Virose no Carijó? Dirigente admite possibilidade, mas não quer usar como desculpa

  Além de aspectos técnicos, táticos e físicos, há alguma outra explicação para o torcedor diante de uma atuação tão apagada do Tupi, nos instantes finais do primeiro tempo e em toda a segunda etapa? Tempo em que a equipe praticamente parou em campo e assistiu, sem resistência, ao Uberlândia chegar aos 5 a 2 no placar?

Mesmo enfatizando a todo instante que o fato não pode ser usado como desculpa pela atuação, o dirigente que responde pelo futebol do Tupi, Nicanor Pires, revelou aos jornalistas, após o jogo, que vários jogadores passaram mal de sexta-feira, véspera da partida, para sábado, com diarreia e vômitos.

  O relato

Preocupado em dizer a todo instante que a revelação não era para justificar a derrota, Nicanor explicou melhor ao Toque de Bola, neste domingo, dia 21, o que ocorreu:

“O que aconteceu é que tivemos alguns atletas que passaram mal de sexta para sábado, com diarreia e vômito. Acreditamos que tenha sido uma virose – nessa época do ano é comum ter virose. Querendo ou não, vômito, diarreia, isso desidrata e causa debilitação nos atletas. Isso ocorreu tanto com os jogadores que estavam no time titular, no banco de reservas e até com jogadores que nem para o banco de reservas foram. Mas isso não pode servir de desculpa para nós ou para justificar a derrota do jeito como foi. Fica até chato falar sobre isso porque parece que a gente está querendo justificar uma derrota. De forma alguma podemos colocar a culpa da derrota nessa situação.”

 Já se sabe o que pode ter ocasionado essa virose? O que os jogadores disseram? 

“Não tem como a gente saber. Virose está no ar. Se um pegou, todos no mesmo ambiente, é normal que outros peguem. Mas não podemos garantir que é virose porque não foi feito exame.”

O dirigente e responsável pelo departamento médico carijó, José Roberto Maranhas, não esteve na partida e escalou um colega para substituí-lo no estádio.

  Maranhas disse que não foi contactado, na manhã de sábado ou antes do jogo, sobre o problema ocorrido com os jogadores.

Bastidores da derrota

Uberlândia faz festa e comemora goleada em pleno Estádio Mário Helênio

Apesar da garantia de Nicanor sobre a permanência do técnico Alexandre Barroso no comando da equipe, o Toque de Bola apurou que já há questionamentos da direção do clube à Comissão Técnica.

Extra-oficialmente, a cobrança se deve a ausência de um futebol mais competitivo da equipe e de um padrão de jogo melhor definido para iniciar o Estadual.

Mesmo ciente que não há no elenco um jogador sequer titular da Série C no Estadual – Marcel poderia ser o remanescente, mas transferiu-se para o Taubaté no início do ano, esperava-se um rendimento melhor em função do tempo de preparação, superior ao de outras temporadas. Foram disputados, inclusive, seis jogos-treinos entre o final do ano passado e o início deste ano.

A escalação de Tchô já para começar jogando diante do Uberlândia é um ponto citado nos bastidores. O próprio jogador declarou, na semana passada, quando chegou, que calculava em 15 dias o tempo necessário para estar em condições de ser aproveitado na equipe.

Na entrevista após a partida, sobre a estreia do Tchô, Barroso afirmou: “É um atleta que pode nos dar muita coisa positiva, tem um nível muito acima do normal para os campeonatos que disputamos, mas ainda não está nas condições ideais. Hoje jogaria 70 minutos, acabou jogando 60. Vamos avaliando.”

Ponto de concordância entre Comissão Técnica, dirigentes e torcedores foi a boa impressão deixada pelo atacante Reis, que acabou ficando em segundo plano em função do resultado elástico.

Perguntado na coletiva se Reis, que também fez sua estreia, acabou jogando muito sozinho na frente, o treinador respondeu: “O Reis fez um bom primeiro tempo, junto com a equipe. É um ótimo homem de referência, e define o estilo de jogo da nossa equipe. Sem ele nosso estilo de jogo muda. Na segunda etapa ele acabou jogando isolado. Não encaixamos nosso jogo, e isso acabou prejudicando. Mas é um ótimo atleta, que estreou com um belo gol.”

 

Texto: Ivan Elias – Toque de Bola

Foto: site da Federação Mineira de Futebol