Superliga no Brasil

  Caros e caras, foi curioso ver, na última semana, a gritaria que muita gente por aqui arrumou por conta da criação da Superliga Europeia. Clubes do Velho Continente se juntaram e anunciaram uma competição entre si, com o apoio financeiro de um banco americano.

Clubes do Velho Continente se juntaram e anunciaram Superliga
Reprodução YouTube

  Sem critérios técnicos ou garantia de acesso a outros clubes, 12 das maiores agremiações do planeta queria criar uma espécie de camarote vip do futebol. Por conta das reações, principalmente de torcedores dos próprios fundadores, não durou muito. Aliás, quase nada. Ainda não foi desta vez.

Dinheiro manda

   Digo “ainda” porque o dinheiro já manda no futebol há muito tempo. Clubes europeus – muitas vezes financiados com grana de origem pra lá de duvidosa – concentram renda há anos e se tornaram seleções mundiais desde a Lei Bosman, em 1995, e seus efeitos pelo mundo.

  Agora, cobram mais dinheiro da UEFA e Fifa – que faturam bilhões com o esporte – para jogar. Querem apostar no certo, no rentável, nos jogos que o mundo quer ver. A tendência é caminhar na direção desse clubinho vip. A meu ver, é inexorável.

Pior pro torcedor 

  A tendência, pelas regras brutais do capitalismo, é quem tem mais grana mandar. E quem tem dinheiro quer lucro certo. As variáveis esportivas da UEFA e Fifa, representadas por jogos com clubes “menores” e possibilidade de ausência em competições, são riscos a serem eliminados para o capital, principalmente americano.

Clubes fundadores da Superliga (reprodução YouTube)

  Nesta guerra entre entidades federativas e clubes, quem sempre perde é o torcedor. Não falha nunca.

Futebol de verdade

  Mas, como costumo dizer, futebol europeu não é o de verdade. É só assistir. Sempre parece que estamos vendo um filme, um jogo de videogame. Tudo perfeito, do campo ao cabelo dos jogadores, passando pelas tatuagens e chuteiras ultramodernas.

  Nem mesmo as Séries A e B do Brasil são exemplos do esporte realmente. Por aqui, o futebol de verdade está das séries C e D do Brasileiro para baixo. Especialmente nos estaduais, onde a enorme massa de trabalhadores da bola é empregada. Sem contar os envolvidos assessórios como nós da imprensa. 

  Milhares de profissionais se viram em clubes que estão à margem das grandes receitas do futebol nacional. Vivemos uma espécie de Super Liga no Brasil.

Milhões e migalhas

  Só para ficar no exemplo de “casa”, no Campeonato Mineiro, Cruzeiro e Atlético recebem pouco mais de R$ 14 milhões pelos diretos de transmissão, e o América cerca de R$ 4 milhões. A diferença do montante estimado recebido pelos clubes do interior, de R$ 1 milhão, é brutal. 

Torcedores protestaram (Getty Images/BBC)

  O exemplo se repete Brasil afora, e nas divisões nacionais. Clubes grandes faturam milhões – alguns já esbarrando no bilhão – turbinados pelos diretos de TV. Migalhas são jogadas à maioria das equipes do país.

Concentração garante camarote

  Assim, a concentração de renda para os maiores clubes assegura que o cercadinho vip se perpetue por aqui. Ainda que isso esteja matando os clubes menores. Mas pouco se vê de crítica em relação a isso. Quanto mais a gritaria como foi a de torcedores e colegas jornalistas revoltados com a Superliga Europeia.

  Não precisamos gritar contra o fim do futebol na Europa. Temos nossa própria quase extinção em massa da bola ocorrendo por aqui. Se não pensarmos maneiras de resolvê-la, só vai sobrar quem tem pulseirinha com cifrão mesmo! 

 

Texto: Wallace Mattos – Toque de Bola

Wallace Mattos

Jornalista profissional, formado pela Faculdade de Comunicação Social (Facom) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), tem mais de 20 anos de carreira na qual já trabalhou em rádio, TV, jornal e mídias digitais. Além disso, tem experiência em gerenciamento esportivo, logística e administração de pequenos negócios. Entre as áreas de interesse e constante busca de aperfeiçoamento, destaca a busca pela discussão do papel da mídia no negócio do esporte e na construção de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento das dimensões participativa e profissional das modalidades. EXPERIÊNCIAS PROFISSIONAIS: TUPI FOOTBALL CLUB, Juiz de Fora, Minas Gerais 2015: Consultor de comunicação/Chefe de delegação/Integrante do conselho consultivo. TRIBUNA DE MINAS, Juiz de Fora, Minas Gerais, Brazil 2004 – 2015 Repórter sênior (2009-2015) – Repórter júnior (2004-2008). TV ALTEROSA, Juiz de Fora/Varginha, Minas Gerais/Minas Gerais 2003 Assistente de Marketing/Repórter esportivo. TV ALTO LITORAL, Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro 2002 Estagiário/Repórter júnior. MOSTARDA PROPAGANDA, Juiz de Fora, Minas Gerais 2001 Estagiário/Redator. RÁDIO SOLAR, Juiz de Fora, Minas Gerais 2001 Estagiário.

Deixe seu comentário