Os pais, os adversários olímpicos, os mitos, os gritos e os mimados

Por nocaute (foto: Ueslei Marcelino/Reuters) no 3° round, o brasileiro Hebert Conceição conquistou o ouro olímpico sobre o ucraniano Oleksandr Khyzhniak

PAIS E OLIMPÍADA

   O mesmo domingo sendo Dia dos Pais e dos últimos embates da Olimpíada de Tóquio serve para algumas reflexões, que passamos a dividir com os amigos (manifeste sua opinião na área de comentários do Portal).

ADVERSÁRIO

   Entre as heranças culturais das conversas com meu pai, ainda consigo escutar como se fosse agora uma assim: “Por que não ganhou? Ora, em primeiro lugar porque havia um adversário e este soube vencer”.

   NÃO É?

   Claro que cada jogo ou disputa de modalidade esportiva tem sua história, mas, por mais óbvio que pareça, a frase se encaixa bem neste contexto de balanço olímpico.

 VÔLEI MASCULINO

   Começam a querer transformar o set que apontava 20 a 12 do Brasil contra a Rússia-ROC como a nova catástrofe, o “7 a 1 do vôlei”. E se fosse o sexteto brasileiro a virar aqueles oito pontos de vantagem, diríamos que foi só por fraqueza ou “amarelão” do adversário ou bradaríamos “conosco ninguém pode”? Aliás, não foram eles, os russos, que derrotaram o Brasil por inapeláveis 3 a 0 dias antes? Molezinha não seria. Aliás, já criaram a modalidade “molezinha olímpica?”

    SURF

   E a desclassificação do Medina, tudo culpa só da arbitragem? O adversário não surfou uma onda boa? Quem disse que Medina relaxou naquela disputa, aliás, foi o atleta brasileiro dourado da mesma modalidade, o surfe, no Japão.

  BOXE

  Para quem conhece pelo menos parte da trajetória de Beatriz Ferreira e de seu pai, ídolo, conselheiro e treinador, foi amargo demais não ver saboreado, no Japão, o ouro que ela e  Sergipe estabeleceram como meta e trabalharam muuuuito para trazer. Mas numa final olímpica é obrigatório reconhecer  a possibilidade de um triunfo da adversária, que também está entre as líderes do ranking mundial e certamente batalhou outro tanto para chegar ali.

   VÔLEI DE PRAIA

   Se nenhuma dupla brasileira do voleibol de areia masculina ou feminina chegou ao pódio é porque todas foram superadas por… ADVERSÁRIOS (AS). Ah, mas aquela atleta suíça gritou demais contra a dupla brasileira, você não viu? Tá bom então. Perderam ali porque a vencedora gritou?! 

   OS MIMADOS

   Um pulo na “elite” do nosso futebol, do Brasileiro. Talvez a condução de questões internas seja interessante para construir resultados positivos. Tem justificativa o comportamento infantil de um Gabigol expulso ou de um Nenê substituído? E os chiliques patéticos (em TODA RODADA) de treinadores com a arbitragem? Será que os clubes, alguns deles inflados por dezenas de profissionais nas comissões técnicas ou bastidores, não são mesmo capazes de punir, educar, advertir essa gente mimada e mal educada, nestas atitudes que em nada somam? Não disseram aos clubes que estão ali vestindo suas camisas, representando suas razões de viver que são os torcedores? Eu, hein!

     MENSAGEM DO TOQUE

   (publicamos aqui a mensagem do Toque de Bola para o Dia dos Pais, já divulgada em nossas redes sociais)

  Pai babão, pai herói, eu sei, pai, pode deixar, pai, vou sim, pai, claro, vamos sempre ouvir, respeitar e aprender com os mais velhos, pai. Felizes todos os pais todos os dias!!!  Que os filhos possam bater aquele bolão que você muito provavelmente deixou de desfrutar para nos deixar na cara do gol e em condição legal!

   Mensagem do @toquedebolajf

Texto: Ivan Elias

Arte: Toque de Bola

 

Ivan Elias

Ivan Elias, associado do Panathlon Club de Juiz de Fora, é jornalista, formado em Comunicação Social pela UFJF. Trabalhou por mais de 11 anos no Sistema Solar de Comunicação (Rádio Solar e jornal Tribuna de Minas), em Juiz de Fora. Já foi freelancer da Folha de S. Paulo, atuou como produtor de matérias de TV e em 2007 e 2008 “defendeu” o Tupi, na Bancada Democrática do Alterosa Esporte, da TV Alterosa (SBT-Minas). É filiado à Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) e Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace).

Este post tem 2 comentários

  1. Cláudio Rogel

    Erros técnicos comprometedores, um dia psicologicamente ruim, uma escolha tática mal feira, enfim, joga-se contra adversários e ganha-se ou perde-se, em algumas modalidades empata-se. Mas os mimados do futebol têm a complacência histórica de diretores babões e amadores.

  2. Vicente Ferreira

    Os mimados são os maus perdedores, pois não reconhecer a grandeza de seus adversários é a confirmação de seu fracasso! Valeu Ivan!

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