Raios-X: Mamoré joga pela permanência no Módulo 2

Só a vitória salva o Sapo do rebaixamento.

  O adversário do Tupi na última rodada é o Mamoré, de Patos de Minas. A partida será neste sábado, 31, às 15h, no Estádio Radialista Mário Helênio, em Juiz de Fora.

  É um jogo importante para as esperanças das duas equipes: se oferece chance ao Carijó de seguir em frente, pode permitir ao Sapo não terminar com a pior campanha e ser um dos dois rebaixados.

  O Esporte Clube Mamoré tem 71 anos. Ao longo desta história, o esmeraldino terminou em quarto lugar no Campeonato Mineiro de 1995, já venceu o Módulo II e Segunda Divisão. Conquistou a Super Copa Minas Gerais em 1993, foi Campeão do Interior em 1995 e em 2001.

  Disputou a série C em 2001, Copa Sul-Minas e o Supercampeonato Mineiro em 2002. Também participou da série C, em 2001, ficando em 44º lugar.

Sapo sob as bênçãos de Santo Antônio

Em 71 anos, o escudo permanece com visual retrô.

  Há um ponto onde as histórias de Patos de Minas e de Juiz de Fora convergem: Santo Antônio é padroeiro das duas cidades.

  O Esporte Clube Mamoré foi fundado em 13 de junho de 1949, dia do santo casamenteiro. O nome foi uma homenagem a um rio brasileiro, como explica o assessor de marketing, Raphael Dylan.

  “Foram os militares do Tiro de Guerra que criaram o Esporte Clube Mamoré e que deram nome em alusão ao Rio Mamoré por causa do afluente do rio Amazonas. Quem é torcedor mais recente do Esporte Clube Mamoré não conhece essa história do rio”, contou.

  Nestes 71 anos, o símbolo do Mamoré passou por poucas mudanças e permanece retrô. No início, era só o “M”. A única alteração foi colocar Esporte Clube Mamoré no círculo.

Cerveja artesanal recebeu o nome do mascote.

  O mascote do esmeraldino é o Sapo, que foi adotado na mesma época da fundação. “O lugar onde o clube foi criado, o antigo estádio Waldomiro Pereira, era um brejo, tinha uma lagoa. Tinha vários sapos e girinos em volta do gramado. Então foi aí que surgiu o mascote Sapo Louco, popularmente Sapo. A gente pesquisou e é um dos poucos times que tem o Sapo como mascote”, disse Raphael Dylan.

 Cerveja artesanal

  A identificação entre clube e mascote é tão grande que, em 2020, antes da pandemia, resultou na criação da Sapo Beer, em parceria com uma empresa da cidade.

  “É uma cerveja puro malte artesanal. Foi comercializada em Patos de Minas e nos dias dos jogos, quando tinha público, também era vendida. Foram feitas 500 unidades na primeira edição e todas foram vendidas. Para o ano que vem, a gente pretende criar a cerveja preta da Sapo Beer. A gente tem que fazer algo diferente para vender para o torcedor do Esporte Clube Mamoré e para quem é amante da cerveja artesanal”, explicou o assessor de marketing.

Sobe e desce no Mineiro

  Permaneceu como um clube de futebol amador até 1989. Após a profissionalização estreou pela Terceira Divisão do Mineiro. E venceu. Em 1991, disputou a Segunda Divisão e também levantou a taça. Em uma ascensão fulminante, com dois anos de profissionalização, o clube já disputava a elite do futebol mineiro.

  Disputou a primeira divisão do Mineiro entre 1992 e 1997, depois entre 2001 e 2005 e, pela última vez, em 2015.

Equipe perdeu o acesso para a elite por uma escalação irregular.
Foto: E.C. Mamoré/arquivo

  Esteve no Módulo II entre 1998 e 2000, em 2006, entre 2010 e 2014, 2016 a 2018 e em 2020.

  Em 2010, o clube foi punido pela escalação irregular de um jogador e não pode subir para a elite. O clube recorreu à Justiça Desportiva e à Justiça Comum. A Federação Mineira de Futebol venceu. E o Mamoré só conseguiu conquistar a vaga quatro anos depois.

  E participou da Segunda Divisão (que atualmente equivale à Terceira) em 1991, 2009 e em 2019. No ano passado terminou em terceiro lugar. No entanto, como o América de Teófilo Otoni abdicou da vaga no Módulo II por falta de recursos, o Mamoré subiu de divisão. De acordo com Raphael Dylan, a demora na confirmação na vaga atrasou o planejamento do clube.

  “A gente teve uma preparação menor que os outros clubes, porque só recebemos a confirmação em novembro. O time que começou em 2019 é praticamente a equipe que está no Athletic, que está classificado. O Mamoré não teve como chamar esses jogadores de volta”.

Venda do estádio, hiato e recomeço na casa nova

  Em 2006, o Mamoré vendeu o estádio Waldomiro Pereira, que tinha capacidade para cinco mil pessoas.

Clube vendeu o estádio, que agora abriga um shopping e um supermercado.
Foto: E.C. Mamoré/Arquivo

  “O clube precisava de recursos financeiros. Foi no Waldomiro Pereira onde o Mamoré teve suas maiores glorias: quarto lugar do Mineiro, foi campeão do Módulo II, jogou a Série C, a Copa Sul-Minas, foi bicampeão do Interior. E teve o ídolo Pael, que é auxiliar do clube, foi criado no Mamoré, jogou no Atlético e no Guarani”, explicou o assessor de marketing.

  A Rede de Supermercado Bretas pagou R$ 4,7 milhões. O imóvel foi demolido e o terreno abriga atualmente um hipermercado e um shopping center. Como parte do acordo, o clube recebeu um novo estádio, que ficou pronto em três anos depois. A inauguração foi no aniversário de 60 anos do Mamoré: 13 de junho de 2009.

  O local foi batizado como Bernardo Rubinger de Queiroz, em homenagem ao antigo diretor que profissionalizou o clube no fim da década de 1980, morto em 2008. O estádio tem capacidade para 10.252 pessoas, o público recorde foi 10 mil pessoas em 28 de janeiro de 2012 para assistir à Mamoré 1 x 2 Cruzeiro.

  Após voltar a ter uma casa, o clube retomou as atividades profissionais, conquistando a Terceira Divisão de forma invicta em 2009 e voltando ao Módulo II em 2010.

Campanha no Módulo 2

Arte: Toque de Bola

  O Mamoré conquistou nove pontos em 10 rodadas. Marcou cinco gols e levou dez, saldo negativo de cinco gols nas seguintes partidas:

– uma vitória: 2 x 1 Nacional de Muriaé (fora)

– seis empates: 0 x 0 Democrata-GV, Ipatinga; 1 x 1 Serranense e 2 x 2 Democrata-SL (casa) e 0 X 0 contra o Betim Futebol e o Pouso Alegre (fora);

– três derrotas: 3 x 0 Athletic Club (fora); 1 x 0 Guarani (casa); 2 x 0 CAP Uberlândia (casa).

   Desfalques sábado

  O Sapo tem dois desfalques para o jogo contra o Tupi: o goleiro Cleysson, em recuperação pelos próximos oito meses após uma falta no jogo contra o Nacional de Muriaé e Soares, que estava no banco e foi expulso por xingar o árbitro.

Time precisa vencer para se manter no Módulo II.

  E só tem um resultado em mente na 11ª e última rodada: ganhar. Ele só supera os adversários direto no número de pontos, porque os outros times já venceram três vezes e o Mamoré só pode chegar à segunda vitória.

  Contas

  Além de fazer a própria parte, depende do resultado de outros jogos. Um é entre Ipatinga x Guarani. Com a vitória, o Mamoré termina na frente de um dos dois. Para deixar a lanterna e escapar do rebaixamento para a Segunda Divisão, o Serranense não pode vencer o Democrata-SL ou CAP Uberlândia não pode vencer o Betim Futebol. 

  Tanto Mamoré quanto Serranense e Democrata-SL atuam fora de casa

  “Nós queremos passar para os atletas é que o campeonato não acabou. Esse grupo até agora não perdeu na volta pós- covid. O time está abraçando essa ideia, tentar uma vitória mínima, para se manter no Módulo II para, no ano que vem, tentar fazer um campeonato melhor”, resumiu Raphael Dylan.

 

Texto: Toque de Bola – Roberta Oliveira com informações do site e perfis oficiais do clube

Fotos: Raphael Dylan/E.C.Mamoré; E.C.Mamoré/arquivo; reprodução/site oficial.

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