Entre contos e crônicas!

  A história sendo escrita. É com essa convicção que o jornalista e escritor Matheus Brum lança, nesta quarta, dia 4, o livro “Entre contos e crônicas: Tupi Fantasma do Mineirão e Sport Campeão do Centenário de JF”.

  O lançamento será realizado na Câmara Municipal de Juiz de Fora, às 19h30. Em entrevista exclusiva ao Toque de Bola, Brum falou de onde surgiu a motivação para produção da obra, bem como bastidores das pesquisas realizadas e o objetivo final após as negociações com a editora. É a história do esporte em Juiz de Fora e no Brasil. Vale a leitura.

Capa do livro de Matheus Brum

  Confira a entrevista, na íntegra.

Como surgiu o interesse pelo tema?

“O livro, na verdade, ele é oriundo do meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) que eu apresentei para pegar o diploma de jornalismo na UFJF em julho de 2017. Desde que eu apresentei esse trabalho, eu já tinha a intenção de publicar em forma de livro, porque, na época, fui muito elogiado pela banca, tendo orientação do professor Márcio Guerra. Não tive tempo de fazer essa divulgação, porque assim que formei tive que arrumar emprego. Em janeiro eu vim para o Espírito Santo, trabalhar na TV Gazeta Sul, afiliada da Rede Globo em Cachoeiro do Itapemirim, e hoje estou na TV Vitória, afiliada da Record. Certo dia, uma editora me seguiu no Instagram e eu fui ver o perfil deles. Acabei enviando o trabalho para análise e eles se interessaram. A partir daí eu procurei saber sobre outras editoras que se interessassem e cheguei à ‘Lisbon International Press’, que é de Portugal, mas tem sede em São Paulo.”

De que forma foi construído e pensado o processo produtivo da obra?

“O livro é um grande processo histórico. Começo a obra contando do início do esporte aqui no Brasil, que data da metade do século 18, por volta de 1750, quando vêm os primeiros esportes, que eram a cavalo. Isso era ainda no período colonial, então era algo muito aristocrático. Já no início do século 19, as primeiras publicações surgem nos jornais locais. Nesse contexto, eu passo pela natação, pelo remo, pelo atletismo, até chegar ao futebol, com o Charles Miller. Há até uma passagem que eu trago no livro que diz que, no Instituto Metodista Granbery, há uma súmula falando de uma partida de futebol antes do Charles Miller. Eu cito essa parte, mas não consigo ter comprovação histórica de que isso aconteceu. A partir daí eu trato do crescimento e desenvolvimento do futebol no Brasil, a popularização do esporte, a questão de o Vasco da Gama aceitar os primeiros jogadores negros e tudo que envolveu a chegada do futebol a Juiz de Fora.”

Tupi 1966 – Da esquerda para direita. Em pé: Geraldo Magela (Técnico), Manoel, Mauro, Valter, Valdir, Murilo, Dario e Ítalo (Preparador Físico). Agachados: João Pires, Toledo, Joel, França e Eurico.

Como você chegou à história do esporte na cidade?

“Essa chegada até Juiz de Fora eu conto através da imprensa. Todo o livro é contado através da imprensa. O professor Márcio Guerra tinha um projeto na Faculdade de Comunicação da UFJF sobre o estudo da história de Juiz de Fora. Com isso, junto com o então bolsista Bruno Guedes, eles pesquisaram jornais antigos de Juiz de Fora, do início do século 20, e tinham pequenos recortes das primeiras divulgações do esporte na imprensa. Me cederam esse material e eu pude contar sobre as manchetes que citam a fundação do Tupi e do Sport. Com isso, começo a contar a história da imprensa esportiva em Juiz de Fora, os primeiros clássicos, a cobertura dos primeiros clássicos, a fundação do Sport, Tupynambás, Tupi, os primeiros campeonatos, os primeiros times e tudo mais. Até que chega no Campeonato Municipal de 1950, e também no Fantasma do Mineirão de 1966. E por que nós paramos em Sport ‘Campeão do Centenário’ e Tupi ‘Fantasma do Mineirão’? Porque quando eu conversei com o Márcio (Guerra) para poder definir meu tema de TCC, falei que queria uma coisa do esporte local e que valorizasse a história, que é uma outra área que eu tenho muita aptidão. Ele me deu a ideia de estudarmos a identidade dos clubes. Todo clube tem uma identidade. O Grêmio é o ‘Imortal’, São Paulo é o ‘Soberano”, Botafogo é o ‘Glorioso’, Flamengo o ‘Mais Querido’ e etc. No esporte de Juiz de Fora, isso também existe. O Tupi é o ‘Fantasma do Mineirão’ e o Sport é o ‘Campeão do centenário’. Mas como que essas identidades nascem? Essa é a pergunta chave. Foi a imprensa? E como isso teve continuidade? Como foi o trabalho feito? Essas são perguntas que eu tento responder.”

Sport 1950 – Da esquerda para direita, agachados: Gino, Marino, Pirilo, Denoni e Liquinho. Em pé: Lauro, Oswaldo, Nenem, Pedro, Mariano e Walter

Qual sua visão acerca do seu objeto de estudo?

“O grande legal de ter feito tudo isso é que você entende que as grandes discussões que haviam naquelas épocas são as mesmas que a gente tem atualmente. Em 1966, discutia-se o porquê não iam torcedores nos estádios. Na época, não havia o Estádio Municipal Radialista Mário Helênio. O Tupi jogava no Salles Oliveira, em Santa Terezinha, e tinha uma média de público próxima de mil torcedores. É a mesma discussão que temos na cidade nos dias atuais. Por que sempre vão os mesmos torcedores? Essa discussão já estava posta 56 anos atrás. Na época, o Geraldo Magela Tavares, que foi o treinador do Tupi, trabalhava de graça. Os jogadores ganhavam 81 mil cruzeiros, que era o salário mínimo da época. Com isso, a gente via muitas reclamações de times de capital receberem mais investimentos do que os do interior. Isso ocorre ainda. O olhar para esses acontecimentos históricos dão a possibilidade de entendermos que os problemas que o esporte em Juiz de Fora passa não são novos. Eles são oriundos de décadas passadas e, infelizmente, a própria imprensa, os torcedores, os dirigentes não olham para esse processo histórico, não veem que há uma continuidade e não estudam a causa desse problema para tentarmos resolver. Esse ciclo continua se repetindo.”

Qual foi o objetivo final da obra?

“Meu grande objetivo, por fim, é dar luz a esse processo histórico e valorizar os ídolos do esporte da cidade. No lançamento da obra teremos jogadores de longa data do Tupi e parentes de atletas do Sport. A ideia é que alguém olhe com mais carinho para o tema e que, caso alguém se interesse e queira continuar os estudos sobre isso, meu objetivo vai ter sido concluído.”

Matheus é repórter da TV Vitória/Record

Links para compra:

https://www.lisboninternationalpress.com/livraria/entre-contos-e-cronicas-tupi-fantasma-do-mineirao-e-sport-campeao-do-centenario-de-jf

https://www.martinsfontespaulista.com.br/entre-contos-e-cronicas-tupi-fantasma-do-mineirao-e-sport-campeao-do-centenario-de-jf-629170.aspx/p

https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/esportes-e-lazer/futebol/entre-contos-e-cronicas-tupi-fantasma-do-mineirao-e-sport-campeao-do-centenario-de-jf-2112181815

https://www.travessa.com.br/entre-contos-e-cronicas-tupi-fantasma-do-mineirao-e-sport-campeao-do-centenario-de-jf/artigo/9f0d2033-04fd-4bf6-a539-e8b8f75c41dc

https://www.saraiva.com.br/entre-contos-e-cronicas-tupi-fantasma-do-mineirao-e-sport-campeao-do-centenario-de-jf-10616618/p

 

Texto: Toque de Bola – Pedro Sarmento
Fotos: Diário Mercantil; Divulgação

Toque de Bola

Ivan Elias, associado do Panathlon Club de Juiz de Fora, é jornalista, formado em Comunicação Social pela UFJF. Trabalhou por mais de 11 anos no Sistema Solar de Comunicação (Rádio Solar e jornal Tribuna de Minas), em Juiz de Fora. Já foi freelancer da Folha de S. Paulo, atuou como produtor de matérias de TV e em 2007 e 2008 “defendeu” o Tupi, na Bancada Democrática do Alterosa Esporte, da TV Alterosa (SBT-Minas). É filiado à Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) e Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace).

Deixe seu comentário