Opinião do leitor no Toque: “Sabe o que muda com a nova MP?”

Você sabe o que muda com a nova “MP do Flamengo”? 

 Este é o título do texto enviado ao Toque de Bola pela leitora/internauta Mariana de Souza, estudante de 16 anos do Colégio de Aplicação João XXII.

  Segue abaixo a íntegra do texto, editado pelo Toque de Bola

Mariana de Souza

“Um mês depois da nova lei, veja como os clubes e redes de televisão estão se adaptando com as novidades.

  A MP 984/2020, ou Lei de Democratização das Transmissões de Futebol propõe que a exibição da partida seja de responsabilidade do mandante do jogo, e não mais de ambos os clubes. Além disso, uma partida só poderá ser negociada pelas duas equipes caso o mando de campo não tenha dono.

  No documento assinado pelo presidente Jair Bolsonaro e divulgado no dia 18 de junho numa edição extra do Diário Oficial da União, dispõe-se ainda que os clubes ofereçam contratos de 30 dias para jogadores durante a pandemia do Covid-19.

  A medida que tem 120 dias para ser votada no Congresso desde sua divulgação ainda oferece 5% da renda proveniente da exploração de direitos esportivos audiovisuais em partes iguais para os atletas profissionais envolvidos no espetáculo.

  A “MP do Flamengo”, como ficou conhecida devido a participação direta dos dirigentes do clube em sua elaboração, trouxe benefícios imediatos ao clube rubro-negro que naquele momento ainda não havia chegado a um acordo com a rede Globo para transmissões de seus jogos no Campeonato Carioca. 

  A emissora ainda entrou na justiça e tentou derrubar a medida provisória, porém seu pedido foi negado e o Flamengo então pôde transmitir suas partidas, como mandante, em suas redes sociais sobretudo em seu canal do Youtube “FlaTV”. Com a derrota, a emissora decidiu rescindir contrato com os demais clubes cariocas e encerrou as transmissões do campeonato em seus canais.

  Apesar de não ter um acordo com o Flamengo, a emissora ainda detém o direito de transmitir os jogos do rubro-negro no campeonato Brasileiro até 2024.

  Ao todo 16 equipes da elite do futebol nacional aderiram à medida. Por acreditarem que o tema deve ser melhor discutido, Botafogo, Fluminense, São Paulo e Grêmio não demonstraram apoio.

  O clube que mais pode se beneficiar da medida é o Red Bull Bragantino, único clube que apoia e não tem nenhum contrato como uma emissora.

  Um manifesto divulgado pelos 16 clubes expõe quatro argumentos: o fim dos “apagões” de transmissões, isto é mais jogos serão transmitidos por então não haver impasses entre diferentes emissoras que detinham o direito de imagens dos clubes adversários. Empoderar e unir os clubes. Como terceiro argumento, é dito que  a concorrência aumentará, logo a qualidade também. E por último defendem a atualização da lei, argumentando que trará mais lucros aos clubes, podendo assim investir e prolongar a permanência de craques brasileiros no país, além de poder ter maior capital para ir ao mercado exterior e trazer grandes nomes estrangeiros.

  Apesar do Flamengo ter lucrado em uma transmissão em seu canal no Youtube cerca de 187 mil reais no polêmico jogo contra o Volta Redonda, os lucros serão instáveis e podem se agravar crises financeiras que muitos clubes estão convivendo, principalmente os clubes de pequeno e médio porte.

Outro fator a ser considerado é que cerca de 70  milhões de brasileiros têm acesso precário à internet. 

De fato a revolução pode trazer benefícios, mas a questão deve ser discutida e democratizada para que o futebol ainda esteja disponível para todos nós, torcedores.”

Texto de Mariana de Souza, estudante

Edição: Toque de Bola

Fotos: print da MP e arquivo pessoal

 Veja abaixo links das reportagens relacionadas ao tema publicadas pelo Toque de Bola

https://nasondasdotoque.esp.br/noticia/750906/globo-x-fla-especialista-analisa-polemica-dos-direitos-de-transmissao

Globo não transmitirá Carioca após jogos na FlaTV

 

Toque de Bola

Ivan Elias, associado do Panathlon Club de Juiz de Fora, é jornalista, formado em Comunicação Social pela UFJF. Trabalhou por mais de 11 anos no Sistema Solar de Comunicação (Rádio Solar e jornal Tribuna de Minas), em Juiz de Fora. Já foi freelancer da Folha de S. Paulo, atuou como produtor de matérias de TV e em 2007 e 2008 “defendeu” o Tupi, na Bancada Democrática do Alterosa Esporte, da TV Alterosa (SBT-Minas). É filiado à Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) e Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace).

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