Por que nas quartas-de-final do Mineiro a renda é toda do mandante?

  Por que nas quartas-de-final do Campeonato Mineiro a renda é toda do mandante dos jogos?

  Esse questionamento de dezenas de torcedores surgiu assim que o Tupynambás confirmou a classificação para a segunda fase do Estadual, tendo como adversário o Atlético, na tarde de domingo, no Mineirão, em Belo Horizonte.

 O Toque de Bola foi buscar a resposta diretamente com Alberto Simão, ex-gestor de futebol do Tupynambás. Ele foi o autor da proposta, apresentada no Conselho Arbitral dos clubes: “A fórmula que eu apresentei a renda seria a seguinte: quem vencesse o jogo ficaria com 60 por cento e o perdedor com 40 por cento”, revela o dirigente.  

  No relato a seguir, ele explica como, nos bastidores  da reunião entre os dirigentes de clubes, acabou prevalecendo condição de o clube mandante ficar com toda a arrecadação do jogo único  da segunda fase.

 Confira o relato completo de Alberto Simão para o Toque de Bola sobre a questão:

Alberto Simão explica ao Toque de Bola os bastidores da votação envolvendo as quartas-de-final do Campeonato Mineiro (foto: site Tupynambás – arquivo)

  “Quando eu fiz o estudo para poder viabilizar um mercado melhor, com melhor aproveitamento e visibilidade para os clubes do interior, mudando o regulamento e classificando oito (geralmente entrava um em nove equipes do interior na fórmula antiga – porque Cruzeiro, Atlético e América sempre se classificavam), colocamos cinco clubes do interior nas quartas-de-final.

  Um jogo de quartas de final coloquei para não prejudicar o regulamento das datas – Minas Gerais era considerado o campeonato mais enxuto porque tinha Atlético e Cruzeiro na Libertadores – e sendo um jogo, ficou na casa do mandante. Nós conseguimos aprovar que o clube mandante não tinha vantagem (do resultado) neste jogo porque o clube do interior precisava de uma oportunidade melhor de passar. Então colocamos que o empate levaria para os pênaltis.

  Na fórmula que eu apresentei, a renda seria o seguinte: quem vencesse o jogo ficaria com 60 por cento e o perdedor, com 40. Neste momento, vendo que ia passar (a proposta), o Itair Machado (dirigente do Cruzeiro) e uma pessoa do Tupi (que eu prefiro não citar o nome) colocaram a seguinte questão: se o jogo no Mineirão e no Independência derem prejuízo, os clubes também arcariam com essa proporção?

  Quando Tupi e Cruzeiro levantaram essa questão, os clubes do interior ficaram com muito medo. Obviamente pedi a palavra e mostrei para eles que um jogo mata-mata no Mineirão e no Independência não dariam prejuízo. Um clube do interior pediu a palavra e falou: mas a gente não pode confiar no mandante. O mandante pode abrir todos os setores de sacanagem (sic), pode ser feita uma retaliação à mudança da forma de disputa.

  Porque a fórmula já tinha sido mudada, tirar vantagem (do empate) já tínhamos conseguido, colocar para pênaltis nós já tínhamos conseguido. E a questão da divisão da renda era o último item. Então os clubes do interior ficaram com medo de Atlético e Cruzeiro, porque com o América é prejuízo na certa, quem caísse com o América no Independência o jogo dá prejuízo. 

  Não tinha (na reunião) o número oficial. Eu tinha levado os números dos custos do Mineirão e do Independência, abrindo setores específicos. Mas como já tinha sido uma vitória muito boa para o interior, os clubes votaram. Atlético, Cruzeiro e América foram favoráveis à renda do mandante, o Tupi e mais um clube do interior foram com eles. Neste sentido, perdemos essa votação específica.

   Mas o projeto original, que eu apresentei, era 60 por cento ao vencedor e 40 por cento para o perdedor. Era uma maneira do clube do interior ainda  fazer um dinheiro. Mas a gente não pode ganhar tudo na vida. Mas ficou de bom tamanho porque ganhamos um jogo de televisão também. O custo que temos neste jogo acabamos obtendo de valorização das nossas marcas. No caso do Tupynambás (no  próximo domingo), será um jogo de TV aberta (Globo) para todo o estado.”

(Notas da redação:

1 -a novidade da fórmula de disputa do Campeonato Mineiro foi votada em 30 de outubro de 2017, para o Campeonato Mineiro de 2018. Na época, Simão também atuava como dirigente do Villa Nova.

Clique aqui e lembre como foi a repercussão da mudança na competição

2 – em contato feito pela reportagem do Toque de Bola, o dirigente do Tupi, Leo Fortuna, confirmou que o voto do clube, no Arbitral, foi pela renda ser toda do mandante nas quartas-de-final)

 

Texto: Ivan Elias – Toque de Bola

Foto: site Tupynambás – arquivo

Toque de Bola

Ivan Elias, associado do Panathlon Club de Juiz de Fora, é jornalista, formado em Comunicação Social pela UFJF. Trabalhou por mais de 11 anos no Sistema Solar de Comunicação (Rádio Solar e jornal Tribuna de Minas), em Juiz de Fora. Já foi freelancer da Folha de S. Paulo, atuou como produtor de matérias de TV e em 2007 e 2008 “defendeu” o Tupi, na Bancada Democrática do Alterosa Esporte, da TV Alterosa (SBT-Minas). É filiado à Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) e Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace).

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