Amizade e inspiração: Schumann e Araújo, dose dupla de Gabriel do Bom Pastor

‘Inspiração’, diz Gabriel Schumann sobre o Gabriel Araújo 

  “Na hora que eu vi o Gabrielzinho pela primeira vez, pensei: meu Deus, como é que esse menino nada?” Seis anos depois, Gabriel Schumann descobriu isso e muito mais sobre o garoto que conheceu no Jogos Escolares de Minas Gerais (JEMG). E comemorou o sucesso do amigo nas piscinas em Tóquio.

   “A dancinha do Gabrielzinho, as medalhas, as conquistas dele em Tóquio, para mim, foi uma coisa sensacional, que me motiva muito a treinar, a continuar me dedicando. Foi uma inspiração muito grande para mim e para todos do clube. É um cara que está sempre alegre. Acredito que ele não traz só alegria para mim, traz para o Brasil e o mundo. É um cara fenomenal, diferenciado, não tenho nem palavras para descrever a amizade com ele”, comentou.

  Em entrevista ao programa Roda de Toque, da webradio Nas Ondas do Toque, Schumann contou como começou a amizade dos xarás que integram a equipe paralímpica do Clube Bom Pastor.   

Parceiro na estreia

Os amigos se conheceram no JEMG 2015

 Schumann revelou como foi o primeiro encontro dos dois, no JEMG em 2015, a primeira competição escolar deles. Quem fez a ponte foi Eneida Santos, a mãe do agora multicampeão paralímpico.

  “A mãe dele, Eneida, também estava na competição. Depois que eu nadei, ela veio puxar assunto comigo, supersimpática. Aí que eu conheci o Gabrielzinho. Eu era novo no esporte paralímpico, eu estava conhecendo as pessoas. A primeira pessoa que eu conheci nos Jogos Escolares foi o Gabrielzinho. O primeiro contato que a gente teve foi muito bom, tiramos até foto juntos”, disse.

  Na época, Gabriel Schumann era um dos primeiros integrantes da equipe paralímpica do Clube Bom Pastor. Gabriel Araújo ainda treinava em Corinto. As idades próximas ajudaram a criar uma ligação entre os dois.

  “Foi muito bom ter puxado assunto com ele. Ele tinha 12 ou 13 anos, um moleque novo ainda, eu tinha 15 ou 16, mais ou menos. Para a gente, era muita novidade estar ali naquela competição. A alegria de ver o Gabrielzinho, a motivação dele, me fez ter contato com ele. A gente participou de vários Jogos Escolares, a gente chegou até ir para o Brasileiro Escolar juntos. Sempre que encontrava ele ficava feliz. Era um moleque que me trazia muita energia boa”, afirmou.

Parceiro de clube

Gabriel Schumann e Gabriel Araújo

  Gabriel Schumann conta que, desde então, encontrava o xará nas competições. Até que outra primeira vez, no caso, a convocação para uma competição internacional, aproximou os dois de vez e fez Gabrielzinho unir forças com a equipe do Clube Bom Pastor.

  “Eu e ele fomos convocados para uma competição internacional, mas o Gabrielzinho não sabia. O Fábio me mandou mensagem: ‘Ô Schumann, tem um amigo seu, o Gabrielzinho, ele foi convocado para uma competição internacional. Será que ele está sabendo?’. O Gabrielzinho nem sabia. Aí eu passei o telefone dele para o Fábio, que entrou em contato, ajeitou tudo e ele veio competir com a gente”, contou.

  Gabriel Schumann comentou que nunca esperou ter o xará como companheiro de time, mas que foi perfeito para o vínculo dos dois. “Não imaginei isso, nem passou pela minha cabeça. Depois que ele foi convidado para o clube, a nossa amizade fortaleceu mais ainda. A gente se via todo dia. Poder estar competindo, representando o mesmo clube foi muito legal, uma inspiração e uma motivação muito boa para a gente”, explicou.

  No Open Internacional, Schumann alcançou as melhores marcas pessoais “e nadando com os melhores do mundo”: 3°lugar nos 100 livres, 4°lugar nos 400livres,200 medley e 100 peito e 5° lugar nos 50 livres.

Outros encontros

Gabriel Schumann e Gabriel Araújo com o técnico Fábio Antunes
Foto: Gabriel Schumann/arquivo pessoal

  Tudo indica que 2015 foi o ano dos encontros na vida de Gabriel Schumann. No mesmo ano em que conheceu Gabrielzinho, ele também encontrou Paulo Sérgio Rodrigues Costa, ex-dirigente e atleta paralímpico do Bom Pastor. Na época, Schumann nadava pelo Uberlândia Praia Clube, mas a amizade foi fundamental para ele trocar de cidade.

  “Quando participei de uma das minhas primeiras competições paralímpicas, ganhei uma medalha de ouro e ele estava lá junto comigo. Ele estava me ajudando, me explicando como funcionava o esquema da competição, me motivando, me inspirando, foi aí que tudo começou. O Paulinho foi um dos primeiros atletas do clube a ir comigo nas competições então tenho muito carinho por ele até hoje”, ressaltou.

  Outro encontro importante na vida de Gabriel Schumann ocorreu em 2017, quando passou a ser treinado por Fábio Antunes. “Eu já via esse trabalho do Fábio antes de trabalhar com ele. É um cara que está sempre à disposição para ajudar as pessoas. Ele conversa, está sempre disposto a ajudar você, entendeu? No primeiro contato que tive com ele, foi superlegal”.

  Gabriel Schumann faz questão de dizer que ter Fábio Antunes como treinador se tornou um marco na vida como atleta.  “De 2017 para frente, minha carreira no esporte paralímpico mudou muito. Fui para competição internacional, as minhas conquistas também são graças ao Fábio. Ele se dedica muito à equipe, isso facilita para a gente também. Tenho orgulho de trabalhar com ele até hoje”, afirmou.

Texto: Toque de Bola – Roberta Oliveira 
Fotos: Gabriel Schumann/arquivo pessoal

Este post tem 2 comentários

  1. Ivan Elias

    Obrigado! Tudo de bom

  2. Marcelo

    Ótima reportagem, parabéns pela edição e conteúdo!

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