Transtorno, medidas preventivas e bom senso: efeitos da pandemia na AABB

AABB Juiz de Fora

  Como está a situação dos clubes esportivos e sociais de Juiz de Fora após quatro meses de paralisação das atividades por conta da pandemia do coronavírus?

  Em contato com os presidentes das instituições, o Toque de Bola elaborou uma sequência de reportagens sobre o tema.

  Ao longo da série produzida pelo Portal, dirigentes do SESI, Cascatinha Country Club (CCC), Sport Club Juiz de Fora, Associação Atlética Banco do Brasil (AABB) e Clube Bom Pastor (CBP) tratam da interferência provocada pela pandemia nas agremiações.

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      Como os clubes estão se adaptando e sobrevivendo sem poder sequer abrir as portas?

A história

  A AABB JF foi fundada em 25 de maio de 1953. Como primeira sede, teve o 7º andar da Agência do Banco do Brasil na Rua Halfeld, esquina com Avenida Getúlio Vargas, que se limitava basicamente aos eventos sociais, não oferecendo aos associados atividades esportivas mais abrangentes.

  A ideia de se construir uma Sede Campestre para os funcionários do Banco do Brasil em Juiz de Fora surgiu no final dos anos 50 e se concretizou em 1961, graças ao apoio, não só dos funcionários do Banco do Brasil na cidade, mas também do Banco do Brasil.

  “Transtorno muito grande”

Edinho falou com exclusividade ao Toque de Bola

   Em entrevista exclusiva ao Toque de Bola, o atual presidente da instituição, Edson de Almeida Júnior, o Edinho, falou sobre a situação na qual a AABB se encontra.

  “Assim como para todos os clubes da cidade, a pandemia tem sido um transtorno muito grande. Está muito difícil manter uma estrutura grande como a AABB e aceitar toda ela parada. Tanto para a associação quanto para o associado é ruim ver que tudo está lá, pronto, e ninguém pode usar”, explicou.

  Medidas tomadas

  Com a chegada da pandemia do coronavírus, Edinho disse ter tomado medidas iniciais que foram fundamentais para que a situação do clube estivesse, atualmente, estável.

  “A princípio nós fizemos um levantamento de todos os nossos custos para sabermos quanto teríamos de manter na reserva sem prejudicar o funcionamento do clube. Os associados fizeram uma pressão para suspendermos as mensalidades, mas no nosso caso não é possível, porque somos uma associação civil. É como se fosse um condomínio: se os sócios deixarem de pagar, não haverá manutenção. Se não houver manutenção, quando as coisas forem retomadas, estará muito complicado”, comparou o presidente.

  Ainda segundo o mandatário, todas as decisões foram baseadas no que está previsto na legislação.

  “Usamos a Medida Provisória nº 936/2020 do Governo Federal, suspendemos alguns contratos e adiantamos férias de alguns funcionários. Depois desse processo, passamos a atender os pedidos dos associados por desconto nas mensalidades, que foi atendido em 20% do valor. De qualquer forma, muitos associados estão saindo do clube e a taxa de inadimplência aumenta a cada mês. O baque pode ser maior ainda a medida que isso for se arrastando”, completou.

Alternativas viáveis

  Edinho também explicou que, para que a associação e seus associados não ficassem “parados” durante todo esse período, a AABB vem promovendo eventos solidários que visam a melhoria da comunidade juiz-forana.

  “Temos que manter a estrutura mínima da associação. É uma obrigação para que possamos manter o clube em perfeito estado. Temos o suporte da Fenaabb (Federação Nacional das Associações Atléticas Banco do Brasil) com ideias de gestão e auxílio. Com isso, temos feito muitas campanhas de doações, colocando em prática um dos valores essenciais da instituição, que é atuar na comunidade em que ela está inserida. Os sócios são chamados a participar, temos a divulgação aos nossos parceiros e apoiadores, isso tem dado resultado”, revelou.

Recuperação e bom senso

AABB Juiz de Fora

Diante das incertezas provocadas por toda a crise, Edinho vê com preocupação o tempo pelo qual essa situação se estenderá.

  “Temos trabalhado com diversos cenários, mas a indefinição de prazo é muito complicada. É muito difícil administrar na incerteza. No cenário mais otimista tínhamos o mês de julho, agora já é agosto, quando as possibilidades de recuperação são muito boas. Caso isso continue avançando, como muitos vêm dizendo, vai ser mais complicado. Se formos analisar friamente o cenário pessimista de voltar no fim do ano ou em 2021, podemos ter problemas”, disse o presidente.

  Ainda assim, a instituição afirmou entender o momento e espera que todos consigam se recuperar o mais breve possível para que não haja nenhum tipo de prejuízo.

  “Temos que olhar o lado do associado. Muitas pessoas estão perdendo seu poder de compra. Olhando por esse lado, será muito difícil a recuperação. Isso porque as pessoas vão cortar custos e isso envolve gastos como mensalidades de clube. Quanto mais tempo demorar, mais difícil será a recuperação”, finalizou.

Texto: Toque de Bola – Pedro Sarmento, supervisão Ivan Elias – Toque de Bola
Fotos: Divulgação/AABB – Sérgio Peralva

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