Alívio momentâneo e sem “luz no fim do túnel”: efeitos da pandemia no Sindiclubes

  A sequência de reportagens do Toque de Bola sobre a situação dos clubes esportivos e sociais de Juiz de Fora se encerra com uma entrevista exclusiva.

  Após quatro meses de paralisação das atividades por conta da pandemia do coronavírus, o presidente do Sindicato dos Clubes do Estado de Minas Gerais (Sindiclubes), Marcelo Guedes Barra, abriu o jogo sobre a realidade enfrentada neste momento.

  Como os clubes estão se adaptando e sobrevivendo sem poder sequer abrir as portas?

   Confira abaixo links das outras reportagens da série Clubes de JF x efeitos da pandemia

    Veja a reportagem da série sobre o Sport Club Juiz de Fora

    Veja a reportagem da série sobre o Clube Bom Pastor

    Veja a reportagem da série sobre o Cascatinha Country Club

    Veja a reportagem da série sobre a AABB Juiz de Fora 

    Veja a reportagem da série sobre o Sesi Juiz de Fora

Situação grave

Marcelo Barra falou sobre a situação do Sindiclubes

  Em entrevista exclusiva ao Toque de Bola, Barra confirmou a situação difícil vivida pelos clubes de Minas Gerais no momento de crise. Serviço integrante da onda roxa do Programa Minas Consciente, de setores suspensos até o fim da pandemia, os clubes não têm, no momento, um caminho a seguir.

  “Eu tenho visto toda essa situação com muita preocupação. Temos feito algumas reuniões via celular com alguns presidentes de clubes de Juiz de Fora. Desde o início, o que podemos fazer é passar orientações de como eles procederiam em relação aos empregados, que é a minha área de atuação profissional. Com o caminhar das coisas, senti problemas muito sérios nos clubes”, explicou o presidente.

Alívio momentâneo

  De acordo com Marcelo, a prorrogação da Medida Provisória 936, convertida na Lei 14.020/2020, que permite a redução de jornada e salário dos trabalhadores, além da suspensão dos contratos de forma temporária, permite um alívio momentâneo ao setor.

  “A medida emitida pelo governo (no último dia 15) definindo a extensão por mais 30 dias da suspensão dos contratos e redução dos horários deu uma ajuda. Os contratos estavam vencendo e ninguém sabia o que ia fazer. A falta de pagamento bateu mais de 30% nas instituições e isso vai custar muito caro aos clubes”, afirmou Barra.

  Ainda segundo o mandatário do Sindiclubes, as medidas que poderiam ter sido tomadas junto aos clubes foram feitas. 

  “Até o momento, não tenho nenhuma luz. E nem eles (presidentes). Nós fazemos reuniões recorrentemente e nada foi levantado ainda, sinceramente. Acredito que essa prorrogação vai acalmar os ânimos um pouco, mas esse problema vai voltar no início de agosto. Nós pensamos em enviar um pedido ao governo estadual para ver se liberava as pessoas a fazer caminhada nos clubes, esportes individuais como o tênis, mas não existe essa possibilidade”, disse o presidente.

Sindicato prejudicado

  Vítima de um “efeito cascata”, o Sindiclubes não recebe a taxa paga pelos clubes porque alguns dos associados não cumprem o compromisso com as instituições por não estarem com fonte de renda ativa no momento. Sobre isso, Barra falou ao Toque.

Mandatário tomou posse em 2015

  “Estou preocupado até com a situação financeira do sindicato. Com a crise nos clubes, nós também não conseguimos manter nosso trabalho em dia. Estou vendo clubes em situação extrema, principalmente o Sport Club Juiz de Fora, que está passando por uma fase muito difícil”.

Recomendações

  Ainda em março, no início do período de pandemia, Barra conversou com os presidentes dos clubes e fez recomendações administrativas aos mandatários.

  “A maioria não mandou ninguém embora. Isso foi muito importante e foi tema de uma conversa que eu tive com eles. No início eu recomendei a antecipação de férias a todos, redução de jornada e, em alguns casos, a suspensão dos contratos”, analisou.

  Em tom de preocupação, Marcelo finalizou com um discurso de descrença em uma solução em curto ou médio prazo. “Os clubes serão os últimos a retomarem as atividades e os associados já estão ansiosos por isso. O que nós podemos fazer, estamos fazendo, mas, neste momento, não vejo uma luz no fim do túnel”.

Texto: Toque de Bola – Pedro Sarmento, supervisão Ivan Elias – Toque de Bola
Fotos: Sindiclubes; Divulgação/AABB

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