O bronze amargo de Thiagus

A Seleção de Handebol no pódio dos Jogos Pan-Americanos

  Se o juiz-forano da Seleção Brasileira de Vôlei, Felipe Roque, comemorou o bronze nos Jogos Pan-Americanos de Lima, o outro atleta local a compor uma equipe nacional de esporte coletivo, Thiagus Petrus, do handebol, terminou a competição com um gosto amargo apesar da conquista da conquista da mesma medalha.

  A simples subida ao pódio do Pan de 2019 – com vitória sobre o México, por 32 a 20 – não era o que os brasileiros tinham em mente no torneio de handebol, e o capitão do Brasil sabe que o time ficou devendo. “Foi abaixo da expectativa. Esperávamos como mínimo chegar na final e jogar a classificação para a Olimpíada”, disse Thiagus em entrevista exclusiva ao Toque de Bola pouco antes de falar ao Panathlon Club Juiz de Fora, no último dia 14.

Sem entender

  O armador central juiz-forano foi direto e se disse frustrado. “Na primeira fase, não tivemos problema nenhum. Mas, na semifinal, não conseguimos encaixar um bom jogo contra o Chile. Dai a gente saiu com a derrota que foi bastante frustrante”, lamentou.

Thiagus na marcação, na partida contra o México no Pan

  O capitão brasileiro disse simplesmente não compreender como a Seleção de Handebol foi derrotada por 32 a  29 pelos chilenos. “Tivemos toda preparação, treinamos desde junho. Fizemos tudo possível. Já assisti o jogo de novo, repeti. Simplesmente não consigo entender ainda o que aconteceu. Para a gente voltar a perder do Chile vai demorar. Vai acontecer em dez anos, dez jogos ou mais. Foi um dia que as coisas não funcionaram, e a gente não jogou mal. Ficamos no jogo durante todo o tempo, só no último minuto que abriu mesmo. E foi uma catástrofe.”

Crise estrutural

  Apesar de não associar diretamente a derrota no Pan com a atual crise institucional, Thiagus sabe que a situação atual da Confederação contribui para derrotas como essa. “No handebol, viemos mantendo uma regularidade boa nos Pans. O feminino é bem superior às outras equipes. No masculino é mais igualado. Mas a questão da modalidade é bem preocupante. A Confederação mudou de presidente faz um ano, porque o anterior foi afastado pela Justiça. E atualmente estamos pior do que há dez anos atrás”, avaliou Petrus, citando o afastamento de Manuel Oliveira e a atual gestão de Ricardo Souza.

Petrus é o primeiro brasileiro a jogar no Barcelona

  Mas, da crise, Thiagus espera que surjam novos ares. “É uma situação delicada. Estamos tentando movimentar as coisas, organizar. Mas o cenário atual é de tristeza. Em contrapartida, isso serviu para unir alguns atletas, fazermos uma associação e, quem sabe, principalmente quem atua na Europa, ajudar o pessoal aqui do Brasil e retribuir um pouco do que o esporte fez por nós. É muito difícil criar uma outra entidade, como o basquete fez, pois não temos a visibilidade e conseguimos vender como eles. Mas podemos contribuir dentro da Confederação, com projetos, ideias e projetos. Fazer o handebol se tornar um produto possa vender e melhorar para os clubes do Brasil.”

Ainda tem chance

  Mesmo nesse cenário, o Brasil ainda tem chance de ir aos Jogos de Tóquio em 2020. “Mas, com tudo isso, ainda temos uma chance de ir à Olimpíada. Devido ao nosso resultado no Mundial. O nosso ciclo olímpico foi bom, só esse último resultado que foi abaixo da expectativa. O resto todo foi bem acima do que esperávamos. Infelizmente, era o mais importante para a gente”, lamentou Petrus.

O juiz-forano espera vaga no Pré-olímpico Mundial

  “Na Seleção, nossa meta é treinar bastante. Primeiro a gente tem que torcer para que o Egito ganhe a Copa da África, e algumas das seleções que ficaram na nossa frente no Mundial ganhem o Europeu. Daí a gente pode disputar o Pré-Olímpico Mundial. Temos também uma competição em janeiro, classificatória para o Mundial de 2022. Essas são nossas metas de curto e médio prazo” , explicou o capitão brasileiro.   

No clube

  Feliz na Espanha, em um dos maiores clubes do mundo, Thiagus tem portas abertas, mas quer ficar onde está. “A nível de clube, pretendo continuar no Barcelona. Vamos ver se a gente pode fazer uma negociação, para conseguir ficar os próximos anos. Se não, já tenho algumas ofertas. Mas antes quero esperar e conversar com meu clube, pois estou à vontade lá. Não tenho vontade e porque sair de lá. É algo que ser resolverá nesses primeiros seis meses de temporada”, acredita.

Na temporada 2018/2019, Barça conquistou a Copa do Rei

  Fazer parte de uma instituição tão simbólica deixa o juiz-forano orgulhoso. “Uma coisa é você jogar handebol em clubes famosos dentro da modalidade. Outra é jogar no Bracelona, que é toda uma entidade. O slogan que eles têm lá que é ‘mais que um clube’ é uma coisa que o pessoal sente. No começo, não entendia tanto. Mas aos poucos você vai entrando na rotina do clube, entendendo o que significa. Começa a ter bastante orgulho de ser um pedaço desse todo”, define Thiagus.

Texto: Toque de Bola – Wallace Mattos

Fotos: Facebook Thiagus Petrus; Facebook Rudolph Hackbarth; e Flávio Florido/News Service Lima 2019

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