Patrik e o desafio extremo

Patrik completou a prova em 42 horas e 24 minutos

  Já programou o seu fim de semana? Sabe o que vai fazer entre a noite de sexta e o fim da tarde de domingo? E se alguém dissesse que vai passar 42h correndo, qual seria sua reação?

  Foi o que fez o ultramaratonista juiz-forano Patrik Gomes Jardim, de 35 anos. O atleta conquistou o quarto lugar nos 235km da Ultra Maratona Internacional dos Anjos (UAI), em Itanhandu (MG), em 10, 11 e 12 de julho.

  Em entrevista ao Toque de Bola, Patrik admitiu que o desempenho foi melhor do que o esperado. Ainda assim, o objetivo era ter completado o percurso abaixo do tempo realizado.

  “A minha expectativa para a prova era tentar terminar entre os 10 primeiros colocados, só que a prova teve algumas alterações. Graças a Deus ocorreu tudo bem e eu consegui terminar a prova em quinto lugar, que foi um resultado melhor do que eu esperava. Queria ter feito a prova em menos de 42h, mas infelizmente não foi possível. Eu confesso que subestimei a prova, achando que seria um pouco mais fácil, mas o grau de dificuldade foi muito alto”, analisou.

O início

  A ideia de participar da UAI surgiu em dezembro de 2018, quando Patrik enviou seu currículo para a organização da prova e foi aprovado. Após conversar com o treinador Gilberto Roque, o atleta decidiu que disputaria a ultramaratona, mesmo sabendo o que enfrentaria.

Ultramaratonista registrou o momento da largada

  “Eu quis me testar nessa prova, realmente saber o quanto eu era capaz de completá-la. É uma prova ‘survivor’ (sobrevivente), que é a categoria que eu participo. Nos 235km eu teria que levar todo o material que eu fosse consumir: comida, água, protetor solar, roupa para frio, roupa para muda. No meio do caminho a organização dava suporte em alguns pontos”, comentou.

A prova

  Ultramaratona é qualquer prova que ultrapasse a distância de uma maratona, que corresponde a 42,195 km. Atualmente, há duas frentes na modalidade: as provas de distância, nas quais os competidores percorrem uma quilometragem pré-determinada, e as provas de tempo, nas quais vence quem percorrer a maior distância em certo período.

  A “Rainha das Ultras”, como é conhecida a UAI, foi marcada por extremos. As variações de temperatura e luminosidade exigiam cada vez mais dos participantes. Ao Toque, Patrik analisou cada dia da competição.

  “No primeiro dia, muito frio. A madrugada de sexta para sábado chegou a registrar sensação térmica de 4°C e você correndo totalmente no breu. Durante o segundo dia, um sol fora do normal, um calor muito forte, o que prejudicou o desempenho, porque nós passamos a madrugada no frio e sem dormir. A segunda noite foi menos fria, e meu corpo já estava no embalo da prova. Foi a minha primeira vez em provas acima de 200km, eu nunca tinha feito nada parecido”.

Vai encarar?

Patrik percorreu mais de 200km pela primeira vez na carreira

  A exigência física e psicológica muda até mesmo a cabeça dos competidores. Questionado sobre como manter o foco durante a prova, Patrik confessou algo comum entre os ultramaratonistas.

  “Uma coisa engraçada é que durante a prova você sempre se pergunta o que está fazendo ali e jura que nunca mais volta a correr uma distância tão longa, mas assim que acaba a prova o corredor já está procurando um novo desafio e, às vezes, até pior do que o que ele acabou de fazer”.

Força familiar

  Atualmente morando em Resende (RJ) por ser Sargento do Exército Brasileiro, o atleta teve que adequar os treinos à rotina profissional e familiar. Dois anos atrás, no mesmo período que participou de sua primeira maratona na carreira, nasceu o filho Thales, fonte de inspiração para cada treinamento de Patrik.

  “Minha primeira maratona foi em agosto de 2017, aqui na região de Resende, que foi a Maratona “A Muralha Up and Down”. Dali para frente eu comecei a apanhar gosto por competições, até porque meu filho tinha acabado de nascer e eu queria dar exemplo pra ele. Desde pequeno ele vendo o pai dele competindo, ganhando medalha, se possível um troféu, para incentivá-lo no caminho do esporte”.

Mesmo com os treinos, ele não deixa faltar atenção em casa

  A presença em casa durante o período de criação do filho foi e é fator de preocupação. Com a intenção de não perder nenhum momento de Thales e cumprir todos os compromissos no batalhão, ele adequou os treinos ao período da madrugada.

  “Eu acordava por volta de 4h30 e treinava até as 6h30. Era o horário que eu tinha porque trabalhava às 7h20. Com isso, eu acostumei a correr de madrugada e não abdiquei do tempo com a minha família, que pra mim é muito importante. Não vale de nada eu ganhar uma prova dessa e não ter aproveitado meu filho e minha esposa”, finalizou.

Texto: Toque de Bola – Pedro Sarmento

Fotos: Arquivo pessoal/Patrik Gomes

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