Especial Toque de Bola: o Sport Club Juiz de Fora passado a limpo

Fachada da sede social do Sport, tombada pelo município

  Foram mais de duas horas de conversa, em um encontro que deveria ser uma entrevista com o presidente do Sport Club Juiz de Fora, Jorge Ramos, mas acabou virando uma reunião rara entre parte da cúpula do Periquito.

  Além do mandatário, participaram do papo exclusivo com o Portal Toque de Bola o vice-presidente do clube, Jarbas Coelho; o segundo vice, João “Dudinha” Pereira; e o presidente do Conselho Deliberativo, Thomas Knopp.

   Em clima sério, mas amistoso, nenhum assunto foi deixado de lado. De um possível retorno ao futebol profissional até a meta mais urgente de conseguir a liberação do clube novamente para sediar grandes eventos, passando pelo acordo não concretizado com o Tupynambás e o extinto projeto de um shopping na área na qual se localiza o Verdão da Avenida, os dirigentes alviverdes responderam aos principais questionamentos do torcedor juiz-forano.

(Confira os principais trechos e os links da entrevista no também Youtube do Toque de Bola)

Confira abaixo alguns trechos da entrevista exclusiva dos dirigentes do Sport ao Toque de Bola: 

Eleições 2018

  Jorge Ramos: “Tivemos a eleição no fim do ano passado, o registro de apenas uma chapa. O estatuto do clube é muito claro quanto ao aspecto legal. Você tem que ter uma chapa completa no ato do registro. A outra chapa apresentou algumas inconsistências na questão da composição, repetindo nomes, e o processo foi por aclamação, como determina o estatuto.

O gramado do Estádio Procópio Teixeira

  Assumimos em janeiro. Com alguns desafios. A história do Sport nos impõe eles e não podemos jogar tudo isso no chão. Nosso maior patrimônio são os nossos sócios. Não seremos irresponsáveis com todo esse patrimônio construído por pessoas que não se encontram mais conosco.”

Volta ao futebol profissional

  Jorge: “Atualmente, se você me perguntar enquanto presidente que estou, a gente não pensa na volta do futebol profissional. Falamos isso em outras oportunidades e não fizemos promessa nenhuma em relação a isso. A grande expectativa de todo mundo, de ouvir de nós, é a volta do futebol.

  Já digo aqui: enquanto eu estiver presidente, futebol profissional não vamos colocar. Isso o sócio pode ficar tranquilo. A não ser que haja um grande patrocinador ou parceiro que chegue aqui e assuma. Constituindo uma grande empresa, e a partir de agora assume tudo, no papel, direito. Estamos abertos a parceiros, mas que não comprometam a estrutura do Sport.

  Temos que ter muita responsabilidade. Não podemos ser levianos e inconsequentes de voltar com o futebol no Sport Club Juiz de Fora com toda sua história e endividar o clube. Porque, lamentavelmente, você não consegue atualmente participar de uma competição se não houver um grande investimento.”

Foco na base

A arquibancada do Sport é tombada pelo município

Jorge: “Temos um certo posicionamento de vários sócios que não são favoráveis à volta do futebol profissional. Podemos investir nas categorias de base, fazer intercâmbios. Mas no futebol profissional, você tem que ser profissional. E para isso tem que ter responsabilidade. Não é simplesmente colocar as pessoas dentro desse gramado e sair para uma aventura”

Dudinha: “Os grandes clubes brasileiros que não têm investimentos nas categorias de base não vão a lugar nenhum. Então, quando você se planeja pra ter um time profissional, isso tem que ser levado em consideração. Não é ter um profissional por ter. Disputar competições e deixar o clube com muitos problemas. Um dia vamos atingir os profissionais. Mas com consciência e um projeto com parceiros. Porque o Sport atualmente não pode sacrificar o associado.

  Dentro do possível, o Sport está trabalhando nas categorias de base. Para pensarmos em um futuro melhor. Fazermos parcerias no futuro, como a que se apresenta já para fechar com a Universidade. Colocaremos psicólogo, assistente social e atendimento odontológico. Vejo que estamos caminhando para que, no futuro, o Sport tenha um futebol profissional, mas este não é o momento.”

Suspensão da inscrição

Jorge: “Andaram dizendo por aí que se o Sport não disputasse campeonatos A, B ou C ele perderia a titularidade de profissional. Jamais! Nos informamos diretamente na Federação, e isso não existe. É mentira. O fato de não estar disputando as competições e nem mesmo as dívidas com a CBF e a FMF não tiram do clube sua condição de ser profissional. Assim que os débitos forem quitados – e eles serão – volta tudo ao normal, e o Sport pode jogar. Mas para isso, precisamos de um investimento.”

Aquisição do AVCB

Ginásio já passou por adequações para o AVCB

Thomas: “A palavra de ordem aqui é a aquisição do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). Isso demanda muitos recursos e esforços. A partir disso concretizado, poderão entrar outros recursos que podem ser destinados inclusive ao futebol.”

Jorge: “Não vai sair por menos de R$ 400 mil. Agora, temos parte do clube, da arquibancada menor que está praticamente toda pronta na questão de evacuação, incêndio, pânico, faltando poucos detalhes. Mas o Corpo de Bombeiros não tem uma questão de liberação parcial do clube. Já estamos partindo para as adequações da sede social. Porque ela, por sua localização geográfica no terreno do Sport, pode ter um laudo liberatório somente dela. Mas tudo tem que estar dentro dos padrões.

  O Conselho Municipal do Patrimônio Artístico e Cultural (Compac) orientou todas as intervenções na áreas tombadas. Reduzimos a capacidade do ginásio. Adequando já às recomendações dos Bombeiros. Estamos tendo um rigor muito grande. Vamos fazer um pente fino agora no início de maio, da arquibancada menor até o ginásio.

  Sendo otimista, para liberação do Sport total o prazo é o fim do ano. Contamos com a compreensão dos nossos associados, criamos até mesmo uma taxa extra, que nos aliviou, para as intervenções. Isso vem evoluindo, e o que queremos é entregar tudo recuperado.”

Parceria com o Baeta

A piscina do parque aquático do Verdão

Jorge: “Constituímos uma comissão, mas antes de ela se debruçar sobre como seria esse contrato entre os clubes, a diretoria tomou iniciativa e fez quitações junto à Justiça do Trabalho. Caso isso não ocorresse, o Tupynambás poderia ir a leilão. Ficamos com crédito junto a eles.

  Após uma injeção de dinheiro da ADJF no Tupynambás, disseram que queriam destratar. À época, o Baeta traria cerca de 48 quinhões para o Sport. Não houve a concretização. O Sport recebeu de volta os cerca de R$ 86 500 que nos permitiu alavancar a primeira fase das adequações para o AVCB.”

Projeto do shopping

Jorge: “Em assembleia, 80% dos sócios decidiu pela construção do shopping. Constituímos um grupo de trabalho, mas as coisas não caminharam como deveriam. Quando entrou-se na questão do imóvel, acabou finalizando. Você não consegue ‘destombar’. Assim que assumi pela primeira vez, em 2015, dissemos que não estávamos interessados, e o próprio empreendedor desistiu também pela dificuldade, porque precisaria derrubar a arquibancada.”

Recursos e dívidas

Foco atual da administração é o associado

Jorge: “Temos uma média 700, 750 sócios adimplentes atualmente. Uma receita mensal de R$ 200 mil a R$ 230 mil. Administramos o clube com esses recursos. Não temos dívidas de FGTS, com funcionários ou fornecedores. Nossas dívidas são todas pregressas.

  Nossa saúde financeira nos permite administrar. Honrar nossos compromissos. Vivemos daquilo que o sócio paga e temos o compromisso de manter o clube em condições de uso.  Temos a perspectiva de recebimento de uma verba proveniente da venda do Wesley Jacaré. Cerca de 21 mil euros. Não contamos com esse dinheiro. Quando vier, veio.

  Temos um passivo de cerca de R$ 4,5 milhões com a Fazenda Nacional. Resultado de dívidas de administrações anteriores e que, por enquanto, não temos condições de refinanciar ou quitar. Junto à Federação Mineira de Futebol, o valor da dívida é de R$ 17 mil, e com a CBF, R$ 14 mil. Ambas teriam desconto para pagamento, mas também não dispomos de recurso para isso. Somente com parceria.”

 

Texto: Toque de Bola – Wallace Mattos

Fotos e Vídeos: Toque de Bola

Toque de Bola

Ivan Elias, associado do Panathlon Club de Juiz de Fora, é jornalista, formado em Comunicação Social pela UFJF. Trabalhou por mais de 11 anos no Sistema Solar de Comunicação (Rádio Solar e jornal Tribuna de Minas), em Juiz de Fora. Já foi freelancer da Folha de S. Paulo, atuou como produtor de matérias de TV e em 2007 e 2008 “defendeu” o Tupi, na Bancada Democrática do Alterosa Esporte, da TV Alterosa (SBT-Minas). É filiado à Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) e Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace).

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