ione Barbosa, titular da 4ª Delegacia Regional, responsável pelo caso, o depoimento de Jarbas Cruz, presidente do Conselho do Tupi foi adiado para quarta.

Ela falou em entrevista exclusiva à webradio Nas Ondas do Toque exibida durante o Toque Notícia de 17 desta terça sobre a sequência das investigações da suspeita de estelionato envolvendo peneiras da categoria de base do clube.

Solto, mas com restrições

O juiz titular da 3ª Vara Criminal de Juiz de Fora, José Clemente Piedade de Almeida, disse na decisão que não viu irregularidades na prisão e determinou a liberdade condicional devido às condições atuais da pandemia.

  “O alvará de soltura é a liberdade condicional. Significa dizer que a prisão era necessária. O juiz, inclusive, confirmou a legalidade da prisão realizada do flagrante, sem exagero, sem arbitrariedade. Só que, por conta da pandemia, por conta de ele ser réu primário e não ter maus antecedentes, o juiz entendeu por aplicar medidas cautelares diversas da prisão”.

A decisão judicial – a que o Toque de Bola teve acesso – determina uma série de restrições a Juninho:

  • comparecimento mensal ao juízo para justificar as atividades e nos momentos em que for convocado;
  • proibição de se afastar da área da Comarca de Juiz de Fora, sem pedido de advogado e autorização do juiz;
  • proibição de se mudar de endereço, sem pedido de advogado e autorização do juiz;
  • proibido de frequentar locais de reputação duvidosa, bares e similares e consumo de bebida alcóolica ou drogas;
  • proibido manter contato por qualquer meio ou se aproximar a menos de 300 metros das testemunhas e/ou vítimas;
  • recolhimento domiciliar das 18h às 6h e 24h por dia quando não estiver trabalhando, inclusive sábados, domingos e feriados;
  • caso exerça trabalho regular, vai ter que juntar aos autos os respectivos comprovantes.

  “Ele se encontra liberado sob estas condições. Não pode transgredir qualquer norma penal, contravenção, qualquer situação que envolva o juizado de causas especiais. Tudo isso foi oficiado à Polícia Militar para fiscalização, em especial, do horário de recolhimento”, explicou a delegada na entrevista na webradio Nas Ondas do Toque.

  A delegada explicou que Juninho pode acessar imóveis do Tupi, desde que não descumpra nenhuma das condições impostas pelo juiz.

Investigação em andamento

  A documentação, computadores e celulares apreendidos na segunda-feira passam por análise pela equipe da 4ª Delegacia. Os computadores foram enviados para a Belo Horizonte, onde há peritos especializados na área e o celular está com uma perita local. “Agora estou aguardando o retorno dos peritos”, comentou Ione  Barbosa.

  Segundo a delegada, além de Jarbas Cruz, outras cinco pessoas devem prestar depoimento nesta semana. E já há outra oitiva prevista para semana que vem. As identidades não foram reveladas pela PC.

  Ione Barbosa ressalta que se alguém tem informação que possa contribuir para o inquérito, deve procurar a 4ª Delegacia, na sede da Polícia Civil em Santa Terezinha.

  “Se não quiser que se identificar, talvez por algum receio quanto à sua integridade, ela pode ser ouvida de forma velada, o que significa que ela não precisa revelar a identidade dela. Nós pedimos para as pessoas que tomaram conhecimento de alguma irregularidade, seja em relação à peneira ou à administração do Tupi venha até a delegacia e nos passe informações. Precisamos muito da ajuda da população”, afirmou.

Inquéritos conexos, diz delegada

  A titular da 4ª delegacia explicou que as investigações das suspeitas referentes às peneiras e a administração do clube e a apuração sobre a origem das armas apreendidas nesta segunda se tornaram inquéritos conexos, sob a tutela da mesma Vara Criminal.

  “São conexos, porque um deflagrou o outro. Tanto é que o inquérito referente às armas foi para o juiz da 4ª Vara, que entendeu não ter competência porque já existia outro inquérito, cujos mandados de busca e apreensão foram decretados pelo juiz da 3ª Vara. Esse juiz, que é o do primeiro inquérito, entendeu ser o competente, foi ele que proferiu a autorização do alvará de soltura”, esclareceu.

  Diante da quantidade de apuração necessária, Ione Barbosa explica que ainda não há um prazo específico para o encerramento do inquérito. A lei prevê, inicialmente, 30 dias, mas há a possibilidade de prorrogação, mediante autorização da Justiça. “O que podemos dizer é que estamos acelerando com toda energia, para dar respostas à população juiz-forana”, afirmou a delegada.

Texto: Toque de Bola – Roberta Oliveira e Lara Valentim

Fotos: Wallace Mattos/Toque de Bola

Deixe um comentário