Especial: conheça Max, a joia carijó!

  Após marcar o gol que decretou a classificação do Tupi para a final do Campeonato Mineiro Sub-20 no último sábado, diante do Uberlândia, o meia Max caiu de vez nas graças da torcida Carijó. Um dos destaques da equipe em 2019, ele tem sido decisivo na campanha do alvinegro. Com grandes atuações e gols importantes, o atleta está no melhor momento da carreira, com chance e vontade de ir além.

Onde tudo começou

Max em ação contra o Coimbra, nas quartas do Estadual

  De origem humilde, o jogador do Galinho viu no futebol uma oportunidade de fazer daquilo que mais ama a sua profissão. Natural do bairro Dom Bosco, zona central de Juiz de Fora, Max iniciou sua trajetória no futebol de base juiz-forano no Instituto Dom Orione, projeto social que atende comunidades da região da Cidade Alta, comandado por José Rafael Monteiro, o primeiro treinador do atleta. Ao Toque, Rafa, como é conhecido, falou sobre o início do atleta no futebol.

  “O início da carreira do Max foi igual a dos outros garotos que procuram nosso Instituto. Os irmãos dele já treinavam aqui conosco, o que eu creio que ajudou ele a vir para cá. Em termos de condições, eram as piores possíveis. Foi um momento muito difícil, porque, para se ter ideia, o campo que ele treinou aqui era um terrão batido e não tinha nem as traves. Era uma época muito difícil do Instituto”, confessou.

  A situação fez com que Rafael procurasse oportunidades para seus alunos em outras escolinhas e clubes da cidade. Na opinião do treinador, a chance de atuar em equipes mais estruturadas e a boa situação econômica do País à época foram fundamentais para o desenvolvimento da geração de Max.

  “Nesse cenário, a Federação Mineira de Futsal era quase toda composta por equipes do Sesi. Tinha Sesi de tudo quanto é cidade de Minas Gerais e não foi diferente aqui em Juiz de Fora. O Ivan Gal me ligou e perguntou se tinha alguém para acrescentar à equipe dele. Com a disputa do Campeonato Mineiro, aumentou o interesse de todos e o Max foi o atleta que estourou dentro do futsal do Sesi. Até hoje as pessoas ligam querendo saber dele, porque, realmente, foi e é um salonista fantástico”.

“Menino sorriso”

Max atuou pelo São Bernardo Futsal entre 2013 e 2018

  Experiente e já acostumado a lapidar craques, o técnico do Sesi em 2012, Ivan Gal, reconheceu o talento do garoto logo de cara e não hesitou em tentar contar com ele nas competições estaduais que disputava. Ao Toque, o treinador revelou a admiração pelo atleta e um apelido carinhoso que ele recebeu quando criança.

  “Conheci o Max em 2012, quando ele tinha 11 anos. O Sesi JF, na ocasião, disputaria o Campeonato Mineiro de Futsal na categoria sub-11. Nessa idade ele já se destacava perante aos outros meninos. Sempre foi muito tímido, falava pouco, mas de um coração e um sorriso contagiante. Além da qualidade técnica muito acima do normal, ele tem um relacionamento de amizade e cumplicidade com todos do grupo. Na época os pais o chamavam de menino sorriso”, contou Gal.

Decisão? Chama o Max!

  Após sair do Sesi, aos 13 anos, Max reforçou a tradicional equipe do São Bernardo Futsal. Desde que vestiu a camisa alvinegra, ele comandou os companheiros dentro de quadra e foi finalista de todas as competições que disputou. Para Renatinho, treinador do jogador desde então, a identificação do atleta com a instituição e seu poder de decisão sempre chamaram muita atenção de todos.

  “Ele sempre se destacou no cenário de Juiz de Fora, tanto nos campos, quanto nas quadras. Depois que ele veio, está até hoje com a gente e é muito participativo. Ele tem várias situações marcantes no São Bernardo, mas sempre envolvidas com o poder de decisão que ele sempre demonstrou na carreira. Sempre chamou a responsabilidade na hora do aperto e, também por isso, é um garoto diferenciado demais. Tanto como pessoa, quanto como atleta. A história dele segue e tenho certeza que para um caminho muito iluminado”.

Análise da jóia

Max passou pelo Atlético-MG em 2015

  Nos gramados, Max começou a desenvolver suas habilidades aos 12 anos, quando foi treinar no projeto Futebol UFJF, vinculado à Faculdade de Educação Física e Desportos (Faefid) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Desde então, além do Tupi, ele acumula passagens pelas categorias de base do América-MG, Atlético-MG, Bahia, Fluminense e A.M.D.H, de Betim.

  Ao Toque, o coordenador geral do Futebol UFJF, Marcelo Matta, deu detalhes sobre o trabalho feito com o garoto no projeto. “Para avaliar um atleta como ele, temos que ir por dimensões. Na dimensão física, ele precisava ser melhor trabalhado para ser de alto nível, e nós andamos fazendo com ele alguns exercícios específicos para melhorar essa parte. Ele precisava de mais velocidade em relação aos demais e precisava ganhar massa. Na dimensão antropométrica, que envolve peso, estatura e tudo mais, ele era um atleta dentro da normalidade para o indicado no futebol, mas era muito magrinho, porque vivia em situação financeira difícil”, lembra.

  Dentro das quatro linhas, Matta revela admiração pelo talento do meia e aponta pontos positivos do atleta que podem ajudá-lo a ter um grande futuro no futebol. “Na dimensão tática ele é muito inteligente. Tecnicamente, um garoto extremamente habilidoso: chuta com as duas pernas, tem ótimo domínio, olha o jogo como poucos e participa de momentos ofensivos e defensivos com extrema percepção. Enfim, é um jogador muito diferente. Na dimensão psicológica, eu acho que ele tem muita vantagem também. É um garoto que concentra nos treinos, concentra no jogo, tem motivação e consegue controlar a ansiedade pré-competição, o que é muito bacana”, considera.

O “gol completo”

  Desde que chegou ao Galinho, no início de 2018, o atleta vem demonstrando grande evolução e tem feito a diferença, principalmente em jogos decisivos. Maestro alvinegro na campanha do vice-campeonato da Copa Alterosa no ano passado, ele ganhou concorrência em 2019, com a chegada de meias como Thales, Pedro Henrique e Gabriel Tchó Tchó.

Max, com a camisa do Futebol/UFJF, ao lado de Léo Santana, atleta do El Pozo

  Persistente, Max trabalhou para recuperar a posição entre os titulares dentro do Estadual da categoria e é um dos destaques na competição até aqui. Em entrevista ao Toque de Bola, o treinador do Tupi, Wesley Assis, analisou a evolução do meia desde que chegou ao clube.

  “Ele sempre foi um atleta diferenciado tecnicamente, mas tinha alguns vícios de jogo e faltava um pouco de intensidade sem a bola. Desde que ele chegou para nós, em 2018, pode-se notar a evolução como jogador. Nesse último gol dele nós pudemos ver muito bem essa evolução, porque foi uma situação onde ele participou do momento de transição defensiva, com a perda da bola e recuperação, e participou também do momento ofensivo, com uma demonstração de toda a qualidade técnica que ele tem”, ressalta Wesley.

“Muito mais que um super jogador”

   Atual comandante de Max do Galinho, o técnico Wesley Assis não poupou elogios ao meia, principalmente fora de campo. Em entrevista ao Toque de Bola, ele falou sobre a personalidade do garoto no dia a dia e também nas partidas.

  “O Max, primeiramente, muitos vêm ele como um super jogador, mas ele é muito mais do que isso. É um ótimo jogador, mas, principalmente, um ótimo ser humano. Um garoto com  humildade, força de vontade, dedicação impressionantes. Por todo lugar que eu for, é uma pessoa que eu vou fazer questão de ajudá-lo”, confessou.

Após perder a titularidade no início de 2019, o meia trabalhou dobrado para recuperar a posição

  Conhecedor das barreiras que o atleta sempre enfrentou na vida pessoal, Wesley valorizou ainda mais os resultados que Max vem obtendo nos últimos anos e falou em “merecimento” e “privilégio” na relação dele com o garoto.

  “A situação dele não é fácil, mas ele vem tendo muita persistência e muita dedicação para vencer as dificuldades. Fico muito feliz porque é um privilégio trabalhar com um garoto igual ele. Ele merece e torço para que conquiste mais. Todo o reconhecimento que ele vem tendo dentro da cidade é fruto do trabalho dele e do talento que Deus deu pra ele”, finalizou.

 Que venha a final!

  Max e companhia aguardam o vencedor do outro duelo semifinal, disputado entre Atlético e Cruzeiro pelo Mineiro sub-20. Na primeira partida, fora de casa, o Alvinegro de Belo Horizonte venceu o rival por 1 a 0 e pode até perder por um gol de diferença neste sábado, dia 21, às 15h, que avança à decisão com o Tupi.

   O Cruzeiro só se classifica para pegar o Galinho na finalíssima se vencer os atleticanos por dois ou mais gols de diferença. Caso o Atlético seja o oponente do Carijó, o time de Belo Horizonte joga por dois resultados iguais na decisão e indica se quer atuar no primeiro ou no segundo jogo em casa. Caso a Raposa avance, estas vantagens passam a ser do Tupi. As datas das finais ainda não foram divulgadas pela Federação Mineira de Futebol (FMF).

Texto: Toque de Bola – Pedro Sarmento,  sob supervisão de Ivan Elias – Editor – Toque de  Bola

Fotos: Divulgação/Tupi FC; Arquivo pessoal/Renatinho; Facebook/Futebol UFJF

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