Biaggi campeão na Espanha!

Equipe Herick Pereira Futsal foi campeã da Série Prata

  Com domínio completo dos títulos por parte de equipes brasileiras, o Mundial de Clubes de Futsal sub-18 teve um treinador da região como destaque.

  A competição, que ocorreu na Espanha entre os dias 27 e 30 de dezembro de 2019, contou com a presença de Henrique Biaggi, ex-treinador do Tupi Futsal e coordenador do futsal das categorias de base do Sport Club Juiz de Fora. O comandante esteve à frente dos garotos do Herick Pereira Futsal na campanha do título da Série Prata do torneio.

  O time comandado por Biaggi tem sede em Joinville (SC) e é comandado por Herick Pereira, treinador da equipe sub-17 do Joinville/Krona, que é também o dono do projeto que leva seu nome. Segundo Henrique, receber um convite dessa magnitude e de uma pessoa influente no mundo do futsal foi motivo de muito orgulho.

  “Ser escolhido pelo Herick dentre vários treinadores de todo o Brasil foi uma grande honra. Ele é muito influente no meio. É professor da Escola Nacional de Treinadores de Futsal da CBFS e está muito perto de conseguir o cargo de treinador da Seleção Brasileira sub-17, com méritos. Além disso, é bicampeão catarinense e campeão da Taça Brasil. Ter sido escolhido por alguém com esse currículo mostra que meu trabalho está sendo visto”, analisou.

“No início eu fiquei sem acreditar”

  O convite para viver uma das maiores experiências profissionais da vida veio em um momento inesperado, como conta Henrique.

Henrique (dir.) e Herik (esq.) se conheceram em um curso em 2019

  “Eu já conhecia o Herick através das redes sociais. No início do ano passado, durante o estágio para treinadores de base que ocorreu em Cabo Frio (RJ), eu tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente. Na minha palestra, que ele estava assistindo, nós vimos muita semelhança no estilo de jogo e na vida pessoal. Com isso, criamos uma amizade muito grande e um vínculo muito forte. Conseguimos manter contato durante todo o ano e, em julho de 2019, eu recebi o convite para comandar a equipe sub-18 dele no Mundial, onde ele havia sido campeão da Série Prata como treinador em 2018. Nessa edição ele quis ficar mais como ‘manager’, já que ele é o dono do projeto lá em Joinville. Fiquei surpreso, mas, ao mesmo tempo, muito feliz”, disse o treinador.

Afirmação pessoal e profissional

  Natural de Três Rios (RJ) e morando em Juiz de Fora, Henrique vive o futsal na cidade há muitos anos e confessou ter notado uma proximidade no estilo de trabalho vivenciado no mundial e no que é aplicado na região, com exceção da liga local.

  “Foi uma experiência fantástica, porque me permitiu confirmar que eu quero buscar ainda mais do que eu vejo aqui em Juiz de Fora. Preciso participar de ligas fortes, o que não temos em nossa região. Pude ver de perto Barcelona, Santos e Corinthians fazerem grandes jogos. Ganhamos do Santos, que foi vice-campeão paulista, com o time completo. Isso dá um ânimo e mostra que nós conhecemos sim o esporte e temos capacidade de estar entre os grandes. Conhecer pessoas que trabalham no esporte e são referência no país e no mundo é algo único. A troca de informações nesses eventos faz com que a gente cresça muito. É melhor que qualquer curso”, confessou.

Equipes do Barcelona e Herick Pereira Futsal posaram juntas após a partida

“Deu gosto de ver”

  Sem o costume de ver o trabalho sendo feito no dia a dia, Biaggi ficou “impressionado” com o nível técnico apresentado no Mundial, com destaque para uma análise de prós e contras do estilo de jogo de um dos anfitriões: o Barcelona.

  “A qualidade técnica dos atletas é algo absurdo. Todos poderiam jogar em qualquer equipe adulta da LNF. O Barcelona chama muita atenção por manter seu estilo de jogo o tempo todo, mesmo com todos conhecendo. Isso é muito positivo. Por outro lado, os caras não têm muito do um contra um e nem jogo de pivô, o que é algo característico do futsal brasileiro. Eu vi coisas lá que eu não via já faz tempo. Goleiro linha na categoria sub-9 sendo executada com perfeição, por exemplo. Deu gosto de ver”, comentou Henrique.

  Se dentro de quadra o nível foi muito alto, fora dela não deixou a desejar. A estrutura foi tratada como “algo nunca visto no Brasil” e já sobra até uma vontade de voltar no próximo ano.

  “Sobre a estrutura da competição, desde os cadastros até os jogos, é tudo fantástico. Do complexo hoteleiro até o local dos jogos, todas as equipes e suas torcida tinham o translado, além do cumprimento de horários, alimentação, tudo de primeira linha. É algo inimaginável na nossa atual situação do futsal. É o que eu digo: quem tiver a mínima oportunidade de ir, vá. Eu já estou esperando a minha proposta de voltar esse ano”, brincou Biaggi.

A campanha

Biaggi comandou o Tupi Futsal até 2018

  Na primeira fase, a equipe brasileira venceu o Delmigliori Cloud Gunma (JAP) por 5 a 3, empatou com o Alianza (EUA) em 4 a 4 e foi derrotada pelo Barcelona (ESP) por 6 a 1. Com os resultados, o time de Henrique conseguiu vaga na Série Prata.

  A fase semifinal da Série Prata colocou o Pescadola Machida (AUS) no caminho dos brasileiros, que não tiveram dificuldades e venceram por 8 a 0. Com a vaga na decisão, a notícia do adversário: o Santos, vice-campeão paulista. Segundo o treinador, foi o jogo em que os favoritos ficaram para trás.

 “Foi um jogo que todos estavam presentes no ginásio e achavam que o Santos venceria, por ser favorito mesmo, e surpreendemos. Abrimos 2 a 0 logo de cara, mas eles empataram ainda no primeiro tempo. Na etapa final o jogo se tornou muito mais franco, com as duas equipes atacando. Faltando três minutos para acabar, o Luiz Felipe, que é de Juiz de Fora e já tinha marcado um gol, fez outro e decidiu a partida”.

Apalusos

  Na situação que mais marcou a experiência de Henrique na Espanha, a equipe foi derrotada, mas “caiu de pé”. Confira o relato do treinador sobre a partida diante do Barcelona, no último jogo da primeira fase.

  “Estávamos perdendo por 4 a 0 e faltavam 10 minutos para acabar o primeiro tempo. Eu pedi um tempo, juntei meus meninos e falei com eles que não tinha como jogarmos com os caras daquela forma. Tínhamos que achar alguma alternativa. Foi quando eu fui pro goleiro-linha na tentativa de manter a posse e fazer o tempo passar e descansar meus garotos. O jogo ficou um pouco chato, mas eu sabia que se o Barcelona subisse a marcação nós íamos ter espaço. Achamos um gol e terminamos a primeira etapa com 4 a 1 no placar. No segundo tempo tentamos repetir a mesma formação e plano tático, fomos bem, mas eles são muito eficientes em tudo que fazem. Eles acharam dois gols e o jogo terminou 6 a 1, com muita gente aplaudindo nossa atuação”, finalizou.

Texto: Toque de Bola – Pedro Sarmento
Fotos: The United Futsal; Arquivo pessoal

Toque de Bola

Ivan Elias, associado do Panathlon Club de Juiz de Fora, é jornalista, formado em Comunicação Social pela UFJF. Trabalhou por mais de 11 anos no Sistema Solar de Comunicação (Rádio Solar e jornal Tribuna de Minas), em Juiz de Fora. Já foi freelancer da Folha de S. Paulo, atuou como produtor de matérias de TV e em 2007 e 2008 “defendeu” o Tupi, na Bancada Democrática do Alterosa Esporte, da TV Alterosa (SBT-Minas). É filiado à Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) e Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace).

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