É mais que futsal! Romualdo consolida trajetória vitoriosa na Tailândia

Romualdo em ação por seu atual clube, o Highways Futsal

  Morando em um país com o qual se identificou completamente com a cultura, fazendo o que mais gosta e prestes a ter seu primeiro filho, pode-se dizer que, aos 31 anos, a vida do jogador de futsal juiz-forano Romualdo Namorato vai bem, obrigado.

  O atleta local, radicado desde 2011 na Ásia, já homenageou a esposa, Dani, grávida do primeiro filho do casal ao balançar a rede na Liga Tailandesa, e vem curtindo e assimilando a cultura de calma e equilíbrio do povo tailandês.

  Nesta entrevista exclusiva ao Toque de Bola, Romualdo conta como é jogar e viver na Tailândia.

Mudança cultural

  Romualdo, que atuou em um dos times mais marcantes do futsal local na Associação Atlética do Banco do Brasil (AABB), relembra momentos e lições tiradas no futsal tailandês. Conta como foi parar na Tailândia; fala de sua identificação com o país e seus costumes; e conta como a cultura local mudou sua própria maneira de pensar.

  Em sua sétima temporada na Liga Tailandesa, onde já defendeu Sripatum University, CAT Telecom, Sripatum Sisaket, Surathani, Chomburi Bluewave, Pattaya Thaitech e Highways Futsal, Romualdo se orgulha dos companheiros brasileiros e de AABB que por lá estão, como Chiqueirinho, Pepe e Ramon. E conta nas linhas abaixo como viu a convocação do também ex-jogador do mesmo time e amigo pessoal, Léo Santana, para a Seleção Brasileiro. Além disso, revela uma das passibilidades de futuro após pendurar o tênis.

  Entrevista: Romualdo Namorato, 31 anos, fixo do Highways Futsal da Tailândia

  Toque de Bola: Quando você disputou sua primeira temporada de futsal na Tailândia, o que sabia do futsal no país? Imaginava ficar tantas temporadas? 

 Rumualdo: Minha primeira temporada na Tailândia foi em 2011, quando fui convidado por um amigo que jogou comigo no time da AABB, em Juiz de Fora. A princípio não sabia quase nada sobre o país, e muito menos sobre o futsal dele. A única referência que eu tinha era então meu amigo Renato, que me fez o convite, e topei o desafio. Como minha identificação foi muito grande desde o princípio, eu sempre me empenhei e me dediquei para conseguir ficar o máximo possível. Pensando temporada por temporada.

O juiz-forano foi o artilheiro da Liga Tailandesa 2012/2013

  Qual temporada ou quais partidas marcaram mais sua trajetória na Tailândia?

  Uma das temporadas mais marcantes para mim foi a de 2012/2013, onde conquistei a artilharia da Liga, sendo que a minha principal característica é a marcação. Além da artilharia, o meu time em questão terminou na terceira colocação, o que era inesperado e inédito para aquela equipe. Outra temporada marcante foi a de 2016 onde atuei no Chomburi Bluewaves, atual campeão asiático, e conquistamos o título da Liga Tailandesa.

  Conte um pouco do fair play do torcedor tailadês…

  Uma das coisas que mais me encanta na Tailândia é a cultura e como isso reflete na vida das pessoas, inclusive no esporte. Ao final de todos os jogos, independente do resultado, os jogadores após se cumprimentarem no meio da quadra. Depois, se dirigem ao banco adversário para agradecer e reverenciar a comissão técnica, fazendo o mesmo gesto em direção à torcida adversária. Não importa se o jogo é fora ou em casa, e diante da vitória ou derrota, o ritual é sempre o mesmo. A torcida adversária retribui o gesto cantando o nome do oponente. Após o agradecimento da torcida rival, os atletas se dirigem para a sua torcida, que também canta e os homenageia, independente do resultado.

 

Romualdo recebe o carinho dos torcedores tailadeses

Os companheiros de time também passaram lições…

  Certa vez, após perder um jogo difícil e disputado sofrendo um gol no final da partida, fui para o vestiário muito irritado e chateado pela derrota, o que era nitidamente percebido por todos. Quando me dei conta, todos os meus companheiros de time estavam rindo e brincando como se nada tivesse acontecido, o que me deixou ainda mais perturbado. Foi então que um companheiro tailandês veio me questionar o motivo de eu estar tão nervoso, e obviamente respondi que estava triste pela derrota e pela forma como perdemos. E ele com o mesmo sorriso no rosto me questionou   ‘Roma, você se sentir assim por acaso vai mudar o resultado do jogo? Vamos treinar e tentar vencer a próxima. Ficar assim só vai te fazer mal e não mudará em nada o que já aconteceu.’ Isso me fez refletir muito, e desde então passei a compreender melhor as atitudes deles e como eles lidam com o esporte e com a vida, onde vitórias e derrotas sempre vão existir, e que devemos aprender a lidar com elas.

Romualdo, Léo Santana, Ramon e Felipe na época de AABB

  Fora do futsal, o ritual é o mesmo…

  Outro exemplo que me marcou muito foi quando fui assistir uma partida de futebol de campo em que uma das equipes estava lutando para não ser rebaixada. Na ocasião, o goleiro dessa equipe cometeu uma falha (famoso frango) que resultou em 1 a 0 para o time adversário, ficando nitidamente abalado. Após esse lance, todas as vezes que o tal goleiro pegava na bola, a torcida cantava direcionada a ele, o que obviamente me fez pensar que de alguma forma estavam o insultando e criticando. Quando questionei um amigo tailandês que estava comigo no jogo, fui surpreendido pela resposta, pois ele me explicou que a torcida estava simplesmente cantando e gritando para apoiar o goleiro, já que perceberam o quanto ele ficou abalado e sentido pelo seu erro. Enfim, o time perdeu por esse placar, foi rebaixado e o ritual de agradecimento e de reverência feito pela torcida foi exatamente igual, mesmo diante do rebaixamento. Essa atitude nunca mais vai sair da minha memória, pois para mim esse é o verdadeiro significado do esporte.

O amigo Léo Santana visita Romualdo e a dupla troca camisas

    Como viu o fato de Léo Santana, aqui de Juiz de Fora, chegar à Seleção, considerando que muitos juiz-foranos hoje estão fora do país, o que representou?

  Acho que sou um pouco suspeito para falar do Léo, pois além de considerá-lo um excelente jogador, é um grande amigo pessoal. Como acompanho de perto a sua trajetória e sei da sua dedicação e do nível que ele atingiu, eu sabia que a seleção seria apenas uma questão de tempo, o que me deixou muito feliz. O fato de termos hoje vários atletas da cidade atuando no exterior comprova que Juiz de Fora sempre foi um celeiro de bons jogadores e que muitos outros poderiam ter essa chance de se destacar no futsal mundial. Acredito que se existisse um pouco mais de investimento na modalidade, esse número poderia ser bem maior. A convocação do Léo para a Seleção Brasileira pode ser um grande incentivo para que os envolvidos de maneira geral procurem investir e criar possibilidades para que o desporto se desenvolva cada vez mais na cidade, possibilitando que mais meninos realizem seus sonhos.

  O que projeta depois de jogar? Integrar a comissão técnica de alguma equipe, talvez a atual?

  Eu não costumo pensar muito no futuro, procuro me concentrar no trabalho atual e deixar as coisas acontecerem. Mas com certeza se surgir alguma oportunidade nesse aspecto de integrar uma comissão técnica, seria uma ótima chance, já que eu tenho formação acadêmica em Educação Física, além da minha vivência no esporte. Sem dúvida é um dos possíveis caminhos a seguir após a aposentadoria das quadras.

Veja mais fotos da trajetória de Romualdo Namorato na Tailândia. Clique sobre a imagem que deseja ampliar

Texto: Toque de Bola – Ivan Elias 

Fotos: arquivo pessoal Romualdo Namorato

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