Adeus! Morre Coutinho, o “rei da pequena área”

Coutinho faleceu por volta das 19h30 desta segunda, dia 11

  Morreu nesta segunda, dia 11, Coutinho, ex-atacante do Santos e da Seleção Brasileira. Um dos maiores ídolos da história do alvinegro santista, o ex-jogador foi campeão da Copa do Mundo de 1962, no Chile, pela Seleção e bicampeão da Libertadores e do Mundial de Clubes pelo clube paulista.

  Autor de 368 gols em 457 jogos, o “rei da pequena área”, como ficou conhecido, é o terceiro maior artilheiro da história do Peixe e é considerado o “parceiro ideal” do Rei Pelé dentro de campo.

  Aos 75 anos, Coutinho estava na casa da filha, com quem morava há quatro meses, quando sofreu um infarto. De acordo com o médico Milton Mattozinho, a fatalidade aconteceu em decorrência da diabetes e da hipertensão arterial sistêmica, que acompanhavam o ex-atleta há algum tempo.

Carreira vitoriosa

Aos 14 anos, o ex-atacante estreava pelo Santos

  Nascido em Piracicaba no dia 11 de junho de 1943, Antônio Wilson Honório estreou pelo Santos em 1958, com apenas 14 anos e 11 meses. Na época, se tornou o mais jovem da história do clube a atuar pelo time principal, marca que ainda pertence a ele.

  Coutinho permaneceu na equipe do litoral paulista até 1967 e, após passagens por Vitória e Portuguesa, voltou à Vila Belmiro, atuando pelo Peixe no período entre 1969 e 1970.

  Atlas (México), Bangu (RJ) e Saad (SP) foram os últimos clubes do “maior camisa 9 da história”, que se aposentou aos 30 anos de idade, em 1973.

   Além da Copa do Mundo de 1962 pelo Brasil e dos bicampeonatos da Libertadores e do Mundial de Clubes pelo Santos em 1962 e 1963, Coutinho colecionou inúmeros troféus.

  Foi hexacampeão paulista (1960, 1961, 1962, 1964, 1965 e 1967), pentacampeão da Taça Brasil (de 1961 a 1965), que depois foi reconhecida como Campeonato Brasileiro, e conquistou quatro edições do Torneio Rio-São Paulo (1959, 1963, 1964 e 1966).

  Seleção Brasileira

  A primeira convocação para representar o Brasil aconteceu em 1960, quando tinha 16 anos. Na estreia de Coutinho como titular, no dia 9 de julho daquele ano, a Seleção comandada por Vicente Feola foi derrotada pelo Uruguai por 1 a 0. Dois anos mais tarde, ele estava na lista de convocados para a Copa do Mundo do Chile, mas não atuou.

Coutinho em Wembley, antes de Inglaterra x Brasil, em 1969

  Coutinho sofreu uma lesão pouco antes do início da competição e deu lugar a Vavá entre os titulares. Coincidência ou não, naquela Copa, seu fiel companheiro Pelé também se lesionou e foi substituído por Amarildo.

  Garrincha assumiu o protagonismo e o Brasil conquistou o bicampeonato mundial naquele ano.

  Em 15 jogos com a amarelinha, Coutinho marcou seis gols. Sua última partida com a camisa do Brasil foi em novembro de 1965, na vitória por 5 a 3 sobre a Hungria, em amistoso no Pacaembu.

Parcerias

  Dorval, Mengalvio, Coutinho, Pelé e Pepe. O maior quinteto de ataque da história do futebol facilmente lembrado pelos amantes do esporte apresenta números de impressionar.

  Entre 1960 e 1966, os cinco atuaram juntos como titulares 99 vezes e foram responsáveis por expressivos 295 dos 327 gols marcados pela equipe nessas partidas, o que corresponde a cerca de 90% dos tentos santistas. No total, foram 71 vitórias, nove empates e 19 derrotas (aproveitamento de 76,6%), com 327 gols marcados e 158 sofridos.

Dorval, Mengalvio, Coutinho, Pelé e Pepe (nesta ordem  na foto) formaram o maior quinteto da história do futebol

  O jogo que marcou o fim do quinteto ocorreu em Abidjan, na Costa do Marfim, em um amistoso diante do Stade Club Abidjan, no estádio Félix Houphouët-Boigny.

  No dia 9 de janeiro de 1966, o alvinegro praiano bateu a equipe local por 7 a 1, com Coutinho, Pelé e Pepe marcando duas vezes cada e Lima, que entrou no lugar de Mengalvio, fechando a conta.

Repercussão

  A morte de Coutinho tomou conta do noticiário esportivo desde a noite desta segunda, dia 11. Através da imprensa e de redes sociais, vários ex-companheiros e atletas que vestiram e vestem a camisa do Santos se manifestaram. Na íntegra, o Toque de Bola reuniu as de maior destaque. Confira!

Pelé – ex-companheiro de Coutinho no Santos e na Seleção Brasileira

Pelé ao lado de Coutinho em evento do Santos Futebol Clube

  “É uma grande perda. A tabelinha Pelé e Coutinho fez o Brasil ficar mais conhecido no mundo todo. Tenho certeza que um dia faremos tabelinha no céu. Minhas condolências à família”.

Pepe – ex-companheiro de Coutinho, em entrevista à Rádio Bandeirantes

  “Encontrei o Coutinho há pouco tempo. Ele era sempre muito feliz. Eu sabia que não estava bem tem um tempo. Tínhamos contato quase que diariamente. Ele tinha problemas de estômago e Alzheimer, mas era sempre alegre. Sempre o encontrava no bar tomando a cervejinha perto da Vila Belmiro. Onde ele estava, estava a alegria. Foi um cara feliz. Vai fazer muita falta o eterno Coutinho”

Mengalvio – um dos integrantes do maior quinteto da história do futebol ao lado de Coutinho

  “Hoje não é só o Santos e o futebol que estão tristes, pois acabo de perder um dos meus melhores amigos dentro e fora de campo, uma pessoa extraordinária como ser humano, meu coração está de luto por você Couto, vai fazer muita falta”

Rodrygo – atacante do Santos, já vendido ao Real Madrid (ESP)

  “Descanse em paz, Coutinho. Que Deus possa confortar os familiares e amigos neste momento tão difícil. Ídolo da história do Santos e do futebol mundial, uma referência para nós mais jovens no clube”

O Santos Futebol Clube se manifestou através de nota oficial:

“É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Antônio Wilson Vieira Honório, o eterno ídolo Coutinho, aos 75 anos de idade. Coutinho é o terceiro maior artilheiro da história do Peixe, com 368 gols em 457 partidas pelo clube. O craque formou a parceria mais icônica da história do futebol ao lado de Pelé. O eterno ídolo nasceu no dia 11 de junho de 1943, na cidade paulista de Piracicaba. Com a camisa do Alvinegro Praiano, Coutinho conquistou seis títulos paulistas, cinco brasileiros, duas Libertadores e Mundiais de Clubes. Já com a Seleção Brasileira, ele foi campeão mundial em 1962″.

 

Texto: Toque de Bola

Fotos: Infoesporte; Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Divulgação SantosFC; Getty Images; Reprodução Twitter Oficial do Santos Futebol Clube

Toque de Bola

Ivan Elias, associado do Panathlon Club de Juiz de Fora, é jornalista, formado em Comunicação Social pela UFJF. Trabalhou por mais de 11 anos no Sistema Solar de Comunicação (Rádio Solar e jornal Tribuna de Minas), em Juiz de Fora. Já foi freelancer da Folha de S. Paulo, atuou como produtor de matérias de TV e em 2007 e 2008 “defendeu” o Tupi, na Bancada Democrática do Alterosa Esporte, da TV Alterosa (SBT-Minas). É filiado à Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) e Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace).

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