Adeus, Deca! Um volante que jogava fácil

Adeus, Deca. Jogava fácil! Arte: Toque de Bola

  O futebol de Juiz de Fora se despediu de mais um craque em 2020. No fim da tarde desta segunda, dia 23, morreu, aos 57 anos, Marildo Rogério Belo Jovino, o brincalhão e extrovertido Deca, ex-volante de Sport e Tupi no final da década de 80, que sabia marcar e ao mesmo tempo tinha muita qualidade para sair jogando ou fazer a ligação entre o meio e o ataque.

  De acordo com informações de amigos da família, ele passou mal em casa no fim da tarde de domingo, 22, e foi encontrado caído pelo filho. A causa exata da morte não foi informada.

  Deca começou no Sport Club Juiz de Fora e foi titular do Periquito na inauguração do Estádio Municipal Radialista Mário Helênio em 1988.

  De acordo com o pesquisador do futebol carijó Léo Lima, foi para o Tupi no ano seguinte (1989) junto com Marquinho, Ailton, Guto, Ronaldo e Zebu para a disputa do Campeonato Mineiro. O volante ainda esteve presente na primeira participação do Carijó na Série B do Brasileirão.

  Após boa passagem pelo Rio Branco de Andradas, voltou ao Tupi em 94 para vestir a camisa da recém-criada Cooperativa Manchester de Futebol (espécie de união simbólica entre os clubes locais Tupi, Sport e Tupynambás) e encerrar a carreira no Tupi em 1996. Com a camisa do Galo Carijó foram 52 partidas (1989 e 1996) e um gol marcado.

Deca no Sport em 1988

    O Toque de Bola reuniu depoimentos e histórias de personagens do esporte juiz-forano que conviveram com Deca dentro e fora de campo. Confira!

  Na live desta quarta-feira, dia 25, às 18h, no Instagram toquedebolajf, o seu companheiro de meio-campo no Sport e no Tupi, Guto Carvalho, será o convidado. Para acompanhar e enviar mensagens e comentários, basta seguir a página toqueebolajf no Instagram.

Márcio Guerra – jornalista e ex-dirigente do Sport

“O Deca foi um nome muito importante na história do futebol profissional do Sport mais recente. Um jogador sempre muito alegre, descontraído, com uma identidade muito grande com o Sport. Ele era muito querido por funcionários, colegas, diretoria. Sentimos muito a morte dele, que sempre foi uma pessoa diferenciada nas viagens. Estava sempre cantando, rindo, super alegre e animado. Dentro e fora de campo era um cara extraordinário. Só temos a lamentar e pedir que agora ele tenha o descanso merecido”

Edvaldo Alves, ex-jogador

Edvaldo e Deca no Manchester

“Uma história engraçada é de quando estávamos na segunda divisão do Campeonato Mineiro pelo Manchester contra o Rio Branco de Andradas, em Andradas. Jogávamos pelo empate e fizemos 1 a 0. Eles empataram, nós fizemos 2 a 1 e eles empataram de novo. O Deca jogou no Rio Branco entre 92 e 94 e tinha muita moral lá. Ele conversou com o Messias, jogador deles, para fazermos um jogo de compadre para subirmos os dois. O treinador Pedro Rocha não sabia e mandou demitir todo mundo. No fim, subiram os dois times e o Deca foi fundamental. Era um cara espetacular de se conviver. Eu tinha muita ligação com a família dele. Perda muito grande para nós. Jogava demais, nasceu na época errada. Caso jogasse hoje, estava milionário”

Guto Carvalho, ex-jogador

“É um dia muito triste, que vai ficar marcado na minha vida, do falecimento do meu amigo Deca. Um grande atleta, que conviveu comigo no Sport durante três, quatro anos e depois mais um ano no Tupi. Vou guardar muitas recordações dele. Quando o Sport  voltou com o futebol profissional, na terceira divisão (estadual), o treinador era o Mirim e o auxiliar o Antônio Carlos Ratinho. Indicaram um jogador para o Rato, que ia jogar no campo do (Colégio dos) Jesuítas, de futebol amador. O Sport já tinha começado sua atividade no profissional, a grande maioria como eu vinha da base do clube, e neste jogo no Jesuítas além desse jogador que tinha sido indicado o Ratinho viu o Deca jogando no meio. Na mesma hora chamou o Deca na beira do campo e o convidou para fazer um teste no Sport. E assim foi. Numa terça-feira chegou o Deca lá, não o conhecia. Quando ele começou a treinar com a gente, vi aquele cara grandão, forte, de volante, falei:  vai encaixar no nosso time certinho. E ele não tinha passado por base nenhuma! Dito e feito. No primeiro treino entrou no time reserva e já no segundo treino Mirim o lançou no time titular e dali para a frente nunca mais saiu. Esse era o Deca, pessoa de coração enorme que nunca se viu discutir com ninguém, brincalhão, muitas amizades, alegre, espontâneo. Mas quando entrava em campo sai de baixo, era diferente. Além de ser forte, alto e de bom cabeceio, saía para jogar também, seria hoje um camisa 8, um segundo volante”.

Marco Aurélio Del Papa – “Dezoito” – fisioterapeuta, hoje responsável pelo departamento médico do Tupynambás

“Eu tive um prazer imenso de trabalhar com ele por duas ou três temporadas. Era uma pessoa maravilhosa, um ser-humano fantástico, um amigo de todos. Tinha uma vontade e uma determinação acima do normal. Não tinha bola perdida nunca. Era um cara que transpirava raça. Juiz de Fora perde mais um atleta exponencial, que deu muitas alegrias a todos nós. Vamos orar para que ele esteja com saúde e em paz onde quer que esteja. Um verdadeiro guerreiro”

José Luiz Mauler Júnior – Juninho – presidente do Tupi

“Fiquei muito chateado porque o Deca era, além de um ex-jogador do clube, um grande amigo. Jogamos juntos em vários times da cidade. Tínhamos um relacionamento de muita proximidade. Era um cara muito novo e, até por isso, fomos pegos de surpresa. Que a família tenha o devido conforto e a certeza de que ele está descansando em um bom lugar, porque era uma pessoa maravilhosa”

Texto: Pedro Sarmento – Toque de Bola

Fotos: arquivos Léo Lima, Edvaldo e Guto Carvalho – reprodução Tribuna da Tarde

Artes: Toque de Bola

Toque de Bola

Ivan Elias, associado do Panathlon Club de Juiz de Fora, é jornalista, formado em Comunicação Social pela UFJF. Trabalhou por mais de 11 anos no Sistema Solar de Comunicação (Rádio Solar e jornal Tribuna de Minas), em Juiz de Fora. Já foi freelancer da Folha de S. Paulo, atuou como produtor de matérias de TV e em 2007 e 2008 “defendeu” o Tupi, na Bancada Democrática do Alterosa Esporte, da TV Alterosa (SBT-Minas). É filiado à Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) e Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace).

Este post tem 5 comentários

  1. nsio

    q saudades vou sentir de vc meu parceiro e irmao ….sempre alegre um cara de grupo pessoa maravilhosa vai descansar deca !!! muita luz pra vc no tunel da passagem

  2. Karla

    Um ser humano muito especial!Um cara alegre,alto astral e de boas energias.Estará para sempre em nossos corações. Segue em paz,Deca.

  3. Beatriz

    Já o conhecia antes de entrar pra família,casou com minha prima e trouxe muita alegria a todos.Sempre muito brincalhão e muito alto astral.Com meus filhos,um carinho especial que chegava a emocionar qdo os via. Já está deixando muita saudade.Foi descansar,seu tempo foi esse aqui com todos nós.Que Deus nosso pai e Jesus nosso irmão maior ampare mha prima Sandra e meu sobrinho Felipe seu filho.

  4. Maria José Queiroz

    Sempre muito alegre…receptivo! Deixará saudades! Maria José Queiroz

  5. Eliana Cristina da Silva Cunha

    Uma das melhores pessoas que já conheci um ser humano de muita luz e bondade deixará muita saudade

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