Simão revela que Ademilson não disputaria Módulo 2 e garante artilheiro na Primeira

Resultados da semifinal do Módulo 2 do Campeonato Mineiro: Baeta supera vantagem do empate e mando de campo do adversário no jogo decisivo

  A reportagem do Portal Toque de Bola já estava na tradicional sede do Tupynambás Futebol Clube no bairro Poço Rico na manhã deste domingo, dia 22, quando o gestor de futebol do clube voltou, depois de tomar um banho no hotel após percorrer os 600 quilômetros da viagem de volta de Teófilo Otoni.

  Sem perceber a presença da reportagem, ele foi direto para a cozinha. Precisava ver se estava tudo ok para o churrasco de confraternização que começaria em seguida, reunindo jogadores, dirigentes e torcedores, ali mesmo, na sede.

 Dois acessos em três temporadas

  Há três anos, Alberto Simão, que teve experiência anterior em Juiz de Fora como dirigente do Tupi, fez um acordo de cinco anos com a diretoria do Baeta para retomar o futebol profissional no clube. Em 2016, o time formado subiu da Segundona, que corresponde à terceira divisão, para o Módulo 2, que é a segunda divisão de fato.

  No ano passado, o time se manteve no Módulo 2, sem alcançar, no entanto, novo acesso.

 Força no gol e no ataque

  E nesta temporada, capitaneado pelos veteranos Ademilson, atacante, e Glaysson, goleiro, também ex-carijós, a equipe entendeu bem o formato diferente da competição. Venceu cinco dos seis jogos em casa, buscou quatro pontinhos fora  e terminou com a terceira melhor campanha, entre 12 equipes.

Onça beber água

Na tarde desta segunda-feira, comitiva do Tupynambás esteve na Prefeitura, com p recém-empossado Antônio Almas e o Secretário de Esporte e Lazer, Júlio Gasparette

  Precisava, nas semifinais em ida e volta, tomar a vantagem do América, de Teófilo Otoni, apadrinhado pelo conterrâneo atacante Fred, irmão de criação do treinador Bruno Barros, ex-lateral do Tupi, em duas partidas, decidindo longe de casa.

  Em Juiz de Fora, o empate sem gols ficou marcado por um lance surreal. Depois de a bola bater na trave, Ademilson pegou o rebote e emendou. A bola bateu nas duas traves e não entrou.

 43, número da sorte

  O destino reservava coisa melhor. Quando o América caminhava para conquistar o acesso diante de mais de três mil torcedores em Teófilo Otoni, placar em 1 a 1, o mesmo Ademilson surgiu como um “fantasma” – definição do goleiro Glaysson – dentro da área, em passe de Bilu, e jogou a bola no cantinho direito do goleiro. Baeta 2 a 1 e acesso conquistado!

  Confira a entrevista em duas partes com Simão. Na primeira, no vídeo, ele comenta sobre os bastidores do jogo do acesso e o “corredor polonês” forçado que ele provocou, fazendo com que os atletas mais jovens seguissem até o vestiário sentindo toda a pressão da torcida anfitriã.

  Fala sobre a coroação “justa” de um trabalho e garante que a luta para permanecer na principal divisão mineira já começou nesta segunda-feira, dia 23 (ele e parte da Comissão Técnica e alguns jogadores visitaram, à tarde, o prefeito de Juiz de Fora, Antônio Almas, e o Secretário de Esporte e Lazer, Júlio Gasparette). 

  Na segunda parte da entrevista, dedica atenção especial a Ademilson e revela que o pedido do atacante, antes de começar o Módulo 2, era apenas integrar a Comissão Técnica. Agora, depois de ser o heroi do acesso e símbolo da equipe, o dirigente garante que o contrato do ídolo já está renovado, para uma despedida à altura no Campeonato Mineiro de 2019.

 Encontros marcados

 Os jogos das finais tiveram datas e horários anunciados nesta segunda-feira, dia 23.

  No domingo, dia 29,  Tupynambás x Guarani começa às 11h, no Estádio Municipal Radialista Mário Helênio.

  O campeão do Módulo será conhecido no dia 5 de maio, sábado, em Divinópolis, a partir de 15h.

Acompanhe, em vídeo, a primeira parte da entrevista

Segunda parte da entrevista

  Toque de Bola: O que pode dizer sobre Ademilson, personagem do acesso? No jogo de ida, em Juiz de Fora, ele acertou as duas traves no mesmo lance. E na partida decisiva,marcou o gol que garantiu o acesso do Tupynambás, aos 43 minutos do segundo tempo.

  Alberto Simão: “É um cara que não se preparou para parar de jogar ainda. Tem todo o meu apoio. Quando algumas pessoas viraram as costas para ele, eu o abracei: “Pode vir comigo porque você já me ajudou. É o momento de o Alberto te ajudar.” Então abri a porta uma vez, duas… Este ano, para falar a verdade, ninguém sabe, ele me procurou para pedir um cargo na Comissão Técnica. Eu falei: Ademilson, você vai treinar uma semana e fazer um check up. Se você estiver bem, vai jogar. Uma vaga é sua.

  Sabíamos que ele estava ansioso por este gol. Tem um detalhe interessante: na preleção, falei para os meninos (jogadores mais jovens do elenco). A história do Ademilson, como a do Glaysson e a do Catatu, é muito bonita para acabar no dia de hoje (sábado). Poderia ter sido a aposentadoria dele. Ninguém pensou nisso. E com o acesso, ele sabe que vou renovar o seu contrato. Ele vai fazer o (Campeonato) Mineiro conosco, para ter uma despedida de verdade. Pelo tamanho que foi o jogador, o que representa para a cidade, É o maior artilheiro da história do estádio Mário Helênio, o maior ídolo do futebol de Juiz de Fora, e ele merecia esse acesso. Principalmente com um gol dele. Estávamos muito tranquilos. O professor Guiba (treinador) falou na preleção que os deuses do futebol reservavam esse momento. E ele ficou muito feliz não só com o acesso, mas por ter sido ele, com 43 anos, gol aos 43 minutos do segundo tempo. Foi a cereja do bolo.”

  Toque de Bola: Quando você assumiu o futebol do Tupynambás, alguns disseram até que você devia estar ficando doido. Pegar um clube parado há tanto tempo no futebol profissional. Agora com essa parceria conseguiu o acesso. Como vê essa convivência com o Tupi na primeira divisão de Minas, até por sua batalha pelo chamado futebol do interior, inclusive sugerindo a disputa da fase quartas-de-final no Módulo 1 deste ano (a sugestão acabou sendo aprovada no Conselho Arbitral e efetivada).

  Alberto Simão: “Sempre vai existir o meu respeito pelo Tupi. Tenho um carinho enorme pela torcida. Lógico que divergimos de algumas coisas na parte da diretoria. Mas a instituição Tupi é muito grande. Como é o Baeta, que veio até primeiro (clube foi fundado antes do Tupi). Sabemos que temos um modelo de gestão totalmente diferente. O Baeta veio provar para a cidade que você pode fazer futebol com transparência, organização, prestar contas todas as competições. Temos um modelo diferente de trabalho e acredito que este modelo é ideal e vencedor. Numa sociedade em que hoje a gente talvez dependa do apoio público, e da iniciativa privada, é dando que se recebe, mas você sendo sempre transparente e dando retorno, pode ter certeza que vamos conseguir muito mais coisas. Nossa filosofia é transparência, trabalho, honestidade. Nós já ocupamos um espaço na cidade. Sabemos que deu certo. Vamos continuar muito fortes com isso, com um grupo de apoio mais qualificado ainda para conseguir galgar passos maiores. Esse é o objetivo: não podemos parar por aqui. Trabalhar e melhorar o que nós já temos.”

 

Texto, artes e fotos: Toque de Bola 

Foto reunião: Divulgação

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