Opinião: O dirigente não vai deixar saudades

Evaristo (ao fundo) observa lance de Baiano na derrota para a CAP (2 a 0): Tupi não consegue se impor mesmo quando atua em casa

O Tupi é muito maior que qualquer dirigente, jogador ou jornalista.

  O Tupi não é maior que sua história e sua torcida.

  Avaliação do dirigente

  Não falamos aqui da pessoa, mesmo porque não tivemos oportunidade de estabelecer uma relação próxima e porque sempre acredito – de verdade – que as pessoas, por mais que nos pareçam controversas, têm algo de positivo para construir ou de diferente para apresentar.

  No caso da avaliação do dirigente de futebol do Carijó, Nicanor Pires não vai deixar saudades.

  Depois de boa Série C (2017) e bom Mineiro (2018).

  Uma equipe rebaixada com resultados vexatórios, inclusive em casa, na Série C de 2018.

  Uma equipe na lanterna, com sérios riscos de rebaixamento, novamente sem força, inclusive em casa, agora no Campeonato Mineiro, a três rodadas do final da fase de classificação. E sem uma vitória sequer!

  São fatos, não são argumentos. Nem lições ou respostas de nada. Atitudes de dirigentes e opiniões de  jornalistas passarão. O clube segue sua vida. 

   Tradição desrespeitada

Estreante Diego Sales é travado pela defesa (lance de Tupi x CAP)

  Temos um enorme respeito e admiração pela instituição centenária que se mantém no futebol profissional quase que sozinha numa cidade difícil na questão de investimentos (a falta de maior apoio é complexa, podemos voltar a debater em outra oportunidade).

   Até pelo respeito a essa instituição, e à trajetória de superação que é quase um carimbo do Galo Carijó, entendemos que, como dirigente, Nicanor se perdeu desde a péssima condução da “quase venda” do mando de campo da semifinal diante do Cruzeiro.

  Na busca de entender as razões de duas temporadas tão trágicas em sequência, talvez aquela arrancada no Mineiro do ano passado tenha feito com que o dirigente guiasse para uma direção errada. Divorciou-se da torcida fiel que vai aos jogos.

   Desde então, pode ter faltado a ele paciência para dar respostas sobre o futebol do clube. Ocorre que não havia outra pessoa a quem perguntar.  

  A mesma (e única) explicação

  Afirmar, nas entrevistas que concedeu, que faltou comprometimento em 2018 (em coletiva, ao final da Série C do ano passado) e de novo que está faltando comprometimento em 2019 (entrevistas à Tribuna de Minas e à Rádio Globo) é muito pouco. Não foi ele o responsável pela montagem dos dois elencos ditos sem comprometimento? Ou devemos culpar o clube, que delegou a ele essa concentração absoluta sobre as repostas do futebol alvinegro?

   O batido refrão “Eu ganhei, nós empatamos e vocês perderam” (discurso que, diga-se, não é privilégio local) não se sustenta mais. É esse, porém, o tom das entrevistas. Defesa? Prevenção?

  Ultrapassado pelo rival

   O Tupi precisar acordar urgentemente. Alerta é o que não falta. A “ultrapassagem” do Tupynambás  sobre o rival (não só no clássico como na competição) deve ser  compreendida com humildade.

  Há clubes que tiveram, com a dor da queda no campo, o entendimento da necessidade, quase obrigação, de uma reformulação profunda. Quase começar do zero.

  Depois de não desfrutar da incrível reação do Mineiro do ano passado, quem sabe a dura estrada de um Módulo 2 “raiz” das Gerais não seja o despertador para a reconstrução do futebol do clube?

 Humilhação pela dupla queda? Essa sensação o torcedor já tem experimentado em casa, quer dizer, na arquibancada. O orgulho do torcedor está ferido.

  Uma – nova – improvável – reação e a permanência na primeira divisão não devem, caso se concretizem, apagar tantos erros.

   Não era implicância

   Por mais que o agora ex-dirigente tenha se magoado quando assinamos uma matéria no Toque de Bola, questionando, ainda no Mineiro 2018, um “Tupi  sem identidade”, os caminhos que o futebol do clube percorreu, desde então, nos apresentam a resposta sem rodeios.

  O futebol do Tupi hoje não tem identidade, rumo ou perspectiva. Não se vê mais o carimbo da superação centenária. Culpa de um só dirigente? Claro que não. De uma estrutura que não funciona mais, agravada por um distanciamento da opinião pública e de boa parte dos fieis torcedores que também não contribui em nada.

  Muda tudo, Tupi! Procure ser mais solícito, carinhoso, educado e sensível no dia-a-dia. Recomece a escrever essa história. Teremos a maior alegria em voltar aqui para exaltar esse novo ressurgimento.

  

 Ivan Elias

Foto:  Tupi

  

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