Vitória deixa JF Imperadores a um passo do acesso. Coordenador ofensivo revela bastidores e crê em evolução

Além do setor defensivo, que tem sido destaque durante a campanha na temporada 2017, o ataque do JF Imperadores também segue dominando e passando por cima dos adversários. No último domingo, 22, o time fez 42 pontos contra 34 da Ponte Preta Gorilas pela Liga Nacional, em partida que ocorreu em Vinhedo-SP.

O resultado colocou o time juiz-forano na semifinal do torneio e agora a equipe aguarda o confronto entre Jaraguá Breakers e Gaspar Black Hawks que será dia 4 de novembro, pela decisão da Conferência Sul. Mesmo com o bom rendimento, o responsável por comandar o setor, Renan Carvalho, coordenador ofensivo do time, acredita que ainda há o que evoluir.

  “Ainda não viram todo nosso potencial”

Renan Carvalho, coordenador ofensivo do JF Imperadores, conta ao Toque de Bola os bastidores da preparação

“De forma geral estou satisfeito com o desempenho da equipe, mas acredito que temos muito a evoluir como time, e as outras equipes ainda não viram todo o nosso potencial por completo. E eu espero que nas próximas partidas a gente consiga demonstrar todo esse potencial que estamos trabalhando. Um dos principais pontos para demonstrar isso é poder reconhecer as falhas que apresentamos nos jogos, e tentar melhorar com base nelas. Tem sido um dos meus principais trabalhos ao longo desse ano, identificar todos os problemas que tivemos, jogo após jogo, e tentar corrigi-los de maneira pontual, de forma a elevar o nível da equipe”.

Essa foi a sexta vitória em seis jogos dos Imperadores que estão invictos na competição. Mesmo se classificando à final, o time ainda não garante o acesso porque depende do resultado do Rio Preto Weilers, que também é da Conferência Sudeste. Pelo regulamento, somente uma equipe por conferência conquista vaga no Brasil Futebol Americano (BFA) – primeira divisão da modalidade. O Weilers está na outra semifinal e enfrenta o vencedor de Rondonópolis Hawks e Sorriso Hornets, da Conferência Centro-Oeste.

  Seriedade é a tônica

  Aguardando a definição do adversário na próxima fase, Renan já projeta o duelo e diz também que a preparação já começou. “Esperamos que seja um jogo duro, como todos os outros que a equipe enfrentou, porque não é só nós que estamos preparados, do outro lado tem um time, outra instituição que também está preparada, repleta de sonhos. Esses atletas que deixam suas casas com família, trabalho, para poder jogar, treinar… Temos que ter seriedade e saber que será um confronto duro e a partir disso se preparar cada vez mais para seguir no nosso objetivo que é ser campeão. Felizmente já garantimos a possibilidade de ter essa nova disputa na semifinal, temos essas semanas para nos preparamos. E a preparação já começou”.

Confira o bate papo com Renan Carvalho, jovem treinador de 24 anos da linha ofensiva do JF Imperadores:

TB: Como foi sua chegada ao JF Imperadores?

Renan Carvalho: “Eu aceitei o cargo logo após o final da Copa Minas, reconhecendo todo o talento que a equipe tinha, tudo que ela ainda tinha para evoluir. Aceitei sabendo que teria muito trabalho pela frente. E eu só entrei nessa para fazer um trabalho bem feito e com a certeza de que se todo aquele elenco que estava ali presente, e toda promessa do elenco que estava por vir, trabalhasse da forma que deveria, isso era o resultado esperado. Entrei com essa mentalidade: ter uma equipe com vontade de ser campeã. E eles estão colhendo todos esses frutos e me deixando cada vez mais orgulhoso ao vê-los em campo”.

TB: Antes do início da competição, você esperava que a equipe chegasse onde está ou de certa forma foi uma surpresa?

Renan Carvalho – coordenador ofensivo

Renan: “Isso tudo aconteceu antes da contratação do KC. Obviamente a contratação dele traz grandes oportunidades, abre muitas portas e torna muita coisa viável. Toda a equipe que tínhamos, todo conhecimento agregado, a contratação dos reforços na linha ofensiva, dos talentos que a gente tinha no corpo de recebedores, eu já sabia que havia um bom núcleo para trabalharmos em volta. E se eles se dedicassem mais do que eu estava me dedicando, o resultado tenderia a ser esse”.

Toque de Bola: A equipe ainda não perdeu na Liga Nacional e chega para as semifinais invicta. Na sua opinião a que se deve essa grande fase do time?

Renan: “O sucesso do time nessa grande fase que está vivendo vem do trabalho da diretoria fora de campo, permitindo a concretização desse trabalho de você ter uma estrutura. O trabalho de agregar conhecimento trazendo outros jogadores desde o início do ano, que participaram, mas não estão mais na equipe, ou que ainda estão ou vieram depois, permitiu que uma equipe que é completamente nova, com pouco tempo de competição, pouco tempo que possui equipamentos e está inserida no cenário nacional, rivalize de igual para igual com muitas que já estão estabelecidas há algum tempo”.

TB: Uma coisa que chama a atenção é o fato de muitos jogadores não serem da cidade, o que acaba dificultando para que treinem juntos. De que forma isso influencia a equipe?

Renan: “Não sou de Juiz de Fora, sou de Vitória-ES. É por isso que ressalto que o trabalho da diretoria tem sido fenomenal, porque tem vários jogadores de fora. E ter que coordenar todos esses horários diferentes de cada pessoa, tem sido um desafio enorme. Sem dúvida isso atrapalha no desempenho. Mas não deixamos de forma alguma isso segurar o nosso potencial. Manter a comunicação com todo esse staff de forma dinâmica, e permitir que todos os treinos sejam feitos de forma eficiente, clara e de que todo conhecimento seja passado, está contribuindo para a evolução dos jogadores de forma individual, o que está elevando o nível de jogo da equipe”.

TB: Como é feita a preparação para os jogos diante disso?

Renan: “Grande parte é feita pela coordenação. E também saber que todos estão a par do que está acontecendo. Fazemos reuniões para manter um diálogo aberto com os jogadores, e principalmente, todo treino é filmado, todo treino tem um cronograma fixo que deve ser seguido. Após cada treino eu avalio o desempenho e aponto as mudanças a serem executadas. Todo o trabalho é realizado com extrema comunicação e coordenação pela diretoria. Sem esse suporte o trabalho seria inviável”.

TB: Dessa forma, como os jogadores conseguem assimilar as jogadas e estratégias, dada sua complexidade?

Renan: “Nós lidamos com um sistema ofensivo bastante complexo, e isso demanda bastante comunicação entre todas as partes. Tento demonstrar o meu melhor para os jogadores, passando as madrugadas envolvido nesse trabalho, mostro esse tipo de dedicação e espero que eles façam o mesmo. E eles tem me pagado isso dentro de campo”.

TB: Você comanda um dos melhores jogadores do país, que é o KC Frost, e ele tem feito a diferença nos jogos. Como é trabalhar com um atleta desse nível?

Renan: “Trabalhar com o KC tem sido uma experiência ímpar. Além de um excelente jogador e atleta, ele é uma excelente pessoa, um cara extremamente humilde, simpático e sempre aberto ao diálogo. A comunicação tem sido fundamental, sempre quando ele vê alguma coisa que acha interessante incorporar, nós paramos, analisamos e inserimos. Ele é tão talentoso que tem vários elementos do jogo, que tê-lo na nossa equipe possibilita que façamos. Sem ele provavelmente não conseguiríamos cumprir determinadas jogadas e estratégias que acabamos implementando ao longo da partida. Fora as jogadas que saem de scramble drews (tática onde o quarterback se move atrás de onde se iniciou a jogada, de forma a evitar a chegada dos adversários, enquanto ganha tempo para encontrar um recebedor livre), como opção quando o KC deixa o pocket (formação na qual a linha ofensiva diminui os espaços entre si para proteger melhor o quarterback, utilizada em situações de passe), muitas jogadas são baseadas no fato de que ele é uma ameaça terrestre, por ser um jogador de tanto talento físico”.

TB: Muitas vezes o próprio KC faz a jogada terrestre. Isso é uma coisa treinada?

Renan: “Um dos grandes elementos que venho enfatizando ao longo dos treinos, é que por ele ser um quarterback extremamente móvel, a gente trabalha scramble drews nos treinamentos. Todo treino envolve isso, onde temos a jogada normal se desenvolvendo, e a partir do momento onde o KC deixa o pocket para poder trabalhar com suas pernas e ganhar mais tempo, eles (os recebedores) vão começar a desenvolver as rotas deles de forma a se tornarem melhores opções para o KC. Já é algo programado, a gente programa esse tipo de situação porque sabemos que isso vai acontecer. O KC vai sofrer proteção e por ser um atleta fenomenal, ele vai ganhar tempo com as pernas. E na impossibilidade de realizar o passe nas opções apresentadas, todos sabem que devem bloquear, pois estão lidando com um atleta de extrema velocidade e que representa um problema”.

 

Texto: Toque de Bola

Fotos: Micarello Fotografia

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