Raios X: Atlético de Alagoinhas, Carcará cinquentão com problemas financeiros

É a segunda vez que o Atlético disputa a Série D

  A primeira fase do Grupo A6 da Série D do Campeonato Brasileiro chega ao meio e o Tupynambás precisa se recuperar de uma sequência de empates e derrotas que o derrubou para o quinto lugar na tabela.

  Não será o único: o Atlético de Alagoinhas, adversário deste sábado, dia 17, às 20h30, também vem de uma derrota que custou a vice-liderança. Atualmente é o terceiro colocado, com dez pontos em seis jogos. E com a sombra das dificuldades financeiras preocupando atletas e diretoria.

Como um mata-mata

  A luta para se firmar entre os quatro primeiros do Grupo A6 é o contexto deste confronto, que será em dose dupla. Os times se enfrentam pela sétima rodada, em Alagoinhas, e se reencontram na quarta, dia 21, em Juiz de Fora, pela oitava série de jogos.

  Clique e conheça as trajetórias do Bahia de Feira, do Palmas, da Caldense, do Villa Nova, do Gama e do Brasiliense, adversários do Baeta na série D do Brasileiro. É a série dos raios X do Toque de Bola.

Imagem: Reprodução/site oficial

Simbologia atleticana 

  O clube surgiu a partir da construção do Estádio Municipal Antônio de Figueiredo Carneiro, o Carneirão. Os esportistas de diversos clubes do futebol amador de Alagoinhas decidiram inscrever um representante na disputa do Campeonato Baiano. Para não favorecer uma das equipes já existentes, fundaram o Alagoinhas Atlético Clube, em 2 de abril de 1970. Portanto, celebrou 50 anos em 2020.

  O escudo foi criado pelo sócio-fundador, conselheiro e torcedor apaixonado, Saturnino Peixoto Pinto. Segundo ele, é circular e contornado por uma rodada dentada com 16 dentes em esmalte sable preto representa o trabalho pela forma e a prudência e o poder, pela cor.

  Na faixa concêntrica em metal prata significando pureza e paz, está escrito Alagoinhas Atlético Clube. As palavras são separadas por três estrelas que representam Terra, Água e Ar. O círculo central, em esmalte vermelho significa soberania e luta, onde estão as letras “AAC”.

Carcará

  O estádio do Carneirão foi inaugurado em 24 de janeiro de 1971, com o jogo Bahia x Corinthians, de Roberto Rivelino. A partida terminou 3 a 1 para os donos da casa. Foi também o dia que o clube adotou o carcará como mascote.

O carcará, mascote atleticano. Foto: Andreas Trepte

  A voz de Maria Bethânia imortalizou a música de João do Vale, que garantia que a ave é aquela que “pega, mata e come”. Ele se tornou o símbolo porque o desportista, conselheiro e sócio-fundador Heraldo Aragão se lembrou de um feirante que vendia folhas medicinais e que tinha um carcará. Pediu que levasse o pássaro para uma exibição diante da torcida.

Fuga e retorno

  Segundo a página do time na Wikipedia, a torcida aprovou a iniciativa, mas a ave ficou assustada e fugiu. O feirante ficou desesperado e cobrou 50 mil cruzeiros de indenização a Aragão. Ele se salvou de pagar porque o pássaro voltou para o dono.

  O Atlético de Alagoinhas participou 42 vezes do Campeonato Baiano. As melhores campanhas foram em 1973 e em 2020, quando foi vice-campeão, ao perder para o Bahia, nos pênaltis por 7 a 6. As duas partidas da decisão terminaram empatadas, em 0 a 0 e em 1 a 1, com Magno Alves – cujo contrato terminou ao final do Estadual – marcando o gol atleticano.

Competições nacionais

  Em cinco décadas, o Carcará ainda não chegou à elite do Brasileiro. Possui duas participações na Série B, na qual terminou em terceiro em 1972. Esteve cinco vezes na Série C. A melhor campanha foi em 1991, quando foi o nono.

  Em 2020, o Atlético de Alagoinhas estreou na Copa do Brasil. Foi eliminado na primeira fase, ao empatar sem gols contra o Botafogo da Paraíba, que tinha esta vantagem por ser o visitante. Já está garantido na competição do ano que vem por causa do vice-campeonato estadual.

Dificuldades financeiras

Imagem do vestiário do Atlético no Carneirão

  Esta é a segunda vez que o Carcará joga a série D. Na primeira, em 2009, foi o 37º. No entanto, a preparação foi turbulenta.

  O atacante Marcelo Nicácio, que seria um reforço para a competição nem estreou, deixou o clube por “motivos pessoais”, que incluíram desentendimento com um cartola. Logo em seguida, vazou um áudio onde o presidente Albino Leite afirmava que o verdadeiro motivo era que o jogador devia a agiotas.

Cobrança e campanha

  Além disso, os atletas adiaram a reapresentação em cinco dias como forma de cobrar as dívidas referentes aos direitos de imagens e as premiações. Não foram pagos os valores combinados pelas vagas para a Copa do Brasil e para a prévia da Copa do Nordeste.

  O Atlético estreou em casa perdendo para o Gama por 1 a 0. Depois foram três partidas como visitante: duas vitórias por 3 a 0, contra a Caldense em Poços de Caldas e contra o Palmas no Tocantins; e o empate em 1 a 1 contra o Brasiliense.

Mais protesto 

  No sábado, dia 10, venceu em casa o Bahia de Feira por 3 a 1. Após esta partida, os jogadores comunicaram à diretoria que, se os pagamentos não fossem quitados, a equipe não viajaria para enfrentar o Villa Nova para o jogo de quarta, dia 14, em Nova Lima.

Atlético perdeu para o Villa em Nova Lima

  Por isso, o presidente gravou um vídeo pedindo doações  aos torcedores para ajudar o clube neste momento de dificuldade financeira. A equipe viajou para Minas Gerais e perdeu por 2 a 1.

Regulamento 

  Os 64 que disputam a competição foram divididos em 8 grupos. Todos se enfrentam dentro de cada chave em turno e returno até 28 de novembro. Os quatro primeiros avançam para a segunda fase, que será disputada em jogos de ida e volta, nos dias 6 e 13 de dezembro.

  Depois disso, serão as partidas de oitavas de final, nos dias 20 e 27 de dezembro. As quartas estão previstas para 3 e 10 de janeiro. Estes jogos definem os semifinalistas que já estarão promovidos para a Série C do Brasileiro em 2021.

  As semifinais estão marcadas para 17 e 24 de janeiro. E os finalistas da Série D 2020 se enfrentam nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro, decidindo o título.

Texto: Toque de Bola – Roberta Oliveira com informações do site e redes oficiais do clube, da Wikipedia e do ge.globo

Foto: reprodução/site oficial; @mr_fotografia99/Instagram; e Will Gonçalves/Villa Nova AC.

Toque de Bola

Ivan Elias, associado do Panathlon Club de Juiz de Fora, é jornalista, formado em Comunicação Social pela UFJF. Trabalhou por mais de 11 anos no Sistema Solar de Comunicação (Rádio Solar e jornal Tribuna de Minas), em Juiz de Fora. Já foi freelancer da Folha de S. Paulo, atuou como produtor de matérias de TV e em 2007 e 2008 “defendeu” o Tupi, na Bancada Democrática do Alterosa Esporte, da TV Alterosa (SBT-Minas). É filiado à Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) e Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace).

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