Entrevista exclusiva: Cloves, candidato à presidência do Tupi

  Na cobertura especial da eleição do Tupi, o Toque de Bola encaminhou aos candidatos a presidente do clube 15 questões. Formuladas para apresentarem os postulantes ao cargo de mandatário do Carijó entre 2020 e 2022, as perguntas procuraram abranger as propostas de cada um em áreas de grande preocupação do torcedor alvinegro.

Cloves é candidato a presidente da oposição

  Confira as respostas do candidato Cloves Moura Santos, 43 anos e torcedor do Tupi desde criança, da chapa S.O.S Tupi. 

Por que quer ser o presidente do Carijó no triênio 2020-2022?

Na verdade a proposta não é ser presidente do Tupi. Disputar a eleição é uma necessidade estatutária. O projeto é propor uma profunda modificação estatuto para transformar o comando do clube em um conselho gestor, onde as tarefas seriam melhores divididas e, com certeza, é um modelo mais democrático, adequado ao atual cenário do futebol. Outra importante ideia a se desenvolver é a questão do futebol. Muitos clubes estão começando a estudar a possibilidade de transformar o futebol em S.A., por exemplo: Botafogo Ribeirão Preto e CSA. A cada dia que passa, a figura do patrocinador vem desaparecendo do futebol em virtude da nossa economia. Portanto, os clubes precisam ficar atrativos para receberem investimentos e não tão somente patrocínios.

Após sucessivos rebaixamentos, qual é o plano para recuperar o futebol do Tupi?

Fazer o que sempre foi feito no período que estive a frente do futebol: estudar o calendário, traçar metas e trabalhar com profissionais com o mesmo perfil do Tupi. Ou seja, que busquem se colocar no mercado e aceitem o desafio. Léo Conde, Leston Junior, Felipe Surian e alguns outros profissionais da comissão técnica acreditaram no projeto por identificar que era o mesmo deles. O que vejo no Tupi hoje em dia são comissões técnicas diferentes do estilo da competição e, consequentemente, o elenco. Com toda humildade, mas sendo justo, após minha saída aconteceram os descensos de uma serie B para uma D, e para o Módulo 2. No futebol precisa se preparar para gerenciar. Me dediquei muito a esse tema e me sinto preparado, juntamente com um grupo de pessoas que estão na chapa e, se formos vitoriosos, sentarão à mesa para discutirmos juntos e colocarmos em prática o que tenho de experiência juntamente com a contribuição de cada um. Ficam as perguntas: Qual a média de altura? Idade? Índice de lesões? E qual perfil tático ou simplesmente motivacional que o Tupi utilizou desde a minha saída? Para vencer no futebol, um conjunto de detalhes ajuda. Sempre cuidei disso com muito zelo.

Quais ações específicas serão tomadas no sentido de recuperar o futebol do Tupi?

Na prática, fortalecer as escolinhas de futebol estendendo aos bairros e cidades vizinhas, investir na categoria de base e, com isso, a contratação de um coordenador de base de Juiz de Fora que já fez parte da nossa comissão permanente. Dar continuidade ao trabalho de estudo do Módulo 2, analisando os últimos que conseguiram acesso (formatação de elenco) e treinadores experts nessa competição. Já estamos avançando em conversas no sentido de parcerias com clubes que possuem equipes sub-23 para fazer uma mesclagem planejada para voltarmos ao Módulo 1. Independente do resultado das eleições, estamos trabalhando com muita energia o projeto para o Tupi voltar para onde nunca deveria ter saído. Saiu por falhas de gerenciamento de grupo.

Com relação à gestão do departamento de futebol, quais as ideias?

Simples resposta: comissão permanente, parceria com faculdades de atividades afins. Ou seja: Educação Física, Fisioterapia, Psicologia. Outro fator importante é a criação de profissionais de Juiz de Fora, analista de desempenho, preparadores físicos, criação de software de scouts. Tudo isso faz parte do plano. Não podemos pensar no Tupi para três anos. Precisamos pensar e entender que muita coisa que iremos plantar e outra administração vai colher. Porque certamente uma das ideias de um novo conselho é proibir a reeleição. O Tupi precisa de oxigênio novo, de ideias novas. Podem ate perguntar porque estou voltando se penso assim? Porque estou de oxigênio renovado.

Quem comandará o futebol carijó? Existe a possibilidade de parcerias? Em qual formato?

O futebol do Tupi vai ser liderado inicialmente por mim, mas acompanhado de novos gestores de futebol para que, aos poucos, eu realize meu sonho de fazer a categoria de base crescer. Parcerias sempre teremos no mesmo formato que sempre fiz: tem jogador que nos serve? Seja bem vindo! Tem jogador que só te serve? Vamos agradecer.

Já existem investidores interessados em apoiar o projeto? Quais e de que maneira?

Existem conversar embrionárias, mas temos certeza que não se concretizarão antes do inicio do Módulo 2 pela diferença de tempo entre a eleição, a posse e o inicio do campeonato. O sonho dos torcedores que converso e apoiam o movimento é que as eleições fossem antecipadas para ajudar a nova chapa a organizar e fazer com que o Tupi não tenha perda de tempo no seu planejamento. Quem realmente quer o bem do Galo pensa assim, pois sabe que Módulo 2 não tem cota de TV. Portanto, é pouco atrativo. Espero contar com a sensibilidade da atual gestão, utilizando uma frase muito ouvida nos corredores no tempo que eu frequentava: para o bem do Tupi. Insisto: para o bem do Tupi, as eleições deveriam ser antecipadas e com chapa única.

Após vários anos, o Tupi retomou o trabalho com o time sub-20. Há planos para sua continuidade? Necessidade de renovação do compromisso? Seria viável formar a base do time para 2020 com esses garotos?

A base será o carro chefe, não precisamos de parcerias para base, base o Tupi tem e faz. É só trabalhar. Juiz de Fora e região revelaram e deixaram de revelar muitos bons jogadores que poderiam estar servindo ao Tupi ou dando contrapartida financeira para o Clube. Um dia disse que meu plano era Série B e muitos duvidaram. Agora, meu principal objetivo, além do primeiro é claro, é disputar de forma robusta a Taça São Paulo de Futebol Júnior. Nos colocar como formadores de jogadores. Jogador o Tupi vai fazer em casa, e temos competência e convicção para fazermos.

Com sua experiência anterior no futebol do Tupi, o que você não repetiria, faria diferente e manteria?

A única mudança que faria, já estou fazendo: me aproximar do torcedor. Eles são a razão do clube. A última partida (derrota para o Novorizontino no dia 18 de maio) ter 103 pagantes é um sinal de derrota administrativa traduzida em números. Repetiria o que sempre fiz: o grupo precisa ter foco, força e ser gerenciado. Acredito que minha gestão de grupo foi meu ponto forte, meu relacionamento com a torcida meu ponto fraco. Uma coisa que certamente vou mudar é meu tratamento com a imprensa, que tem um papel fundamental e determinante na aquisição de novos sócios, patrocinadores e parceiros.

Como seu passado ou de seu grupo no clube pode interferir na futura administração?

A quem fui parceiro em outras administrações: se vierem somar serão muito bem vindos. A bem do Tupi, não podemos ter problemas de ordem pessoal. Se vencermos, nosso foco não vai ser o passado. Afinal, nesse período de descensos, não participei. Não vejo influência, o Tupi vai ser transparente e participativo.

Com relação à área social do clube, quais os planos? E em outras modalidades?

Essa área não sou expert, meu vice Oswaldo Ribeiro e tantos outros, que não vou citar para não esquecer, irão reerguer a sede. Existe um projeto desenvolvido (S.O.S.), tem um relatório de quadro de sócios completo e com os pleitos de alguns sócios. Voltaremos no conselho com uma velha guarda que conhece bem a sede social. Eventos, escolinhas, pequena melhora de estrutura, com certeza faremos. Outro fator importante é abrir para sócios torcedores. O torcedor carijó terá dois espaços consolidados e felizes: a sede social e o Mario Helênio, que não vê uma vitória do Tupi há meses.

Recentemente, o clube arrendou parte de sua sede social para a construção de um prédio de escritórios. Como pretende gerir e defender os interesses do Tupi nesse empreendimento? E os recursos que ele pode gerar, como serão aplicados?

Não tenho conhecimento profundo desse empreendimento, o pouco que vi foi através da imprensa e não foi muito esclarecedor. Mas nosso objetivo é fazer o melhor para o Tupi, com responsabilidade e zelo. Se eleito formos, entenderemos o empreendimento e, obviamente, o Tupi tem estatuto. Agiremos sempre em conformidade e respeitando o processo democrático.

Existe a possibilidade de, até o pleito, haver uma composição com outro grupo que disputa a presidência do Tupi?

Entendemos que o correto, pelo tempo e o desgaste, não é possível acordo ou composição. Até porque, nossas ideias vão de desencontro à outra chapa posta. Nosso entendimento seria por chapa única e antecipação das eleições. Para que a gente pudesse trabalhar e planejar um 2020 vitorioso para o Tupi. Porque a atual situação da Série D nos deixa muito preocupados com o calendário. O único acordo que aceitaríamos são nesses termos. Caso o pleito seja em outubro, se formos derrotados, lamentaremos pelo futuro do Tupi, pois entendemos que nossa proposta hoje é mais adequada às necessidades da camisa carijó.

Texto: Toque de Bola – Wallace Mattos

Foto: reprodução Pautando o Esporte/JF TV Câmara

Toque de Bola

Ivan Elias, associado do Panathlon Club de Juiz de Fora, é jornalista, formado em Comunicação Social pela UFJF. Trabalhou por mais de 11 anos no Sistema Solar de Comunicação (Rádio Solar e jornal Tribuna de Minas), em Juiz de Fora. Já foi freelancer da Folha de S. Paulo, atuou como produtor de matérias de TV e em 2007 e 2008 “defendeu” o Tupi, na Bancada Democrática do Alterosa Esporte, da TV Alterosa (SBT-Minas). É filiado à Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) e Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace).

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