Fajardo: em busca da taça!

No primeiro jogo da final, empate em 2 a 2 em Brusque

  Depois de levar o Manaus ao título do Campeonato Amazonense, conseguir uma das maiores sequências invictas de temporada com 21 jogos sem derrota e garantir o acesso com a equipe do Amazonas, o técnico Welington Fajardo está a 90 minutos de conquistar o título mais importante de sua carreira.

  Neste domingo, dia 18, o treinador radicado em Juiz de Fora e ex-técnico do Tupi disputa com sua equipe a segunda partida da final da Série D do Campeonato Brasileiro, às 16h, na Arena da Amazônia, contra o Brusque. Após o empate em 2 a 2 na partida de ida, no dia 11 de agosto, no Augusto Bauer, na cidade do interior de Santa Catarina, quem vencer fica com o caneco da Quarta Divisão. Um empate leva a decisão do título para os pênaltis.

  Pouco antes de encerrar a preparação para a partida decisiva, Fajardo falou com exclusividade com o Toque de Bola. Feliz, o técnico que assumiu o Manaus no fim de fevereiro, falou sobre a expectativa para coroar a temporada com a conquista da Série D; do momento na carreira; dos preparativos e desfalques para o jogo decisivo contra o Brusque; e a festa prevista para as arquibancadas da Arena da Amazônia, que deve estar lotada no domingo.

Toque – Como está a expectativa sua, pessoal, e do grupo para a segunda partida da decisão da Série D?

Fajardo – Expectativa é boa. Fizemos uma boa partida contra o Brusque lá, mas isso não garante nada. Buscamos fazer um bom dia a dia para, no domingo, concretizar esse segundo objetivo que é o título. Já que o acesso tão esperado veio, queremos coroar com a conquista. 

– Até aqui, este é o momento mais importante de sua carreira? Como avalia esta etapa?

Fajardo conversa com o goleiro Jonathan

– Este é um momento importantíssimo. Foi um desafio para mim. Não conhecia o futebol, como ele era jogado por aqui. Clima diferente, comida diferente. Realmente, em relação ao que trabalhava no Sudeste, apesar de ter feito bons trabalhos, dificilmente no interior teríamos condições de ser campeões estaduais. Tenho boas passagens, consegui ganhar o segundo título mais importante de Minas Gerais, a Taça Minas, com o Tupi (em 2008). Ajudei a tirar muitos times do rebaixamento. Era o máximo que conseguíamos fazer com times do interior. Aqui não. Brigamos pelo título. Pude ser campeão amazonense, e agora brigar para ser campeão brasileiro. Sinal de que o trabalho foi bem feito. Me deixa bastante satisfeito. Agora, a gente espera coroar com o título. Estou tranquilo, até pela experiência como atleta e treinador. Tudo tem sua hora de acontecer. A gente vai amadurecendo, vivendo experiências e colocando em prática. Vou ficar muito feliz se conseguirmos. Ser campeão brasileiro não é fácil, ainda mais da Série D, com 68 times, a maior quantidade de equipes disputando uma divisão nacional no Brasil.

– O trabalho da semana, como foi? Em cima de segurar a ansiedade ou corrigindo os erros apresentados no primeiro confronto com o Brusque?

– Enfrentamos uma equipe muito boa. Tinham 100% de aproveitamento em casa. Nós estudamos bastante, conseguimos neutralizar seus pontos fortes. Fizemos uma grande partida. Buscaremos manter. A ansiedade, no esporte de alto rendimento, tem mesmo influência. O que temos que fazer é com que ela, controlada, seja benéfica. Já que não existe nenhum jogador que vá para campo sem estar ansioso. O que não pode é passar do ponto. Temos trabalhado isso, mostrando para o atleta tudo que vem acontecendo e deixando-os mais tranquilos, a partir do momento que temos o treino bem feito, o controle do time adversário. Passando isso no dia a dia, a ansiedade vai baixando, pois sabemos que estamos trabalhando de uma forma positiva e correta.   

– O Manaus teve força para reagir, depois de estar perdendo por 2 a 0, mesmo fora de casa. Isso traz uma certa tranquilidade, de se ter um time forte mentalmente, para o jogo de volta?

Welington e a comissão técnica do Manaus

– O time é muito forte mentalmente mesmo. Já passou por diversas situações aqui, antes mesmo da minha chegada. Foram muito criticados. Mas sempre ficaram focados no que era importante que são os movimentos do jogo. Tem essa vantagem do mesmo grupo ter sido campeão amazonense, vivendo situações de dificuldade. Tendo força física, técnica e mental. Ficou 21 partidas invictas, isso requer muito foco. Tivemos também o acesso. É um grupo que cresceu durante a temporada. Esperamos que eles estejam no ápice, inclusive desse crescimento mental, nesse último jogo da final.

– Os desfalques de Rossini e Hamilton no jogo decisivo preocupam? Como trabalhar suas reposições em um jogo tão importante?

– São dois jogadores que desequilibram. Jogaram sob meu comando 32 partidas, a maioria os dois em campo ou pelo menos um dos dois. Será a primeira vez que ficamos sem ambos. Esperamos que quem entre para substituí-los esteja em um bom dia, já que o grupo é muito qualificado. Muito técnico. O que fiz desde minha chegada foi mostrar muita coisa de parte tática. Pare entenderem o jogo, o momento da partida. De acelerar, diminuir. Em termos de qualidade, estamos bem. É, no domingo, os atletas que substituirão os ausentes estarem à altura.

– Por conta do regulamento, qualquer empate leva a decisão para os pênaltis. Como trabalhou isso nos últimos dias?

– Treinamos pênaltis, já tivemos uma experiência contra o São Raimundo, de ter decidido desta maneira. Conseguimos passar. O roteiro, se terminar nas penalidades, é escolher os melhores batedores, já que todo o grupo treina. Simulamos da forma que é: jogadores no meio do campo, a caminha até a marca. E vamos observando e selecionando os melhores para, caso isso aconteça, estarmos prontos para decidir.

– Com relação ao público, que tem lotado a Arena da Amazônia e já comprou mais de 30 mil ingressos, o que espera?

Torcida do Manaus tem lotado a Arena da Amazônia

– Só quem está aqui para entender o que está acontecendo. O estado do Amazonas é muito discriminado em termos de futebol. Não tinha há muito tempo algum representante. É uma estado tão grande, tão importante da União. A gente vê que faltava mesmo essa chama, que estava quase apagando, fazendo que o torcedor voltasse aos estádios. Isso já ocorreu contra o Caxias, contra a Jacuipense e, provavelmente vamos ter por volta de 50 mil pessoas nessa final. O Manaus era conhecido apenas no Amazonas, para dizer a verdade, na capital. Agora é conhecido a nível nacional. Espero que aproveitem o momento para se organizarem, porque os elogios quando vêm são bons, mas as críticas vêm na altura deles também. Temos que estar tranquilos, com o pé no chão. Para toda essa euforia se transformar em coisas benéficas para o clube. Isso é muito importante.  

Texto: Toque de Bola – Wallace Mattos

Fotos: Divulgação/Manaus FC; e Facebook Manaus FC

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