Faça não. Pode ser a gota d´água!

      A atual revolta dos torcedores de Botafogo e Cruzeiro  com os desatinos do futebol do clube acabou germinando a crônica deste domingo.

    Não se trata de perder uma partida. Isso é uma das três possibilidades de resultado. 

    Estamos falando de perder o prumo. O norte. Andar sem direção. Desandar.

    Numa hipotética e hierárquica escala de desejos, vontades e anseios de um torcedor, vamos lá. Ele quer:

   1) ser campeão 2) fazer uma boa campanha 3) não perder muitos jogos 4) não ser rebaixado 5) não dar vexame e 6) não deixar de existir.

   Não sair de cena.

Torcida da Portuguesa (SP) - Imagem da internet
Torcida da Portuguesa (SP) – Imagem da internet

   É a partir deste “gancho” e sem estabelecer comparações (sou do time do cada caso é um caso) que a reflexão se estende a outros clubes. Vamos citar dois: América, do Rio, e Portuguesa, de São Paulo.

     O América desfilava bom futebol na década de 80 quando, sem que ele pudesse evitar, simplesmente foi “subtraído” da elite e desde então nunca mais reviveu o brilho. Não disputa sequer a primeira divisão do Rio.

     A Portuguesa estava na primeira divisão do futebol brasileiro em 2013 quando no último jogo da competição lançou do banco de reservas um jogador irregular, foi punida e rebaixada. E tudo indica que sacar esse homem do banco significou a um dirigente da própria Lusa sacar dinheiro extra da conta. Não disputa, como o América, nem a primeira divisão estadual.

    Por motivos diferentes, América e Portuguesa hoje estão muito longe daquilo que já foram. E este passa a ser também o temor do torcedor de Botafogo e Cruzeiro. Para ficar só nestes casos por hoje.

  (Aqui, a nossa jornalista Roberta Oliveira tratou especificamente do torcedor do alvinegro carioca.

  E aqui o nosso jornalista Wallace Mattos lembrou “chocolates” aplicados pelo Tupi, que merece capítulos separados).

   Só quem gosta mesmo de um clube pode entender do que estamos falando.

   Paixão não é razão. Fosse pelo raciocínio lógico, já estaria resolvido. Meu time vai mal, eu não acompanho. Belém, belém e nunca mais fico de bem. Pronto.

   Eu e você, porém, sabemos que isso não existe. Não se abandona um grande amor assim.

   Na cabeça do torcedor, falando sempre em nome desta paixão, era preciso que os clubes tivessem um alarme, aviso de catástrofe, sirene, chip, “mentirômetro”, sei lá, para não deixar chegar ao ponto de dar vexames seguidos e até ameaçar sair de cena. 

   Enquanto não implantam esse chip-socorro, e em nome de todos os torcedores que já sentiram na pele as atrocidades cometidas por pessoas que em algum momento desrespeitaram esse sentimento, nos restam os versos da canção Gota D´água, de Chico Buarque: 

“Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d’água”.

Texto: Ivan Elias – Toque de Bola

 Foto: internet – organizadasbrasil.com – publicada em torcedores.com  

      

   

 

  

  

Ivan Elias

Ivan Elias, associado do Panathlon Club de Juiz de Fora, é jornalista, formado em Comunicação Social pela UFJF. Trabalhou por mais de 11 anos no Sistema Solar de Comunicação (Rádio Solar e jornal Tribuna de Minas), em Juiz de Fora. Já foi freelancer da Folha de S. Paulo, atuou como produtor de matérias de TV e em 2007 e 2008 “defendeu” o Tupi, na Bancada Democrática do Alterosa Esporte, da TV Alterosa (SBT-Minas). É filiado à Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) e Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace).

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