“Movido a desafios”, Ramon Pavão brilha no futsal da Tailândia

  Há quatro temporadas no futsal da Tailândia, o juiz-forano Ramon Pavão está de volta ao Bangkok BTS. O ala esquerdo da equipe da capital tailandesa falou com exclusividade ao Toque de Bola e, além de detalhar os bastidores do retorno ao antigo time, contou sobre o período da carreira e a vida fora de quadra do outro lado do mundo.

Ramon Pavão está há quatro anos na Tailândia

  Hoje adaptado, o atleta relembrou o início da passagem pelo país do sudeste asiático e das dificuldades que enfrentou.

  “Em junho faz quatro anos que estou aqui na Tailândia. Hoje em dia já estou mais adaptado, já me acostumei com quase todas as diferenças do Brasil, mas não falava nem inglês quando cheguei. A língua e os costumes daqui, eu não sabia nada”.

De volta

  Pavão defendeu o atual clube entre 2015 e 2017, quando foi contratado pelo Sisaket com a missão de ajudar a evitar o rebaixamento da equipe na competição. Sempre movido a desafios, não teve dúvida quando recebeu o convite.

  “Eu sou um cara movido a desafios. Saí do Bangkok BTS e fui para o Sisaket no segundo turno da liga de 2017 com o intuito de salvar o time do rebaixamento. Graças a Deus o Sisaket não foi rebaixado e eu pude contribuir muito por essa permanência na liga principal do ano seguinte. Em 2018, jogando pelo Sisaket, o mesmo desafio: ajudar a manter o time na liga principal. Novamente conseguimos”, contou.

Pavão defendeu o Sisaket nas últimas duas temporadas

  De volta, o atleta quer coroar um período de sucesso no país com o título da liga tailandesa e vê 2019 como, possivelmente, a última oportunidade. “Em 2019 eu queria um desafio novo, então resolvi retornar ao Bangkok BTS, de onde sai em 2017 e deixei as portas abertas para voltar, mas com um desafio muito importante na minha carreira, que é ser campeão da liga esse ano. Não pretendo ficar muito tempo aqui, se tudo der certo nos meus projetos de vida, fico aqui na Tailândia no máximo até 2020”.

Que tapa foi esse?   

  Na chegada à Tailândia, o jogador enfrentou diversas situações constrangedoras, mas que hoje são motivos de risadas. Sem conhecer a cultura local, Ramon foi brincar com um companheiro de equipe no primeiro treinamento, mas o tailandês não gostou.

  “No meu primeiro dia de treino eu dei um tapa na cabeça de um tailandês, na brincadeira. Só que aqui eles têm muito respeito com a cabeça, ela é sagrada. No Brasil é normal, mas aqui não pode brincar assim. A gente ia tirar uma foto do time e ele estava na minha frente. Fui pedir para ele abaixar e dei o tapa. Ele virou para trás muito sério, eu não entendi. Todos estavam rindo e, nessa hora, pararam. Depois o diretor do clube me chamou no canto e colocou no Google Tradutor para me explicar que não podia brincar assim”.

De volta, o juiz-forano já está em ação pelo Bangkok BTS

Vai de táxi?

  Também na primeira temporada, ainda sem saber bem se localizar em Bangkok, um táxi foi o cenário da vez. “Uma vez peguei um táxi e fiquei mais de uma hora dentro sem saber aonde eu ia. O taxista só enrolava, eu não falava inglês, não falava tailandês, e não sabia onde era o hotel que eu morava”.

  Linguagem universal #soquenao

  Dentro de quadra, o caso lembrado foi o papo em português com o árbitro tailandês. “A liga está evoluindo muito e os jogos estão ficando muito pegados, mas os árbitros não são os melhores. De vez em quando eles erram e a gente fica nervoso. No calor do jogo, eu esqueço que estou em outro país e começo a falar em português mesmo. Já pedi falta, já pedi pra deixar o jogo rolar. Eles dão até risada. Isso acontece com vários brasileiros que jogam aqui”.

Onda Brazuca

  Além de Pavão, a liga tailandesa de futsal com vários atletas brasileiros. Um exemplo é o fixo juiz-forano Romualdo Namorato, que fez parte de uma geração de ouro da AABB Juiz de Fora ao lado de Ramon, Léo Santana (hoje no Barcelona), entre outros.

  Trio carijó na área

Leozinho (em cima), Pedro Henrique (esq.) e Gabriel Irajá (dir.) chegaram à Thai League em 2019

  As chegadas mais recentes ao sudeste asiático são de três ex-jogadores do Tupi Futsal. O fixo Leozinho, que era capitão do Carijó, foi para o Suratthani. Pedro Henrique, também fixo, e o ala-pivô Gabriel Irajá, foram apresentados no Sisaket.

  Para Ramon, o crescimento do número de brasileiros é importante tanto para os atletas, que recebem uma oportunidade, quanto para a liga. “A cada ano que passa, aumenta o número de brasileiros aqui na Thai League. Eu vejo isso como um fator positivo para o crescimento da Liga, pois o nível só aumenta. Espero que possam chegar mais brasileiros e que possam somar com os que já estão aqui para elevar ainda mais a qualidade”.

Texto: Toque de Bola

Fotos: Singha Samut Sakhon; Acervo Pessoal de Ramon Pavão e Gabriel Irajá; Instagram pessoal dos atletas

Deixe seu comentário