Pelo sonho do futebol, Luiz Gustavo finca pé (e mãos) em Portugal

  Jogar futebol profissionalmente. É o objetivo de milhões de garotos brasileiros que crescem vendo seus ídolos em atividade nos clubes que disputam a modalidade esportiva mais popular do planeta.

 Não foi diferente para Luiz Gustavo Pinto Galil, juiz-forano de 20 anos recém-completados que sempre gostou da prática futebolística e, recentemente, deu início à realidade de um sonho. A primeira partida disputada como titular de um novo clube, em fevereiro deste ano, na Europa, palco de grandes equipes e campeonatos de nível espetacular, pode ser o começo de uma jornada de sucesso.

  Ainda não é uma história que terminou com o esperado final feliz. Nada que o desanime: “Depois dessa partida não joguei mais. Achei que teria mais oportunidades, mas não tive. Continuo trabalhando forte, me preparando e esperando mais oportunidades. Seguir trabalhando, na hora certa a oportunidade aparece!”, revela ao Toque de Bola.

 

 

No Cruzeiro

   Começou cedo

  Galil iniciou sua vida esportiva nas escolinhas do Flamenguinho e do Instituto Granbery, onde revelou que era artilheiro, até o momento que seu time passou a necessitar de um goleiro. Tendo em vista a urgência de sua equipe por um arqueiro, resolveu arriscar a mudança drástica de posição e acabou se adaptando muito bem. A partir desse momento, com posição definida, uma série de desafios se apresentaram para o garoto.

   “Peneira” do Grêmio

  A vontade de Luiz em ser jogador de futebol veio quando ainda era criança, dando seus primeiros passos nas escolinhas de futsal. Mas foi aos 12 anos, após ser aprovado em uma peneira do Grêmio, promovida em Juiz de Fora, que o jovem percebeu: era realmente isso p que ele queria para a sua vida. A distância entre Minas Gerais e o Rio Grande do Sul acabou inviabilizando a ida do atleta para Porto Alegre.

 Cruzeiro e Fluminense

No Fluminense

Aos 13, ele foi novamente aprovado, agora para atuar no Cruzeiro, clube que defendeu durante um ano. A pouca idade impedia que ele se alojasse de maneira permanente nas estruturas oferecidas pela Raposa, e os treinos ocorriam de dois em dois meses, em períodos de 15 dias.

  Após esse período, o retorno à Zona da Mata aconteceu, e Luiz realizou testes para o Fluminense, treinando no tricolor carioca por alguns meses até acertar a disputa do Campeonato Mineiro sub-15 pelo Sport Club Juiz de Fora. Além desse torneio, o atleta ainda disputou algumas vezes a tradicional Copa Bahamas, e também tem em seu currículo uma Taça BH, disputada com a camisa do Tupynambás, já aos 17 anos.

   Chance da Europa

   Foi justamente após o bom desempenho nessa competição que as portas do exterior se abriram para Gustavo. O empresário Eduardo Lino afirmou que poderia levá-lo para Portugal, centro tradicional na revelação de jogadores para clubes que disputam as principais ligas europeias. Sem titubear, o menino aceitou o convite, e após ser aprovado nos testes, assinou contrato com o português Sport Club Canidelo, disputando a quarta divisão nacional, que é dividida em distritos, formando uma espécie de disputa regional.

  Após garantir e preservar a titularidade durante toda sua primeira temporada pelo clube, em 2016/17, Luiz Gustavo chamou a atenção de outra equipe da “terrinha”, o Varzim Sport Clube, de melhor estrutura que seu clube anterior. Situado na cidade de Póvoa de Varzim, ao norte de Portugal, com aproximadamente 70 mil habitantes, o novo local de trabalho de Galil passou a ser o Estádio do Varzim, com capacidade para 11 mil torcedores.

  A estreia

 

Na equipe do Centro de Futebol Zico Juiz de Fora

Integrado ao time B, com atletas da equipe sub-23, o brasileiro disputou, no dia 1º de fevereiro, sua primeira partida, justamente contra a sua primeira equipe em Portugal, o Canidelo. A vitória por 2 a 0, fora de casa, mostrou que o jovem começou com o pé direito o caminho em seu novo time, sem sofrer gols, e seguro quando exigido durante a partida, fazendo com que a atuação agradasse ao próprio Luiz e aos companheiros de time.

  O juiz-forano já mostrou que é capaz não só de defender as bolas chutadas contra seu gol, mas também as oportunidades que lhe surgem. O bom desempenho em Portugal é o que ele mira, para poder subir com qualidade para a equipe profissional e alçar voos ainda mais altos do que a ponte aérea Brasil-Portugal.

Confira a entrevista exclusiva do atleta ao Toque de Bola

Como surgiu a vontade de ser jogador profissional?

No futsal do Clube Bom Pastor

“Essa vontade vem desde pequeno, nas escolinhas de futsal. Com 12 anos fui aprovado em uma peneira do Grêmio, aqui em Juiz de Fora e percebi que era realmente isso que eu queria para a minha vida.”

De artilheiro a goleiro. O que o motivou a trocar de posição?

“Quando eu ainda estava nas escolinhas, ainda criança, eu jogava na linha, costumava fazer muitos gols. Mas sempre que faltava um goleiro era eu quem ia para o gol, e nisso acabei pegando o jeito e jogando nessa posição desde muito novo.”

No Sport

Como surgiu a oportunidade de ir para Portugal? Como foi esse processo?

“A oportunidade de vir para Portugal surgiu após a Taça BH, que disputei pelo Baeta. Conheci o Eduardo Lino, um empresário, e mantive contato com ele. Foi quando me informou que conhecia um empresário em Portugal, e ligou dizendo que estava indo para lá, me convidando para ir junto.

Aceitei o convite e embarquei no dia seguinte. Fiz testes no Sport Club Candielo, passei, e retornei ao Brasil para acertar a documentação. Nesse período, o Tupi abriu as portas para que eu pudesse treinar antes de viajar em definitivo para a Europa. Assinei por lá um contrato com a empresa do contato que o Lino me apresentou, Adolfo Lopes, e joguei como titular toda a temporada de 16/17 pelo Candielo.”

No Tupi

Como foi sua chegada ao Varzim?

“Minha chegada foi no começo da temporada 2017/2018. Cheguei para testes e fui aprovado. É um clube de tradição em Portugal, com uma estrutura muito boa, e estou muito feliz de estar aqui.”

Como avalia a sua estreia pela nova equipe, justamente contra seu ex-clube?

“A estreia foi bem positiva. Vencemos por 2 a 0, fora de casa, e além de vencer, consegui não sofrer gols e ajudar minha equipe quando fui exigido. Fiquei bastante feliz, e agora é continuar trabalhando forte.”

Como projeta sua carreira de agora em diante?

“Projeto minha carreira dando um passo de cada vez. No momento, o objetivo é seguir trabalhando e evoluindo todos os dias, perseverando, e estar preparado para todas as oportunidades que surgirem, para ajudar a minha equipe. Estou no plantel sub-23, meu objetivo agora é chegar ao profissional.”

No Tupynambás: Taça BH

O que você pode perceber de diferente em Portugal?

“Particularmente não notei muita diferença. A verdade é que me adaptei rápido. A língua é a mesma, a alimentação é praticamente igual, o que facilitou muito. No mais, é um país seguro, tranquilo, onde o serviço público funciona muito bem. Tem também a questão do frio, bem mais severo do que no Brasil, mas gosto muito de viver aqui.”

E com relação ao futebol. O que muda entre os dois países?

No Varzim Esporte Clube

“No Brasil se trabalha muito a parte técnica, e pouco a parte tática, enquanto aqui em Portugal se trabalha muito mais a parte tática e pouco a parte técnica. No geral, aqui temos um jogo mais físico, rápido e tático, com pouco espaço, onde normalmente vence quem errar menos.

Na parte dos goleiros, aqui estamos muito mais incluídos no processo de jogo. Se exige muito mais que nós tenhamos capacidade jogar com os pés, e controlar profundidade, que é a bola nas costas da defesa, e jogar como líbero. Tenho um preparador de goleiros muito bom, que tem me ajudado bastante nisso, além da parte técnica.”

 

 

 

Texto: Toque de Bola, com reportagem do estagiário Bruno Brigatto e edição Ivan Elias

Fotos: Arquivo Pessoal e Divulgação

 

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