Banho de barro abençoado na trilha do IOR

POR: Wallace Mattos, 39 anos, jornalista que acompanha o IOR desde 1996 e já cobriu a prova em 10 edições

Minha relação com o Ibitipoca Off Road é antiga. Ainda era muito novo em 1990, mas me lembro bem do agito na Murilândia. Em 1996, meio sem querer, trombei com o “circo do IOR” em Conceição, quando fui acampar por lá e nunca mais deixei de seguí-lo.
A história mais marcante com a prova que tenho é dos tempos de Tribuna de Minas. Pelo jornal, cobri a prova em dez edições. Na maioria, indo até Lima Duarte e retornando no meio do sábado para Juiz de Fora. Em uma dessas edições – o ano provavelmente é 2006 – fomos eu e o grande e saudoso fotógrafo Antônio Olavo “Cerezo” Matos para a trilha, conduzidos ao sempre especial “PC do Mal” dos carros.
Era uma travessia de córrego, seguida de um barranco íngreme, obviamente molhado pela turma do controle. Cerezo bem posicionado em uma saliência de terra ao lado da trilha, na subida do barranco, pegando os pulos dos 4×4, e eu ao seu lado.
Em um dado momento, um dos carros se aproximou rápido, ignorou o córrego e acertou com sua frente o topo do barranco enlameado. Só deu tempo de eu correr para trás do Cerezo. Sem titubear, com a câmera apontada para a cena, ele disparou vários cliques. Ao mesmo tempo, tomávamos um banho de lama!
Cobrimos o restante do dia de prova, cheios de barro, e a lente que Cerezo usava teve que ir para a manutenção, mas valeu a pena. Quando chegamos ao jornal, o IOR ganhou destaque na capa da edição de domingo com o registro de um jipe saltando e uma massa de lama prestes a acertar fotógrafo e repórter. E me senti devidamente batizado na prova mais charmosa do Brasil.


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