Reavaliação no JF Vôlei! Bara: ‘Intenção é continuar jogando’

JF Vôlei venceu equipes como o tradicional Canoas

  Uma temporada animadora dentro de quadra e de dificuldades com recursos fora dela.

  Assim pode ser definido o último ano do JF Vôlei, terminado oficialmente com a derrota fora de casa por 3 a sets a 0 para o Lavras, no terceiro jogo da série melhor de três nas quartas de fina da Superliga B 2019, no dia 23 de março.

   Agora, o elenco entra em um período de reavaliação, levando em conta o que foi a última temporada, e planejamento para o futuro.

  Segundo o diretor técnico do JF Vôlei, Maurício Bara, a meta é colocar o time em quadra mais uma vez na Superliga B em 2020, mas para isso serão necessários recursos atualmente escassos. “Está muito cedo para dizer se jogaremos ou não, e essa é uma tônica todo ano. Se vai, não vai ou deixa de ir. Nossa intenção é continuar jogando. Mas a gente vai ter que reavaliar tudo. O detalhe é que não tem como fazer com menos recursos que fizemos este ano”, explica.

Positiva

Bara considera que a temporada foi positiva

  Mesmo em um cenário de redução de recursos, dentro de quadra, Bara considera que a temporada 2018/2019 do JF Vôlei foi bastante proveitosa. “Foi extremamente positiva. Reconstruímos um time do zero, dando ênfase à garotada. Garotos da cidade, categorias de base. Tivemos um grupo muito jovem. Cumprimos nosso papel. Ganhamos de quem era inferior ou estava em um nível igual ao nosso na Superliga B. Quem era superior, fizemos jogos duros”, avalia.

  O desempenho de uma equipe renovada e remontada, conseguindo sem sustos se manter na Superliga B, sem ser rebaixado para a Terceira Divisão do vôlei nacional, foi destacado por Maurício. “Nos deixa de cabeça tranquila. A manutenção da vaga era o primeiro grande objetivo. O que não é fácil de executar em uma competição com oito equipes. Mas felizmente conseguimos com folgas. Isso foi muito importante”, considera

‘Gostinho de quero mais’

Discussão entre Lorena, do Botafogo, e jogadores do JF Vôlei na Faefid

  “Ficou um gostinho de quero mais, porque o potencial do grupo é enorme. Mas para desenvolvê-lo, você precisa de um pouco mais de tempo. De cancha, de quadra. Isso foi passado para os atletas. Havia a possibilidade de ganharmos a segunda partida (terceiro jogo da melhor de três) de Lavras? Havia. Para passar, teríamos que ter jogado mais uma partida no mais alto nível, e nem sempre isso é fácil o tempo inteiro com o time muito jovem”, avalia Bara.

  Para o fundador e comandante do JF Vôlei, o que aconteceu nesta temporada traz satisfação, um pouco de decepção, mas também a força para que o time continue no caminho iniciado após ajustes. “Estou muito satisfeito. Claro que com uma ponta de tristeza. Cabeça erguida e tranquilidade para esse processo poder continuar”, define Maurício.

Situação financeira

  Após perder patrocínios diretos com a queda para a Superliga B, na temporada 2017/2018, o JF Vôlei viu nas leis de incentivo estadual (que permite a destinação de até 3% do ICMS das empresas para projetos esportivos) e federal (na qual empresas pode destinar 1% do imposto de renda retido na fonte para apoio esportivo) alternativa para levantar recursos. Mas, o cenário não foi o esperado.   

Integrates de núcleo do time em parceria com a ArcelorMIttal visitam o JF Vôlei

  “Realmente foi e é uma dificuldade constante. Mesmo baixando nosso grau de investimento no time a níveis mínimos, não estamos conseguindo o suporte mínimo do mínimo necessário. Mas a nova Superliga B ainda está muito longe. Vamos replanejar com muita calma, com muita cautela, muito pé no chão”, garante Bara.

O que foi conseguido

  Através da Lei Estadual, o JF Vôlei captou R$ 298.431,81 junto ao Laboratório Melpoejo e à ArcelorMittal. Esses recursos foram destinados ao pagamento da comissão técnica e ao desenvolvimento dos núcleos de base do bairro Bandeirantes e da Escola Municipal Tancredo Neves, no São Pedro.  Já o projeto de captação pela Lei Federal tem um montante aprovado para captação de R$ 1.074.023,40.

  Mas, o JF Vôlei só conseguiu levantar junto à Rivelli R$ 26.700,00. Esse valor não chega à porcentagem do total a ser captado (cerca de R$ 215 mil), exigência para que a equipe local pudesse utilizar o dinheiro. “Tem que ter pelo menos 20% captado para poder utilizar. Caso não consiga, no projeto aprovado na Lei Federal, o dinheiro é estornado. Vamos ver se tem outro caminho. Mas a regra é essa. Vamos tentar, porque esse valor de R$ 26.700,00 que está represado pode pagar uma taxa federativa. Já ajuda a gente demais”, explica Bara, acrescentando que a equipe tem até o fim de setembro para tentar completar a captação, ou o montante vai para o Governo como imposto.

O que ainda vem

Marcão assume a coordenação das categorias de base do projeto

  Através da Lei Estadual, o JF Vôlei tenta captar mais recursos. Em um deles, de um total de R$ 298.870,38, já foram levantados mais de 50% junto à empresas como Medquímica, Unida, Campo Bom e Rikan, permitindo assim a utilização do dinheiro.

  “Já temos em um valor de cerca de R$ 170 mil captados em um outro projeto, que vai nos permitir planejar alguma coisa. Tanto para base quanto para o projeto como um todo”, explica Bara.

  Nos moldes do que já é feito com a ArcelorMittal, uma outra iniciativa de captação para obter recursos para os núcleos sociais e pagamento de salários da comissão técnica está em curso. Além do Bandeirantes a da Tancredo Neves, o JF Vôlei tem também braços nos bairros Borboleta, Milho Branco e Barbosa Lage. Esses últimos são desenvolvidos atualmente em parceria com o Clube Bom Pastor, que abriga também as equipes de base do time local.

Olho na base

Yan integrou o elenco da Superliga B

   A base, segundo Bara, ocupa papel central no futuro do JF Vôlei. Tanto que o projeto garantiu a permanência do técnico desta temporada, Marcos “Marcão” Henrique, justamente assumindo o comando das divisões inferiores do time local , cujas atividades têm como sede o Clube Bom Pastor.

  “Parte desse processo de reavaliação e evolução passa pelo desenvolvimento ainda maior das categorias de base. Por isso que o Marcos vai estar à frente dessa etapa, o que me deu muita tranquilidade nesse aspecto”, explica Maurício, destacando que a parceria com o Bom Pastor tem sido fundamental.

  A intenção é colocar os garotos tanto em competições adultas como em torneios das faixas etárias. “A ideia é entrar nos Jogos do Interior de Minas; Campeonato Mineiro sub-18, sub-17 e sub-16; e para cima disso. Competições regionais, Copa Cidade Maravilhosa. Colocar essa garotada para jogar”, diz Bara, lembrando que o central Gabriel e o ponteiro Yan, ambos egressos da parceria de base entre Bom Pastor e JF Vôlei, integraram o elenco da Superliga B 2019 e chegaram a atuar em algumas partidas. 

Texto: Toque de Bola – Wallace Mattos

Fotos: Facebook JF Vôlei

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