Chegou a hora! Tu-Tu histórico na elite do Estadual agita Juiz de Fora

Os Tu-Tu em números

  Sonhado por todos os amantes do futebol de Juiz de Fora e, claro, por torcedores alvinegros e alvirrubros, por longos 48 anos, 9 meses e 4 dias, o grande momento chegou. Nesta quarta, dia 22, às 20h, o clássico mais antigo da cidade, o Tu-Tu, volta a ser realizado na elite do Estadual, no Estádio Municipal Radialista Mário Helênio. Quando Tupynambás e Tupi se enfrentarem pela segunda rodada do Campeonato Mineiro 2019, cada coração que acelera com o futebol juiz-forano vai se encher de alegria.

  A rivalidade entre Baeta e Carijó é mais do que centenária, e remonta à fundação do mais novo dos dois clubes que superaram os 100 anos da cidade. Nascido de uma dissidência do Tupynambás, fundado em agosto de 1911, o Tupi foi criado em maio 1912. Neste mesmo ano, em 18 de agosto, foi realizado o primeiro Tu-Tu, que terminou em empate em 1 a 1.

Muita história

  De lá para cá, foram realizados mais 280 clássico entre Tupynambás e Tupi, sejam partidas amistosas ou válidas por torneios estaduais, regionais e locais. O Carijó leva vantagem no número de vitórias: 131 contra 81, com 69 empates. Também é do lado alvinegro do Tu-Tu a artilharia: são 507 gols do time de Santa Terezinha e 369 do Leão do Poço Rico.

  A última vez que ambos se enfrentaram na Primeira Divisão do Mineiro foi em 19 de abril de 1970. A partida estava presente na primeira versão da Loteria Esportiva do Brasil. Era tradição personagens famosos do nosso futebol darem palpites sobre os resultados.

Tu-Tu na Loteria Esportiva com apostas de Pelé e Zagallo

  Assim, ninguém menos que Pelé e Zagallo, àquela altura às vésperas do tri da Copa do Mundo, deram seus pitacos. O Rei escolheu o Baeta como aposta, e o então treinador cravou no Tupi. Como sua vida mostraria mais tarde, a sorte é companheira de longa data do Velho Lobo, e o Carijó venceu o jogo por 2 a 0.

Goleadas

  Na década de 1930, saíram os placares mais elásticos do Tu-Tu. A primeira estocada foi do Leão, que mandou um impiedoso 7 a 2 no Carijó no dia 28 de novembro de 1931, em jogo válido pelo Campeonato Oficial da Liga de Futebol de Juiz de Fora. A vingança veio pouco menos de três anos depois. No dia 9 de agosto de 1934, o Tupi fez 7 a 1 no Tupynambás, em amistoso. Até os dias atuais, essas são as maiores goleadas que um rival aplicou no outro.

  O clássico desta quarta será a volta do confronto ao Mário Helênio. Apenas uma única vez o Tu-Tu aconteceu neste palco, no dia 28 de julho de 1990. O embate festivo, preliminar de Flamengo 1 x 0 Bahia, terminou com vitória do Baeta, por 2 a 1. O último amistoso entre Tupi e Tupynambás se deu no dia 5 de maio de 1993, curiosamente, fechando esse capítulo da história do confronto com o mesmo 1 a 1 do primeiro embate entre ambos.

Rivalidade sadia

Clima entre técnicos rivais Aílton e Felipe é de respeito 

  A partir desta quarta, novos capítulos dessa rica história serão escritos. Conscientes da importância do jogo para o futebol da cidade, as duas diretorias trabalharam juntas para a organização do Tu-Tu. Em coletiva conjunta, os técnicos Felipe Surian, do Baeta, e Aílton Ferraz, do Carijó, demonstraram estarem em sintonia quanto ao que deve representar o jogo para Juiz de Fora.

  “Não tenho tratado o jogo em uma esfera grande. É um clássico, depois de muitos anos, mas é uma partida para se melhorar. Tem que ser uma festa do futebol da cidade”, destaca Surian. “Já trabalhei em situações de rivalidade assim, mas estamos conscientes nisso. É o que o Surian falou, tirar o peso. Se não, fica feio. Futebol é, acima de tudo, uma brincadeira, alegria”, completa Ferraz.

Íntimos

  Por conta da manutenção de atividades no futebol profissional por mais anos ininterruptos, o Tupi acabou se tornando referência em Juiz de Fora. E o atual elenco do rival dá bem essa medida. Atletas, integrantes da comissão técnica e diretoria do Baeta já tiveram passagens por Santa Terezinha. Assim, a relação entre as duas equipes também se aproxima.

Adê fez dois na vitória do Baeta

  Nomes como o próprio Surian; o diretor de futebol, Alberto Simão; o fisioterapeuta Marco Aurélio “Dezoito” Del Papa; o goleiro Glaysson; o zagueiro Marcelinho; os volantes Marcel, Leandro Salino e Léo Salino; e o atacante Eraldo já passaram por Santa Terezinha. Mas o caso mais emblemático é o do centroavante Ademilson.

Tem que ser estudado

  Ídolo do Tupi e presente na maior conquista do clube, o Campeonato Brasileiro de 2011, Adê conquistou com gols decisivos também o coração da torcida do Baeta. Resultado: virou ídolo no Poço Rico. Aos 44 anos, é o jogador mais velho a atuar nos três principais campeonatos estaduais do país – Minas, Rio e São Paulo. E não dá sinais de que vai parar.

  Na primeira rodada, saiu do banco para marcar duas vezes na vitória por 5 a 1 do Leão do Poço Rico sobre o Villa Nova, em Nova Lima. Mesmo assim, Surian faz mistério quanto à sua escalação. “Vamos definir só na hora. Costumo dizer que o Ademilson é um titular. Não importa se está no banco. Entrará e nos ajudará”, explica o treinador. Já Aílton destaca as qualidades do jogador, mas não se preocupa só com ele. “É um atleta nato. Aos 44 anos e essa fome. Tem que ser estudado. Mas estaremos atentos a todos: Eraldo, Geovani, Matheus Pimenta. Eles têm um time muito certinho e mostraram isso primeira rodada”, destaca.

Surian não sabe se poderá contar com Marcelinho

Os times

  Sem tempo para treinar, ambos os comandantes focaram no descanso de seus atletas do desgaste das partidas de domingo, quando Tupi e Baeta estrearam simultaneamente, em partidas iniciadas às 11h. Embalado pela goleada de virada sobre o Villa, o técnico Felipe Surian quer manter o ritmo e tem uma dúvida. “O resultado não pode nos fazer relaxar. Foi bom mas já passou, e tem que ser motivo para mantermos o pé no acelerador. Vamos avaliar até o momento o jogo a situação do Marcelinho, mas existe a possibilidade de ele nos ajudar sim”, diz o técnico, falando sobre o zagueiro que se recupera de um incômodo na coxa direita.

Aílton espera corrigir erros e manter acertos

  Do lado alvinegro, o técnico Aílton Ferraz não sente sua equipe pressionada por ter deixado escapar a vitória ao permitir o empate do Tombense em 1 a 1 na estreia. A busca vai ser acertar na base do exemplo. “Como o tempo para treinar não existe, vamos ver os vídeos e corrigir o que fizemos de ruim, mantendo o que foi bem. O melhor foi não perder. Temos um time jovem, jogamos contra uma boa equipe. Não posso colocar esse peso nos garotos. Mas sabemos da dificuldade e importância da vitória no clássico, que nos faria ultrapassar o Tupynambás. Vamos em busca disso”, deseja o trenador.       

Vale troféus

  O Tu-Tu é tão especial que vale além dos três pontos no Campeonato Mineiro. Em uma iniciativa conjunta com o Grupo Bahamas, a Prefeitura de Juiz de Fora vai dar premiações aos time vencedor e ao melhor jogador do confronto. A equipe que vencer fica com o Troféu Radialista Mário Helênio. Já o destaque do clássico recebe o Troféu Augusto Costa de Oliveira Valle, o torcedor solitário, falecido no final de 2018.

Os troféus em jogo no Tu-Tu

  Ainda dentro das iniciativas festivas por conta da volta do clássico mais antigo de Juiz de Fora, antes da bola rolar pelo Estadual está prevista uma preliminar. Times de veteranos de Tupi e Tupynambás vão se enfrentar no Mário Helênio, a partir das 18h. Por isso, o torcedor tem motivo para chegar cedo ao estádio.

Ingressos e acesso

  Os ingressos para o Tu-Tu custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), e estão sendo vendidos nas sedes do Tupynambás (Rua Delorme Louzada, 32, Santa Teresa), e do Tupi (Rua José Calil Ahouagi, 332, Centro). Além disso, podem ser comprados no posto da Liga de Futebol de Juiz de Fora, no Calçadão da Rua Halfeld, das 9h às 18h. Os bilhetes azuis são para os torcedores do Carijó, e os amarelos par os do Baeta.

  O Estádio Municipal Radialista Mário Helênio abre suas portas às 17h e, no mesmo horário, começa o funcionamento das bilheterias do local. A torcida do Tupynambás, mandante do jogo, entrará pelo portão principal (Pórtico 1) da arena local, enquanto a do Tupi, terá acesso pelo Dom Orione (Pórtico 3). Torcedores com camisas alusivas aos clubes só terão acesso em seus respectivos portões.

  O Pórtico 2 será exclusivo para convidados do Camarote do Tupi, sem vestes alusivas ao clube, inclusive dentro de veículos. Por conta desta área, os torcedores alvinegros ficarão alojados no setor azul da praça esportiva.

Ônibus
  Serão disponibilizados ônibus especiais para as duas torcidas. Os torcedores do Tupynambás embarcam na Rua Barão de Cataguases, próximo ao Supermercado Bretas. Já os do Tupi sairão da Avenida Itamar Franco, em frente à Agência de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon). O veículos começam a circula a partir das 17h30. O último carro deixa as imediações do Mário Helênio 40 minutos após o fim da partida.

Tupynambás x Tupi

Mário Helênio – 20h

Árbitro: Gabriel Murta Barbosa Maciel

Assistente 1: Douglas Almeida Costa

Assistente 2: Marciano Pires de Lima

Tupynambás: Renan Rinaldi, Paulinho, Adriano, Halisson (Marcelinho) e Lucas Hipólito; Léo Salino, Leandro Salino, Geovani e Vanger; Matheus Pimenta e Eraldo (Ademilson). Técnico: Felipe Surian

Tupi: Vilar, Afonso, Arthur Sanches, Aislan e Emerson; Eduardo Nardini, Fábio Henrique e Vitinho; Gabriel Costa, Anderson Chub e Marcus Vinícius. Técnico: Aílton Ferraz

 

Texto: Toque de Bola – Wallace Mattos com pesquisa histórica do Memorial Carijó/Professor Léo Lima e informações da PJF

Fotos: divulgação Tupynambás F.C. e divulgação Tupi F.C.

Artes: Memorial Carijó e divulgação Tupynambás F.C.

Deixe seu comentário