Falou! Presidente do Tupi quebra o silêncio na página oficial do clube

A presidente do Tupi, Myrian Fortuna

   Desde antes do fim do Campeonato Mineiro, que terminou com o rebaixamento do Tupi, os veículos de comunicação de Juiz de Fora, entre eles o Portal Toque de Bola, vem tentando ouvir da direção do Carijó explicações sobre a situação do clube. Alguns pedidos de coletiva, todos negados, já foram feitos.

  Neste domingo, dia 31, através de sua assessoria, o clube confirmou a reapresentação do elenco para esta segunda, dia 1º. Mas os dois primeiros dias serão fechados à imprensa que tem previsto seu primeiro contato com jogadores e comissão técnica somente na quarta, dia 3. Se a direção mantém a decisão de não conceder coletiva, a presidente quebrou o silêncio em entrevista publicada no site oficial do Carijó. Entre os principais assuntos, a mandatária do Carijó falou sobre transparência, a queda no Mineiro, a troca de comando no futebol, a Série D, o encontro com os representante do SOS Tupi e o ano eleitoral.

Confira abaixo os principais respostas da presidente do Tupi, Myrian Fortuna, na entrevista divulgada neste domingo.  

Transparência

“Temos transparência onde a gente tem que ter, porque temos muitos contratos de confidencialidade que não podemos revelar certas coisas. Eu não posso pegar um microfone e anunciar quem paga quanto, dá isso ou aquilo, não posso fazer isto. Eu entrei aqui aprendendo a ser assim, seguindo o que sempre está no contrato.”

Erros e acertos no Mineiro

No Mineiro nós tentamos algumas parcerias, que não deram certo. Se eu soubesse que não daria certo, claro que não entraria. Eu não saio da minha casa pensando em fazer algo que vá dar errado. Todo mundo que estava aqui era pensando em dar certo, infelizmente não deu. Eu sei que cada campeonato é um planejamento e por mais que a gente tente fazer um planejamento correto, fechadinho, equilibrado, chega no meio dele precisa de mais um jogador ou de investir mais em determinado ponto, porque cada campeonato vai mostrando a sua competitividade. Eu fiz tudo o que foi possível fazer, sentamos para conversar, reunimos, trouxemos pessoas experientes, treinadores bons. Nós não fazemos nada pensando em dar errado, o dia a dia é planejado para acertar. Mas, infelizmente nem sempre dá certo.”

Troca no comando do futebol

“Eu sempre conversava muito com o Nicanor, sempre tive muita confiança, porque ele veio para o Tupi em uma situação delicada. O clube saindo de uma parceria e ele veio, assumiu conosco, sem recurso, foi comigo atrás de vários parceiros para conseguir patrocínio e foi uma pessoa que demonstrou muita competência. Com o Nicanor nós quase subimos contra o Fortaleza, fomos Campeão Mineiro do Interior, era nítido que ele tinha conhecimento de causa. Só que com o rebaixamento da Série C, ficou uma preocupação com o que aconteceu, já que o time vinha bem, mas eu não podia ser ingrata, ele ficou comigo no momento em que o clube mais precisava, conseguiu vários jogadores emprestados a baixo custo para o Tupi, ele tinha jogo de cintura para isso. Mas, quando chegamos no meio do campeonato Mineiro, sem vencer uma partida, foi quando nós conversamos e chegamos em um consenso do Nicanor se afastar, por vários desgastes. Ninguém mandou o Nicanor embora, ouve uma conversa e um consenso a bem do Tupi. Tanto que hoje eu tenho contato com o Nicanor e ele conosco. Pelo menos da minha parte não há rancor, não há raiva, não a nada, foi sempre pensando no Tupi. Quanto ao André, ele veio através de uma das parcerias fechadas no início da temporada e já vinha acompanhando o Tupi desde o início do Campeonato Mineiro. Com a saída do Nicanor nós conversamos e ele se prontificou a ajudar o clube mantendo a parceria e assumindo como consultor de futebol.”

Reunião com SOS Tupi

Eu fiquei feliz, porque são poucos os que procuram o Tupi para conhecer ou ajudar. Eu acho que falei com eles a realidade, quem estava ali na reunião ouviu. Graças a Deus não ouve ofensas, eles falaram as insatisfações com a gestão, com o time e nós mostramos que fizemos o trabalho para dar certo, como das outras vezes. Quem quiser conversar comigo, se eu tiver disponibilidade e for na mesma linha que eles vieram, eu estou aberta a qualquer conversa, desde que não venha para me ofender, ameaçar ou xingar, como alguns torcedores já fizeram em campo. Na reunião falei dessa campanha de público zero, que eu acho que isso é a maior ingratidão que você pode fazer com o clube que você gosta. Até por uma questão de coerência, afinal se eu gosto de uma pessoa eu não vou isolar essa pessoa no momento que ela mais precisa. Que coerência é essa, que forma de gostar é essa, de defender, que na hora que mais precisa você não está do lado dela. Com o Tupi foi a mesma coisa. Outra pauta que eles levaram, foi a minha renúncia, falei que fico até o final do meu mandato.”

Série D

“Neste momento, devido as todas as mudanças no futebol, estamos concluindo o planejando para a série D, para conseguir o acesso e que o Tupi possa continuar com calendário cheio. Eu posso ser uma sonhadora, mas eu acho que quem gosta mesmo do Tupi e quem vai a um estádio para ver o Tupi jogar, quem fala que é Galo Carijó, tinha que vir aqui abraçar essa causa, não por mim, mas pelo Tupi.”

Ano eleitoral

“No momento eu estou preocupada com a série D do Brasileiro. A posição agora é buscar pessoas que queiram estar com o Tupi nesse último campeonato que eu estarei a frente. Vou decidir, vou parar para pensar, lutar por aquele que realmente vai estar para ajudar o Tupi nessa fase final, aí depois eu vou avaliar. Tenho certeza que Deus vai encaminhar meu coração para o melhor. Tenho certeza que vai dar tudo certo para o clube, eu vou torcer para isso. Que vença o melhor, que goste do Tupi, que lute por ele e, de onde eu estiver, o que eu puder fazer, vou fazer também para lutar por ele.”

Texto: Toque de Bola com reprodução de entrevista publicada no site oficial do Tupi

Foto: Júnior Ayupe/Tupi FC 

Toque de Bola

Ivan Elias, associado do Panathlon Club de Juiz de Fora, é jornalista, formado em Comunicação Social pela UFJF. Trabalhou por mais de 11 anos no Sistema Solar de Comunicação (Rádio Solar e jornal Tribuna de Minas), em Juiz de Fora. Já foi freelancer da Folha de S. Paulo, atuou como produtor de matérias de TV e em 2007 e 2008 “defendeu” o Tupi, na Bancada Democrática do Alterosa Esporte, da TV Alterosa (SBT-Minas). É filiado à Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) e Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace).

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