Para sempre, Toledinho!

Toledo foi imortalizado em bandeira pela torcida

  O maior ídolo do Tupi em todos os tempos e ícone histórico do esporte de Juiz de Fora se foi nesta terça, dia 13. O coração carijó de Moacyr Toledo, o Toledinho, deixou de bater aos 87 anos, por conta de uma insuficiência respiratória, na Santa Casa de Misericórdia, onde estava internado desde o último sábado, dia 10. 

  Toledinho era viúvo e deixa três filhos, sete netos e um bisneto. O corpo será velado a partir das 18h, no Palácio Barbosa Lima, sede da Câmara Municipal de Juiz de Fora, e o sepultamento está previsto para às 10h desta quarta, dia 14, no Cemitério Municipal.  

De placa

  Em uma das mais marcantes homenagens a Toledinho ainda em vida, realizada após a tradicional Pelada do 30, no dia 1º de dezembro de 2018, o ídolo alvinegro, sempre humilde e de poucas palavras, definiu com maestria como se sentia sobre sua vida no futebol. “O que eu tinha que falar, eu joguei”, emplacou o craque.

  Na ocasião, recebeu uma camisa autografada de ninguém menos que Pelé. Como gostava de brincar Moacyr Toledo, um dia o Rei já marcou o craque carijó. E a cena, de amistoso entre Tupi e Seleção Brasileira, realizado em Caxambu em 1966, está imortalizada em foto exposta no hall de entrada do Estádio Municipal Radialista Mário Helênio.  

Saudade

  Carijós e militantes do esporte local lamentam a morte de um dos ícones desportivos da cidade. Além da perda de um amigo que vai deixar saudade. “Nosso maior carijó da história se foi. Triste mesmo. Pegou todo mundo de surpresa. Mas Deus sabe o que faz. Deve estar lá formando a linha de ataque com João Pires, Vicente e Eurico. Com o Toletinho, é a linha de frente do Fantasma do Mineirão”, destacou o professor Léo Lima, torcedor e pesquisador da história do Tupi, citando o mais icônico dos times do clube local.  

Tupi se manifestou pelo Instagram oficial do clube

  Por volta das 14h30 desta quinta, o Tupi se manifestou oficialmente através de sua conta no Instagram, destacando os feitos do craque pelo clube (veja reprodução ao lado). Na postagem, a foto em destaque é da Misto Quente Comunicação/Toque de Bola, registrada em gravação do programa Pautando o Esporte. Esta é uma das últimas entrevistas concedidas por Toledinho e foi ao ar em agosto de 2018. A postagem termina com: “Obrigado por tudo que fez por nós, Mestre Moacir Toledo. Descanse em paz!”

Companheiro  

  O secretário de Esporte e Lazer, Júlio Gasparette, também lamentou a perda de Toledinho. “Tenho orgulho muito grande de ter visto Toledo como um dos melhores craque do futebol de Juiz de Fora. Cheguei a jogar contra ele e, quando fui para o Tupi, em 1970, me ensinou muito. O futebol de Juiz de Fora perde uma lenda. Como secretário, tive a alegria de trabalhar com ele no Estádio Municipal era amigo e um companheiro para tudo. Vai deixar muita saudade no esporte de nossa cidade”, disse.

  Companheiro do dia a dia de Toledo na administração do Estádio Mário Helênio, o professor Tadeu Henriques também conviveu com o craque em outros gramados. “Foi grande satisfação ter convivido com ele durante 45 anos, no trabalho e dentro do futebol. Uma pessoa que me ensinou muita coisa. Tinha disposição para tudo com seus 87 anos. Agora, descansa em paz junto a Nosso Senhor Jesus Cristo.”

Números do craque

Com Ivan Elias (esq) e Wallace Mattos (dir) na gravação do programa Pautando o Esporte, da JFTV Câmara

  Os número levantados nas pesquisas de Léo Lima apontam que Toledinho detém todos os recordes do Tupi: tempo de permanência, número de partidas, gols e títulos. Em um total de 21 anos com a camisa carijó (de 1951 a 1969 e de 1975 a 1976), entrou em campo em 565 jogos, balançou as redes 201 vezes e conquistou 31 taças. Além disso, foi administrador do Estádio Salles Oliveira, supervisor, auxiliar-técnico, treinador de base e do time profissional do Carijó.

  Toledinho ficou marcado por integrar a icônica formação do time que ficou conhecido como Fantasma do Mineirão, que tinha Waldir (Hélio), Manoel, Murilo (Sabino), Dário e Walter (Ely Flores); Mauro (Paulino), França (Jorge Guimarães), João Pires, Toledo, Vicente (Amarildo) e Eurico (Joel). Essa equipe bateu o Cruzeiro, de Raul, Dirceu Lopes, Piazza e Tostão, por 3 a 2 em Juiz de Fora e por 2 a 1 em Belo Horizonte. Repetindo o placar de 2 a 1 para cima do Atlético de Paulo Amaral, e do América de Yustrick.

‘Cadê aquele russinho?’

Toledinho recebeu a icônica foto das mãos do Rei

  A façanha no recém inaugurado Mineirão gerou o apelido, e o convite para jogar contra a Seleção Brasileira, em Caxambu. O jogo-treino terminou 1 a 1, e a foto icônica com Pelé. Como o próprio Toledo sempre contou, o Rei chegou ao hotel com a fotografia nas mãos dizendo: “cadê aquele russinho que deu um trabalho danado”, e o presenteou com o registro que entrou para a história do jogador, do clube e do esporte de Juiz de Fora. 

  “É a nossa grande referência. O que ele fez pelo Tupi só enche o torcedor de orgulho. Se dedicou, só jogou no Tupi, só quis jogar no Tupi. Teve oportunidade de sair, mas não quis. Tudo que se falar do clube, ele está na lista de cima. Não tem como desassociar Toledo do Tupi, e nem Tupi do Toledo. Sobretudo um torcedor. Ficava feliz, se abatia, se emocionava com o Carijó. É triste esse momento, mas ao mesmo tempo ficamos felizes e orgulhosos pelo que ele fez pelo futebol de Juiz de Fora. É uma referência para a cidade que também honrou como ninguém”, define Léo Lima. 

Texto: Toque de Bola – Wallace Mattos

Fotos: Misto Quente Comunicação/Toque de Bola; Reprodução Pautando o Esporte; e reprodução Facebook Léo Lima

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