Vergonhas do Mundial

  Caros e caras, na esteira do Mundial de Clubes da Fifa, escrevo essas mal traçadas para lamentar as vergonhas da competição realizada – para mim nem deveria ter sido, mas isso é tema para outra coluna – no Qatar. Foram algumas. Destaco aqui as que mais me saltaram aos olhos com uma perspectiva de futuro sombrio e, desde já, convido vocês a deixarem nos comentários na área destinada abaixo as que perceberam também.

Al Ahly comemora nos pênaltis (arte: Fifa)

  Falando do nosso quintal, claro que salta aos olhos a quarta colocação do Palmeiras. Primeiro sul-americano na História a terminar o Mundial sem pelo menos uma medalha de bronze. Pior: deixou a competição sem fazer um golzinho sequer no tempo normal.

  Se os palmeirenses já tinham que lidar com musiquinhas e memes sobre a falta da conquista na prateleira, agora ganham o carimbo de primeiro clube do continente a faltar ao pódio do Mundial. Não por falta de merecimento. Perder, mesmo que nos pênaltis, para um time egípcio desfalcado e passando sufoco é mais do que motivo.

Crise geral?

  Muitos colegas se arvoraram em tirar da cartola várias justificativas, análises e afins, até mesmo espalhando por toda América do Sul uma sombra no futebol jogado. Vejo diferente. O time do Palmeiras é, simplesmente, limitado e não representa nem o melhor futebol jogado no Brasil, que dirá no continente. Nem mesmo este nível está ombro a ombro com os europeus mesmo, mas está longe de ser uma crise geral.

  Ganhou a Libertadores? Ganhou. Mas de que maneira? Principalmente por conta de um resultado fora da curva sobre o River no jogo de ida. Contando também com um Weverton – esse pra mim, no momento, o melhor goleiro do continente – inspirado em ambos os jogos. Nem comento a final contra o Santos… 

  Enfim, o Palmeiras joga isso aí mesmo. Um time que, por característica de seus jogadores, se não usar velocidade para escapar da marcação, termina encaixotado. Daí, até time egípcio consegue segurar.

Mão na bola ou bola na mão?

  Para coroar um Mundial que não deveria ter existido – já falei, isso é papo pra outra coluna – a final foi decidida por um lance irregular. E o VAR, do qual o Ivan tratou bem em sua última crônica, mostrou que tem problemas não só no Brasil.

Bayern celebra o Mundial (foto: Fifa)

  Certamente preocupados e enrolados com o impedimento milimétrico de Lewandowski, os bravos conferentes das telas esqueceram-se da orientação atual da International Board para toques de mão. A bola claramente encosta no braço esquerdo de Lewa e sobra para Pavard fazer o gol que deu o título ao Bayern.

  Fosse já na temporada 2021/2022, o lance seria regular. Mas, até junho deste ano, qualquer toque de mão do ataque paralisa a jogada. Assim, se algum torcedor do Tigres bradar que perdeu a final do Mundial roubado, não está de todo alucinando.

Tendência é aumentar

  Claro que não sou doido – não a esse ponto – de achar que o Bayern não venceria mesmo sem o gol com o toque de mão de Lewa. E o que me preocupa é exatamente isso. Jogando com o freio de mão nitidamente puxado, desfalcado, o time alemão ganhou esse Mundial com o pé nas costas. O que acontecerá no novo formato proposto pela Fifa?

  Respondo: a tendência é aumentar a distância já abissal entre os europeus e os sul-americanos, tradicionais rivais pelas conquistas do Mundial. Com uma fase de grupos prevista para ter oito clubes da Europa e seis da América do Sul, e o restante das 24 vagas espalhadas pelos demais continentes. Serão oito chaves de três clubes cada. E aí deve começar a complicar.

  Caso a Fifa decida partir direto da fase de grupos para as quartas de final, raramente veremos um europeu cair na primeira etapa da competição. E, caso avancem, os sul-americanos – brasileiros incluídos – não devem passar da primeira eliminatória contra um time da Europa. É só comparar os classificados atualmente: pela Libertadores são Flamengo e Palmeiras; pela Champions vão Liverpool e Bayern de Munique.

  Ainda bem que o novo formato agenda a disputa para ocorrer de quatro em quatro anos. Assim, as (nossas) vergonhas do Mundial não serão anuais!

Crônica de Wallace  Mattos

Wallace Mattos

Jornalista profissional, formado pela Faculdade de Comunicação Social (Facom) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), tem mais de 20 anos de carreira na qual já trabalhou em rádio, TV, jornal e mídias digitais. Além disso, tem experiência em gerenciamento esportivo, logística e administração de pequenos negócios. Entre as áreas de interesse e constante busca de aperfeiçoamento, destaca a busca pela discussão do papel da mídia no negócio do esporte e na construção de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento das dimensões participativa e profissional das modalidades. EXPERIÊNCIAS PROFISSIONAIS: TUPI FOOTBALL CLUB, Juiz de Fora, Minas Gerais 2015: Consultor de comunicação/Chefe de delegação/Integrante do conselho consultivo. TRIBUNA DE MINAS, Juiz de Fora, Minas Gerais, Brazil 2004 – 2015 Repórter sênior (2009-2015) – Repórter júnior (2004-2008). TV ALTEROSA, Juiz de Fora/Varginha, Minas Gerais/Minas Gerais 2003 Assistente de Marketing/Repórter esportivo. TV ALTO LITORAL, Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro 2002 Estagiário/Repórter júnior. MOSTARDA PROPAGANDA, Juiz de Fora, Minas Gerais 2001 Estagiário/Redator. RÁDIO SOLAR, Juiz de Fora, Minas Gerais 2001 Estagiário.

Este post tem 6 comentários

  1. Ivan Elias

    Obrigado, Miriam. Sua participação constante nas diversas publicações, nos vídeos e nas lives do Toque de Bola é fundamental para o nosso crescimento. Valeu!

  2. Miriam

    É isso aí Wallace. Tá puxado ….. Parabéns.

  3. Clinton

    Triste para o Palmeiras mas feliz pelos memes

  4. Wallace Mattos

    A brincadeira saudável não pode parar… valeu, Cinton!

  5. RAFAEL COOPER DE ALMEIDA

    Acido e preciso. Parabens pelo texto, wallace.

  6. Wallace Mattos

    Obrigado, Rafael!

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