“O Brasil no Pan” – Jeferson Vianna

 O Brasil nos Jogos Pan-Americanos de 2019  

Por Jeferson Vianna*

“Acredito que devemos avaliar a participação nos Jogos Pan-Americanos de Lima de duas maneiras, a primeira de forma quantitativa, apresentando os números friamente da forma que foram obtidas, e a segunda de forma qualitativa, ou seja, quais resultados foram realmente significativos em relação aos JO de Tóquio, desempenho  e marcas pessoais.

   Quantidade

  Em relação aos critérios quantitativos, o Brasil garantiu sua melhor campanha na história do evento. Com 55 ouros e 171 medalhas, superou o desempenho da edição de 2007, quando o Rio de Janeiro sediou a competição (foram 52 ouros e 157 no total). O Brasil voltou a terminar os Jogos na segunda posição da classificação geral, algo que não acontecia desde 1963, quando São Paulo recebeu o Pan.

   Detalhe na comparação

  Há quatro anos, em Toronto, foram 42 ouros e 141 medalhas brasileiras no total. Uma comparação absoluta entre edições é limitada porque o número de medalhas em disputa varia de uma para outra. Lima-2019, por exemplo, tem mais provas do que Toronto-2015 e Rio-2007.

     Observando por algumas modalidades, na ginástica, puxado pelo bom desempenho dos homens, o Brasil saltou de cinco medalhas para 11, quatro delas de ouro. Já no atletismo, além do aumento geral de 13 para 16, o principal diferencial foi o crescimento no número de ouros: de dois para seis. Também podemos destacar o recorde de medalhas no taekwondo no Pan-2019, com sete pódios.

   A mais eficiente em 16 anos  

 De qualquer maneira temos como positivo o fato do Brasil ter levado sua menor delegação das últimas quatro edições e conseguir fechar na segunda posição no quadro de medalhas, e, com menos dependência dos esportes coletivos. Podemos afirmar que foi a participação mais eficiente dos últimos 16 anos.

 Dados estatísticos do COB mostram que o Brasil conquistou 8,8 atletas por medalha de ouro e 2,8 atletas por podium. São os melhores resultados da história recente.

  Vagas para Tóquio 

Medalhas brasileiras no Pan – por modalidade. Clique sobre a imagem para ampliar

  Em relação aos critérios qualitativos, o objetivo principal em Lima era garantir vagas em Tóquio-2020, algo alcançado até agora pelo handebol feminino, Hugo Calderano  no tênis de mesa, João Menezes no tênis, Maira Iêda Guimarães no pentatlo moderno, além das três por equipes que estavam em jogo no hipismo e uma na vela, com Marco Grael e Gabriel Borges. Já entre as surpresas positivas do evento estão as quatro medalhas no triatlo, duas delas de ouro.

     Outra meta, a de que algumas modalidades consideradas chave evoluíssem na comparação com os Jogos anteriores, foi cumprida por ginástica artística e atletismo, entre outras. Por outro lado os medalhistas brasileiros alguns favoritos  não cumpriram as expectativas de ouro, caso do ginasta Arthur Zanetti, prata nas argolas após errar um movimento na sua apresentação, a seleção masculina de handebol, derrotada nas semifinais pelo Chile, e a dupla da canoagem Isaquias Queiroz e Erlon Souza (passou mal). Também no atletismo alguns nomes cotados ao pódio falharam, como o campeão olímpico Thiago Braz (salto com vara) e Almir Júnior (salto triplo). ​

  Natação e atletismo 

  A natação foi a modalidade com o maior número de medalhas, por outro lado os tempos conquistados estão longe de uma meta olímpica, com raras exceções. O óbvio que temos que levar em consideração condições climáticas, a qualidade das instalações, o momento da preparação… Já no atletismo algumas marcas obtidas nos dão uma certa confiança em bons resultado no futuro, mostrando uma certa recuperação da modalidade em relação a anos anteriores.

  O Judô, sempre um esporte com grandes chances de medalha olímpica, não levou sua equipe principal (somente alguns poucos atletas que se prontificaram a ir), assim como em outras modalidades, principalmente nos esportes coletivos.

   Cenário

  Temos que levar em consideração nossos adversários, os EUA levaram praticamente atletas secundários, assim como o Canadá, que resolveu não levar seus atletas principais. Cuba vem no momento de reformulação das suas equipes e metas. Enfim, numa análise fria, Jogos Pan-Americanos não servem de termômetro quando se pensa em olimpíadas. Mas, observa-se que algumas modalidades tiveram grandes avanços na sua organização e planejamento.

  Satisfação e projeção

  Fico feliz de observar que a maioria da modalidades que tiveram seus cursos realizados através do Instituto Olímpico Brasileiro, e que a maioria dos seus alunos são hoje os treinadores  desses atletas obtiveram ganhos expressivos (atletismo, ciclismo, natação, ginástica artística, taekwondo, Judô, lutas associadas, remo, entre outras). Acredito que com um excelente planejamento, mesmo com poucos recursos, poderemos fazer uma excelente olimpíada em Tóquio.”

 

Jeferson Vianna*

Diretor da Faculdade de Educação Física da Faefid – UFJF e integrante da Academia Brasileira de Treinadores criada pelo Comitê Olímpico Brasileiro

 

 

 

 

 

 

 

 

Toque de Bola

Ivan Elias, associado do Panathlon Club de Juiz de Fora, é jornalista, formado em Comunicação Social pela UFJF. Trabalhou por mais de 11 anos no Sistema Solar de Comunicação (Rádio Solar e jornal Tribuna de Minas), em Juiz de Fora. Já foi freelancer da Folha de S. Paulo, atuou como produtor de matérias de TV e em 2007 e 2008 “defendeu” o Tupi, na Bancada Democrática do Alterosa Esporte, da TV Alterosa (SBT-Minas). É filiado à Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) e Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace).

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