Além do campo e bola!

Demanda de ingressos e TV aberta serão discutidas na Faefid

  Quem gosta de discutir o esporte mais popular do Brasil muito além do campo e bola não pode deixar de atender ao convite do Projeto de Futebol da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) para a palestra “A economia do futebol brasileiro”.

  No encontro, marcado para esta segunda-feira, dia 26, às 19h, na Faculdade de educação Física e Desportos (faefid) da UFJF, o professor Thadeu Gasparetto, doutor em Educação, Esporte e Saúde com ênfase em Economia do Esporte pela Universidade de Vigo, vai abordar o tema com base em suas pesquisas e publicações em revistas científicas. O palestrante tratará sobre questões como balanço competitivo, geração de receitas dos principais clubes do nosso pais e demanda de ingressos e televisão.

 De acordo com a coordenação do evento, as pessoas interessadas devem apenas comparecer ao local e prestigiar. A entrada é franca.

Secundário

Thadeu Gasparetto será o palestrante nesta segunda

  “Vou apresentar, resumidamente, alguns dos meus trabalhos que desenvolvi no doutorado, defendido em 2017 na Espanha. Vou contextualizar o que é a economia do esporte e, depois, focar no futebol brasileiro. Os temas principais serão a geração de receitas dos clubes brasileiros, o balanço competitivo do Campeonato Brasileiro (e compara-lo à ligas europeias), demanda de ingressos e a demanda de TV aberta”, explica.

 Para Gasparetto, o futebol brasileiro compete em pé de desigualdade com os principais do mundo. “Primeiramente, temos que entender que o nosso futebol, como um mercado, é ‘secundario’ em relação ao Europeu. Historicamente, somos fornecedores de ‘mão de obra’ e continuamos a ser assim. Não acredito, em um curto prazo, que o futebol brasileiro possa ser um destaque internacional principalmente pela distância dos campeonatos europeus. A Champions League é o principal torneio de clubes e, por uma questão geográfica, não somos parte disso. Portanto, é uma concorrência complicada”, destaca.

Para melhorar

  Mas o pesquisador acredita que o futebol nacional tem como crescer e já inicia esse processo. “O primeiro ponto para a melhora do nosso futebol passa por um controle rígido de governança. O novo licenciamento da CBF inicia esse processo, cobra dos clubes certos comportamentos de gestão, porém não é suficiente. Penso que essa cobrança deve vir do órgão que controla o torneio pois, se depender unicamente dos clubes, como sempre foi, poucos serão aqueles que adotarão medidas eficientes de gestão”, prevê.

O professor acredita que o futebol brasileiro pode evoluir

  Para Gasparetto, na prática, há um amplo leque de pontos a serem melhorados. “Ao mesmo tempo, acredito que os clubes devam organizar e gerir de uma maneira mais profissional seus negócios. A demanda de ingressos é ineficiente na maioria dos clubes; os programas de sócio-torcedor, de maneira geral, podem ser melhorados; a venda e distribuição de produtos oficiais e licenciados é ruim em, pelo menos, metade dos clubes da Série A; as relações clube-patrocinador(es) deveriam ser melhor elaboradas. O uso da tecnologia como suporte à tomada de decisão também é um ponto crucial que, acredito eu, precisa ser melhorado na grande maioria dos clubes. Existe uma extensa lista de softwares que auxiliam a avaliação do desempenho (inclusive em tempo real), à contratação de atletas, controle financeiro, comportamento do torcedor, entre outros pontos, que os clubes brasileiros muitas vezes ignoram”, elenca.

Perfil

  Thadeu Gasparetto é bacharel em Educação Física e Desportos na FAEFID-UFJF (2012), mestre em Gestão Empresarial do Esporte na Universidad de Vigo, na Espanha (2014), e doutor em Educação, Esporte e Saúde (ênfase em Economia do Esporte) pela mesma instituição, tendo realizado período sanduiche no Birkbeck College, University of London, Inglaterra, em 2016. Atualmente é Professor contratado na National Research University Higher School of Economics (HSE) em São Petersburgo, na Rússia.

  “Em 2014, fui à Rússia para um Summer School sobre economia e, após o evento, surgiu um convite para trabalhar como pesquisador júnior lá. Fiquei de 2016 à 2018 nessa função. Após finalizar meu doutorado, me candidatei a uma vaga de professor na Higher School of Economics, fui aceito e me mudei em fevereiro de 2018. Atualmente, ministro a disciplina ‘Comunicação Analítica e Visualização de Dados’ para os alunos de administração. Também oriento trabalhos de conclusão de curso e participo de bancas de avaliação. Esse ano, tive a oportunidade de ministrar duas disciplinas no Program Executivo em Gestão do Esporte da FIFA. Além disso, sigo minhas pesquisas sobre economia do futebol brasileiro e europeu. Atualmente, estou focado em temas como demanda e mercado de trabalho”, conta Thadeu. 

Texto: Toque de Bola – Wallace Mattos

Fotos: Pixabay; arquivo pessoal Thadeu Gasparetto

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