Fala, Aílton! “Estilo Botafogo, treinador x-tudo, jogador de purrinha e nunca gostei de 3-5-2”

Aílton elogia equipe e demonstra bom humor após triunfo sobre o São Bento

  Com a sinceridade de sempre  e feliz por cumprir o dever de casa – 1 a 0 sobre o São Bento, diante da torcida, pela quarta rodada da Série C, o treinador do Tupi, Aílton Ferraz, mostrou bom humor em vários momentos da entrevista coletiva concedida após a partida disputada na tarde de sábado, 3, no Estádio Municipal Radialista Mário Helênio.

   Além de repetir o mantra “sangue nos olhos”, que o acompanha desde a chegada ao clube, então ameaçado de rebaixamento no Campeonato Mineiro, Aílton brincou com Bruno Santos pela fase de artilheiro – “primeiro ele tem que agradecer ao treinador”, citou o Botafogo como modelo a ser seguido – “equipe que acha o gol, e depois é difícil tomar”, disse que para estar sempre em busca do “sangue nos olhos” dos jogadores tem que ser “treinador x-tudo”, revelou que nunca foi fã do sistema adotado agora pelo time – 3-5-2 – e disse que gosta de chamar os seus comandados de  atletas, uma vez que “jogador” pode ser de baralho ou de “purrinha”.

 

 Confira, abaixo, a entrevista coletiva concedida por Aílton Ferraz após Tupi 1 x 0 São Bento:

Sangue nos olhos

“Sangue nos olhos, como eu sempre peço. Falei com eles: se jogarmos como foi hoje, com vontade, entrega total, um gol a gente acha. Falamos, às vezes eles não acreditam, mas viram que a coisa acontece. Estamos felizes pelo resultado, ganhamos do então líder da nossa chave. Fizemos o dever de casa. Contra o Ypiranga foi um pecado gravíssimo, porque a matemática é vencer em casa e não perder fora. Mas vamos recuperar na caminhada esses pontos que deixamos de ganhar em casa”,

Vitória para dar moral

“Todo começo é difícil. Tem muitos jovens na equipe e estamos procurando mesclar isso melhor. Mas a resposta do jogo de hoje foi muito boa. Tira até aquela mística de com três zagueiros estar jogando recuado. As pessoas às vezes cobram. Mas com três zagueiros você libera dois alas. O lateral não é mais lateral, é ala. Pode entrar na área. O gol foi prova disso. Um lateral como ala lado criando, e outro fazendo o gol.  Assimilaram bem em pouco tempo de treinamento para mudar de sistema. Mas é a coragem que o treina dor tem que ter, e a equipe assimilou bem. A importância de vencer em casa é real, agora é tentar a sequência fora, não perder ou, quem sabe, achar os três pontos.”

Empenho: Botafogo

“Vejo muitos jogos. Costumo citar algumas equipes, e falei até do Botafogo, que não tem uma equipe brilhante, mas tem sangue nos olhos. É uma equipe que para penetrar na defesa deles é difícil. Que acha o gol, e depois é difícil tomar. Falei com eles que queria ver a equipe dessa forma e disse: vocês precisam dar essa resposta. Todos que estão aqui buscaram esse campeonato pela visibilidade. Tem que chegar e dar o seu máximo. Se você tem 500 metros para fazer e faz 400 e pouquinho, não adianta. Tem que fazer os 500. Eles estão entendendo isso, mas não é fácil. Não temos nenhum psicólogo para ajudar. Então treinador a gente chama de “x-tudo”. Tem que ser psicólogo, dar dura, o cara que não está bem você tem que puxar. Mas estou satisfeito com a partida de hoje (sábado), mas amanhã é virar a página e pensar só no Macaé.”

O 3-5-2 assimilado

“Na minha filosofia de trabalho não gosto de fazer só um sistema, 4-4-2 , 4-3-2-1. Uma salada mesmo. Quase todo dia eu faço essa mistura. Para que? Porque às vezes você inicia com um sistema, mas não termina com ele. E na hora da marcação, muda, varia muito. O 3-5-2 para ser sincero nunca gostei, mas vi que encaixou bem para nossa equipe. O Patrick assimilou bem. Um jovem, mas com personalidade. Tivemos dificuldades lá contra o Joinville, hoje (sábado) já foi bem menos. O balanço foi perfeito, para isso fazemos o trabalho de três balizas. Para ter esse balanço rápido. Hoje eu daria um 8,5 para a minha equipe. Gostei muito, assimilaram muito bem. Só não podemos nos empolgar. É o quarto jogo. Ainda tem muita coisa pela frente, muito mato para ser capinado, mas ficamos satisfeitos de fazer o trabalho de casa bem, como foi.”

Flávio: muito inteligente

“Ele entrou do jeito que ele joga mesmo. Faz bem o pivô. Muito inteligente. Quase fez um gol do meio-campo. Finaliza bem demais. Demorei para colocá-lo porque não está bem fisicamente, sabíamos que não aguentaria o tempo todo. O Rafael deu o seu máximo. É um cara guerreiro, totalmente diferente um do outro. Um mais técnico, o outro mais guerreiro. Um cansa o zagueiro, depois entra o outro, com mais finalização e mais experiente. Um mais técnico e outro mais guerreiro. Rafael tem 21 anos, jovem, mas é um jogador que me agrada pela dedicação e entrega no jogo. Estou lutando por jogadores que tenham esse perfil. Patrick tem esse perfil, Bruno, Marcel, Kalu, e eles estão contagiando os outros. Não que eles não tenham. Só não deixam aflorar. Estamos tentando tirar deles o máximo a cada dia. Falando. Motivando. Só dessa forma vamos conseguir fazer isso aflorar.”

 

Momento que decreta primeira vitória do Tupi na Série C. Bruno Santos, agora ala, cabeceia forte e colocado: 1 a 0 sobre o até então líder São Bento

Bruno Santos artilheiro 

“Primeiro ele tem que agradecer ao treinador (risos). Fazemos ás vezes umas loucuras, mas sabemos das características de cada um. Sabemos dessa força do Bruno. Ele, no mano a mano, é um jogador forte para fazer essa virada. Demos sorte nisso. Contra o Joinville foi um lateral que o Marcel bateu,  não era para o Bruno estar lá, mas ele estava. É o que eu falo: o atleta nos treinos a gente treina tudo, conversa tudo, mas no jogo a tomada de decisão dele é muito importante. Deixamos ele bem à vontade sobre isso. Falo com eles. Tem situação que você não precisa ficar robotizado. Deu na sua cabeça de fazer, faça. Mas tenta fazer o melhor possível. Se não der, mata a jogada. O Bruno assimilou bem a função. O Lucas está crescendo cada vez mais. Bruno é um atleta – não costumo chamar de jogador, jogador de baralho, jogador de purrinha. Mas um atleta mesmo. Que quer vencer. Bruno tem um perfil muito bom. Treina sério, é líder também. Ficamos felizes. Na função, dois jogos, dois gols, isso é  bom para o grupo. Ele falou que o gole para o grupo, da presidente ao porteiro. É um grupo que está trabalhando forte, todos sabem das dificuldades que temos. Mas todo mundo tem dificuldades. E temos que superá-las no campo.  Para tudo mudar no Tupi, temos que fazer bem no campo, e eles estão entendendo isso primeira vitória. Não estamos empolgados. Espero que a gente possa continuar com esse brilho nos olhos, e essa pegada, essa entrega. Isso é muito importante a cada jogo.”

 

Texto: Toque de Bola

Fotos: Toque de Bola e Tupi

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