“- Então, me explica o que é impedimento?”

Foto: Julian Finney/ Getty Images

Atire a primeira pedra a torcedora, independente de faixa etária, que não ouviu este questionamento ao revelar que gosta de acompanhar futebol.

É como ao responder a este enigma, ela estivesse magicamente autorizada a passar pela a faixa-amarela “mantenha distância” e merecer a pulseira para os integrantes vips deste universo esportivo.

É uma intimidação, uma barreira bem bocó, tenhamos sinceridade. Saber ou não o que é impedimento não invalida a experiência nem o direito de torcer por um time de futebol. E não proíbe ninguém de ver ou comentar as partidas.

Essa mentalidade que precisa ser exterminada: futebol não é exclusividade do clube do Bolinha. É “coisa de menina”, se ela quiser e como quiser. Ela pode torcer, jogar, administrar, atuar em alguma função relacionada: médica, nutricionista, marketing, fisioterapeuta, jornalista, etc.

Muitos clubes e campeonatos abriram o olho para o impacto da perda deste público. Desde afastar uma influência para outros torcedores – neste caso sirvo como exemplo, herdei meu coração alvinegro da minha mãe – até afastar consumidoras dos produtos do time.

Garotas, não se sintam inibidas: se gostam, ignorem as gracinhas e torçam. Se quiserem se aprofundar, pesquisem. Eu aprendi as regras do futebol vendo jogos e lendo. Atualmente, basta dar um Google e pronto: eis que surgem cerca de 1.520.000 resultados relacionados a “o que é impedimento no futebol”. 

E, cá entre nós, desde que eu me entendo por gente, nem os próprios questionadores conseguem responder à pergunta de bate-pronto. Se fosse ponto pacífico de uma regra clara não haveria tanta polêmica sobre se é ou não nem haveria tantos erros que mudaram trajetórias de equipes em diferentes competições.

Nem o VAR resolveu a polêmica sobre impedimento 

Ainda mais recentemente, não haveria tantas contestações sobre o VAR, a propagada esperança tecnológica de fim dos problemas, mas que virou chamariz de outros, como bem apontaram Ivan Elias e Wallace Mattos em suas crônicas aqui no #OToquequeFaltava.

Ah, garotas, se ouvirem esta pergunta naquele tom que vocês sabem bem, não hesitem em responder. Meu repertório é variado. Já usei “aquilo que é marcado contra o Botafogo nos saudosos tempos quando ele visitava a grande área adversária, mas quase nunca a favor” ou “pelo visto não há consenso entre quem apita, quem comenta e quem faz a regra”.

Ou se preferirem, devolvam o questionamento: “Não sei. Me explica?”. E após ouvir a aula-padrão sobre “é quando o jogador recebe a bola ou participa de um ataque em posição irregular em relação à linha defensiva”, sinta-se à vontade para soltar um “você tem certeza?”

De que adiantam câmeras de última geração, quando toda a treta se resume à decisão de onde será traçada a linha? Sem contar que o equipamento não é infalível, pode ter uma pane, estar se recalibrando e haver um lance que precise dele, como foi o caso de Vasco 0 x 2 Internacional, no dia 14 de fevereiro.

Portanto, possível “questionador”, desça do pedestal. Não seja bobo, porque não faltam exemplos nacionais e internacionais de que a resposta não é tão óbvia quanto você pensa.

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ps.: O Comitê Organizador de Tóquio-2020 agora tem uma presidente: bem-vinda Seiko Hashimoto, que era ministra japonesa para os Jogos Olímpicos. O mundo mudou e a pressão de organizadores e patrocinadores ajudaram a tirar o holofote de quem não sabe respeitar os outros.

 

Crônica: Roberta Oliveira – Toque de Bola

Arte: Toque de Bola

Roberta Oliveira

Jornalista graduada e Mestre pelo Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora. Experiência como Professora Bolsista da Faculdade de Comunicação Social. Desenvolve pesquisa na área de Jornalismo Esportivo, Identidade, Futebol e Representação Social da Mulher. Participou do Grupo de Pesquisa Comunicação e Esporte. Atualmente atuando com marketing de conteúdo, na Experta Media e como repórter do portal Toque de Bola. Experiência de cerca de dois anos na Rádio Solar, cinco anos na Rádio Panorama FM, mais de quatro anos na produção da TV Panorama/Integração e repórter web por seis anos nos sites G1 e GloboEsporte da Zona da Mata, da TV Integração. Criadora e responsável pelo blog Literatura de Mulherzinha (https://livroaguacomacucar.blogspot.com/) desde 2005.

Este post tem 4 comentários

  1. Roberta Oliveira

    Oi, Miriam. Realmente é uma delícia quebrar um rótulo tão limitante, não é? Na maioria das vezes, incluindo recentemente, eu encontrei os questionadores. Obrigada pela leitura e pelo comentário!

  2. Roberta Oliveira

    Obrigada pela leitura e pelo comentário!

  3. Miriam

    Roberta, as vezes eles nem gastam saliva para fazer a fatídica pergunta. Se o assunto da roda é futebol, simplesmente te ignoram. Aí, é só esperar uma deixa e soltar uma análise certeira. Você quebra a dinâmica, o grupo silencia e te olha como ET. Mas é uma delícia!

  4. Itaciana

    Excelente!

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