Garantiu no gol! Pablo: ‘Na hora a ficha não caiu’

Lateral Pablo calçou as luvas e garantiu a vitória carijó

  Se a equipe sub-20 do Tupi segurou o resultado de 3 a 2, fora de casa, diante do Pouso Alegre no último sábado, dia 4, muito se deve ao lateral Pablo Santos. Após confusão generalizada aos 45 minutos do segundo tempo, o goleiro Carijó Davyd e o zagueiro Pedro Romano foram expulsos. Com todas as substituições já efetuadas, o atleta assumiu a responsabilidade, calçou as luvas e fez a defesa do jogo, no último lance da partida.

  Em entrevista exclusiva ao Toque de Bola, Pablo confessou-se surpreso no momento da defesa, mas que percebeu o feito logo após o apito final. “Na hora eu achei que podia ajudar ali no gol e tomei a decisão. Graças a Deus fui feliz. O lance foi muito rápido e eu estava muito perto da bola. Pude fazer uma ponte com a mão esquerda e espalmar para a linha de fundo. Na hora a ficha não caiu, mas depois que acabou o jogo eu vi todo mundo comemorando e fiquei muito feliz”, disse o lateral.

Primeira vez

  A maioria das vezes que um goleiro é expulso em situações como a do último jogo do Galinho, o atleta que assume a função ou atua no rachão durante a semana ou já foi da posição alguma vez em sua formação. Com Pablo não funcionou assim. O lateral declarou que foi a primeira vez que ele se arriscou debaixo das traves em um compromisso oficial. A última vez que brincou por lá foi há mais de 10 anos, quando ainda nas quadras de Perdões, no Sul de Minas.

No canto esquerdo da imagem, Pablo espalma a bola

  “Nunca fui goleiro. No início eu era meia, mas sempre fui muito curioso para saber como os atletas de outras posições atuam. Quando eu jogava em Lavras, um treinador me pediu para fazer a lateral direita, porque o titular não estava à disposição. Fui bem na partida e continuei a treinar na posição. Goleiro eu gostava só quando era bem pequeno, era fã do Rogério Ceni, Fernando Henrique, isso há 10 anos atrás. Depois que comecei a treinar futebol, nunca mais voltei pro gol, nem em rachão”, comentou.

“Dá pra colocar no DVD”

  Para quem nunca atuou como goleiro, a defesa impressiona. Especialista na posição, o titular da equipe profissional do Carijó, Ricardo Vilar, fez uma análise do feito de Pablo.  “Foi uma defesa sensacional, dá pra colocar no DVD. Lance de velocidade de reação, difícil e no final do jogo. O grau de atenção dele estava no máximo. Parabéns por ter assumido e ajudado o grupo em uma hora crucial e certamente essa vitória passou pelas mãos dele”, considera o camisa 1 do time principal do Tupi.

  Segundo o zagueiro Matheus Mega, capitão da equipe sub-20, assim que Pablo assumiu a responsabilidade, o objetivo era evitar que o adversário tivesse chances de finalizar. “Ele pegou a luva do Davyd, colocou a camisa de goleiro e foi. Na hora nós pensamos: ‘Não podemos deixar os caras chutarem’. O jogo que estava fácil se tornou complicado nos minutos finais por conta disso. Cara, último lance, o atacante ‘chapar’ a bola no ângulo e o Pablo fazer uma defesa dessas… comemoramos muito. Foi um momento inesquecível.”

Atento

O jogador atuou nos profissionais no Mineiro 2019

  Para Vilar, as características pessoais do lateral que foi goleiro por um dia ajudaram Pablo a tomar a decisão que o tornaria o herói improvável do Carijó em Pouso Alegre. Após treinar ao lado do atleta durante o Campeonato Mineiro deste ano, o arqueiro do Tupi sabe bem o que ajudou o jovem jogador a estar lá para seu time na hora certa.

  “Antes de tudo, o Pablo é um cara extremamente ligado no trabalho. Isso foi provado quando ele treinou conosco e jogou no profissional. É muito atento em todos os momentos do jogo e do treino. Isso se refletiu na decisão de ir para o gol. Teve a personalidade de assumir a responsabilidade. Ocupou o lugar em um momento crucial, foi goleiro na reta final e fez uma linda defesa. Está de parabéns”, diz Vilar.

Texto: Toque de Bola

Fotos e vídeo: Júnior Ayupe/Tupi FC 

Toque de Bola

Ivan Elias, associado do Panathlon Club de Juiz de Fora, é jornalista, formado em Comunicação Social pela UFJF. Trabalhou por mais de 11 anos no Sistema Solar de Comunicação (Rádio Solar e jornal Tribuna de Minas), em Juiz de Fora. Já foi freelancer da Folha de S. Paulo, atuou como produtor de matérias de TV e em 2007 e 2008 “defendeu” o Tupi, na Bancada Democrática do Alterosa Esporte, da TV Alterosa (SBT-Minas). É filiado à Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) e Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace).

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