Marcel: “Se eu for o peão desse grupo e conseguirmos o objetivo, não importa”

  Foi como se aquele ator sempre candidato a prêmio de coadjuvante ganhasse o papel principal. O volante Marcel, que dificilmente ganha  as luzes de protagonista após os jogos e  raramente dá entrevistas, teve “uma luz”, como ele mesmo definiu, e partiu para a  pequena área na expectativa de uma sobra do goleiro do Mogi Mirim na cobrança de falta de Bruno Santos.

  A luz funcionou! Marcel aproveitou o rebote e teve categoria para marcar o seu primeiro gol pelo Tupi no Estádio Municipal Radialista Mário Helênio. Em função da  grande repercussão não só do gol mas de  sua comemoração junto aos torcedores, o Portal Toque de Bola apresenta a íntegra de sua entrevista coletiva, concedida após a partida, ainda no estádio.

O GOL

“Fico feliz pelo gol.  Deus vem me abençoando com esse gol e boas partidas. Fico feliz em ajudar o Tupi mais uma vez. Esse gol foi muito importante para o nosso grupo, para nos manter lá em cima, com a mesma pontuação que o líder, diferença só de saldo de gols, e nos manter no G-4 nesta reta final. Abrimos pontos importantes sobre adversários que estão na briga para se classificar. Esse gol foi muito importante, agradeço a Deus pela oportunidade e parabenizar o grupo pela entrega e por essa vitória. Foi apertada, foi de 1 a 0, contra o lanterna, mas foi muito importante para pensar no próximo jogo diante do Botafogo.”

Com o mascote do Carijó, Marcel comemora o gol bem próximo dos torcedores na arquibancada do Estádio Municipal Radialista Mário Helênio

A COMEMORAÇÃO DO GOL

“Tem que extravasar. Estou desde o começo depois do descenso do ano passado, e eu sou de Juiz de Fora e fico ouvindo muita conversa. Pessoal da cidade, que é para apoiar, fica falando sobre o Tupi e eu fico triste, chateado. Fui criado aqui, é como se ofendesse alguém da minha família. Esse gol foi para as pessoas que não acreditaram na gente, que não acreditavam na gente e falaram que nosso time ia cair com 10 rodadas. Venho fazer um apelo para a torcida de Juiz de Fora. Eu já vi esse estádio lotado na Série D, até numa Taça Minas eu vi ele lotado, e acho que o Tupi está fazendo por onde ter a confiança do torcedor. Espero que o torcedor volte. Quero pedir ajuda para quem é da cidade, para poder ceder mais um dia de treino aqui no Estádio. Se a Prefeitura puder nos ajudar, vai colaborar muito porque nessa reta final, o grupo está focado e vai conseguir a classificação”

GOL “SANTO DE CASA FAZENDO MILAGRE”?

“Com certeza foi um gol do “santo da casa”. Estava brincando com os companheiros que eu nem treino ir para área em bola parada, fico mais na contenção para desarmar e marcar lá atrás. Hoje Deus me deu uma luz e eu falei: vou nessa bola e resolvi ir na área. Sei que o Bruno bate bem na bola e eu fui decidido: se não for gol, ela vai sobrar para mim. Graças a Deus sobrou e  eu pude ajudar o grupo”.

SOBRE O TUPI NÃO CONSEGUIR DITAR O RITMO NAS ÚLTIMAS  PARTIDAS

 “Dois times de baixo da tabela nos últimos jogos.  Para quem está de fora, acha que é fácil. Lanterna, tem que golear. Não é assim não. Quem viu o jogo e achou que o Mogi ia entregar… Os caras correram demais. Conheço uns três jogadores que atuaram comigo em outro clube e eles disseram: nós não desistimos ainda não. A Federação Paulista ajudou eles lá com dinheiro e eles falaram que vão lutar até o final porque querem uma oportunidade em outro time. Todo time desarmado, desmanchado, tomo mundo se manda. Igual o Macaé. Foram cinco para frente, até o zagueiro. Fica difícil para a marcação. Todo jogo que estiver ganhando dentro de casa vai ser mais ou menos isso aí. O time deles abandona (a defesa), tentando o empate, e nosso time tenta segurar. Mas graças a Deus nossa defesa é um dos pontos fortes do time, e a bola não vai entrar não. Vamos trabalhar forte, contra o Botafogo se pudermos fazer um gol melhora”.

DEDICAR O GOL AOS FAMILIARES

“ Dedico aos meus dois filhos, à minha esposa, meu pai. Só eles sabem o que eu passo. Por ser jogador de Juiz de fora a cobrança é alta, muitos torcedores queriam ser jogador e não conseguem. Muitos falam “o que o Marcel está fazendo aí”, “o Marcel é ruim”, mas eu tenho vontade e sei do meu papel dentro de campo. O futebol é igual a uma firma. Tem o presidente, o diretor, o encarregado e peão, o abaixo do peão.  Se eu for o peão desse grupo e conseguirmos o objetivo, não importa. Posso ser chamado de caneludo, ruim, que eu vou estar lá ajudando o grupo, dando carrinho e se Deus abençoar com o acesso vai ser muito bom. Gol vai para o meu pai, a minha mãe, os amigos que estão aí no dia-a-dia e não me deixam desanimar”.

PRIMEIRO GOL NO ESTÁDIO MÁRIO HELÊNIO

“Nunca fiz um gol no estádio como jogador do Tupi. Fiz um contra o Oeste, lá em Itápolis, na semifinal da Série D de 2011, que fomos campeões. Ainda bem que esse tempo sem gol acabou. Quem sabe podem vir mais alguns?”

QUASE 100 JOGOS PELO TUPI

“Fico feliz. O presente veio antes. A gente não sabe quando vai poder fazer outro gol. Tudo tem um combinado no grupo, e é treinado. Meu treino é marcar forte e conseguir distribuir a bola.  Mas se deus me abençoar de novo e eu tiver mais liberdade de chutar para o gol, vou chutar. O professor Aílton dá essa liberdade também. Quem sabe pode sair mais gol?”

 

Texto: Toque de Bola, a partir da  entrevista coletiva com a presença da reportagem do Portal

Foto:  Tupi

Edição: Ivan Elias

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