Se não vender jogador, vai parar? Contas em dia? Tupynambás e Villa juntos e misturados? Baeta põe as cartas na mesa

 O futebol do Tupynambás precisava de algumas respostas. Por isso o Toque de Bola foi direto aos pontos.

  Antes da vitória sobre a Patrocinense, sábado, 29, entrevistamos o responsável pelo departamento de futebol do Baeta, empresário Alberto Simão. E o dirigente não fugiu da dividida.

   Algumas questões levantadas:

1)  Se não negociar um ou dois jogadores, o departamento fechará as portas?

2) Por  que o time fracassou no hexagonal,com cinco derrotas consecutivas?

3) Não é estranho o dirigente aceitar o convite do Villa Nova em plena disputa do Módulo 2, ele estando no Baeta? Dá para conciliar?

4) Na visita feita ao presidente da Federação Mineira, o que pode ser anunciado de concreto?

5) Como ficaram os vencimentos atrasados com o elenco que disputou a Segundona, em 2016? E nesta temporada, está tudo em dia?

 Confira as respostas de Alberto Simão.

(Veja, abaixo, o vídeo, com a íntegra da entrevista, também publicado em nosso canal no YouTube e em nossas redes sociais)

 

TOQUE DE BOLA – O treinador Ludyo Santos  disse em uma entrevista coletiva, após uma partida, que o objetivo do Tupynambás, caso o acesso não seja conquistado, era pelo menos vender um ou dois jogadores. Porque o clube hoje é gerenciado por um empresário e precisa-se de dinheiro, se não o clube pode até fechar as portas mês que vem. Referindo-se ao futebol, naturalmente. Como é esse tipo de declaração?

Alberto Simão – “Obviamente que também tem o calor da partida, tínhamos uma expectativa muito grande nesse hexagonal. Até porque a equipe estava encaixada, foi feito um investimento nesse hexagonal final. É a maneira de interpretar. Temos um modelo de trabalho, a gente trabalha sim com a previsão de vendas de atletas, que é o ativo para o clube. Se queremos mudar a história do Tupynambás, essa história passa sim pela venda de jogadores. Mas não tem a menor possibilidade de interromper esse trabalho. Tendo venda ou não, esse trabalho vai dar sequência, principalmente porque estamos conquistando novos objetivos. Tem muito pouco tempo que o clube voltou e já conquistamos o primeiro objetivo, já estamos no hexagonal final. O que precisamos hoje é fazer um alicerce melhor no clube, estamos melhorando todas as áreas do clube para podermos ter um time muito mais forte, para a hora que a gente subir poder dar uma sequência e não correr o risco de estar caindo.”

 

TOQUE DE BOLA – O que aconteceu no hexagonal? O Ludyo disse que já nos primeiros jogos se esperava dificuldade, pelos jogos serem consecutivos, um grupo jovem, e com pouco tempo de treinamento. Mas cinco derrotas seguidas, o torcedor não espera. E vocês internamente?

Alberto Simão- “Ninguém esperava. Tínhamos um objetivo, um sonho de conquistar esse acesso. Mas é uma situação atípica para todo mundo. A equipe vem jogando bem, agora o futebol a gente sabe que quem não acompanha vê o resultado ele maximiza o problema e fala: ‘ Ah, mas são cinco derrotas. ’ Não posso nem me dar o luxo de chegar no vestiário e meter o pé na porta e cobrar dos atletas. Porque não está faltando vontade, o que está faltando realmente é essa bola entrar. Então eu acredito, que tem que ter um pouco mais de tranquilidade, até por ser um grupo muito jovem a gente peca na hora de finalizar. Infelizmente são cinco derrotas, mas não condiz com o que está sendo apresentando em jogo.  É  uma situação atípica, eu nunca passei por isso, é difícil ver um clube de futebol passando por isso, mas a gente sabe que está no caminho certo, jogando bem, essa bola vai entrar e nós vamos mudar essa rotina.”

Jogadores comemoram gol sobre Patrocinense

TOQUE DE BOLA – A sua ida para o Villa Nova: coincidência ou não, depois o Tupynambás não conquistou nem mais um ponto. E o torcedor pergunta, gostamos sempre de trazer a pergunta do torcedor. “Mas como é que ele está lá e como é que está aqui?”,  “O que ele faz lá e o que ele faz aqui?”. Então essa é sua chance agora…

Alberto Simão- “Eu acho que quem tem competência se estabelece, não é? Quem estudou, quem aperfeiçoou postos, hoje tem espaço no futebol profissional. Muita gente que não tem a menor condição de continuar no futebol profissional gosta de buscar polêmica, de dar palpite. A gente tem que entender, eu sou uma pessoa democrática. Eu acho que o pessoal está fazendo uma tempestade, todos os jogos do Tupynambás eu estou presente, maioria dos treinamentos. Eu faço a gestão macro do Tupynambás,  faço todo o  planejamento, contratação, o gerenciamento de todas as áreas. No Villa Nova, faço apenas a gestão do futebol profissional, é um trabalho totalmente diferente. São clubes de divisões diferentes, e inclusive temos que optar por adequar os calendários. O Tupynambás, subindo ou não, encerra suas atividades no dia 20 de maio. O Villa Nova tem todo um segundo semestre. Estamos agregando muito valor para esse projeto, o Villa Nova vai propiciar alguns elementos diferentes para nossa formação, e vocês vão ficar sabendo em breve o que vamos conseguir para um ajudar o outro.”

TOQUE DE BOLA – Lá na primeira apresentação do futebol do Tupynambás este ano, fizemos um questionamento sobre a arbitragem, que infelizmente acabou tendo o jogo com consequência muito séria e nem  precisou da gente ficar pegando opiniões de vocês porque vimos que o lance que gerou o escanteio foi um lance absurdo. E depois você teve uma oportunidade, segundo a assessoria do clube, de fazer uma visita à Federação Mineira, que já estaria agendada. E você é considerado uma pessoa de bom trânsito na federação desde os tempos do Tupi. Dá dessa conversa ter algo de mais pratico? Ou foram coisas diferentes? Ou você tocou no assunto de arbitragem? Resume um pouquinho o que pôde trazer de concreto com  essa sua visita junto ao presidente da Federação?

 Alberto Simão – “Hoje existem profissionais do futebol, no qual eu me incluo. Temos uma liderança junto aos presidentes das equipes do interior e da capital, hoje a gente fomenta o esporte e nós trazemos novidades. Eu fui levar alguns pedidos dos presidentes sobre a Taça Minas Gerais, que é importante. Se você for pensar hoje, Uberlândia, Guarani de Divinópolis,  Democrata, América de Teófilo Otoni, Araxá. Times importantes já estão com departamento de futebol fechado. A gente precisa mudar essa realidade, sabemos que o Brasil vive uma crise econômica muito grande, é muito difícil os clubes se manterem. Se você não tiver uma boa criatividade, uma boa gestão, o que vai acontecer é o desaparecimento de alguns clubes. Infelizmente vocês acompanham na própria cidade o problema financeiro que algumas equipes estão tendo, então, a gente procura fazer diferente, fazer uma gestão transparente, austera, para que não tenhamos problemas. O Tupynambás, se enquadra muito nisso, a  gente viveu alguns problemas financeiros, vivemos alguns problemas financeiros, é uma empresa, temos toda uma programação financeira para que não tenhamos problema nenhum  no clube. O clube retornou agora de uma longa inatividade, e podem ter certeza é um projeto longo, duradouro, que ainda vai dar muito resultado para a cidade de Juiz de Fora.”

Alberto Simão admite necessidade de negociar jogadores, mas garante que não há riscos de fechar as portas do futebol do clube

TOQUE DE BOLA – Aquela pendência que você sempre assumiu em relação ao time do ano passado foi resolvida? E esse ano como está em relação ao elenco que está em atividade no modulo 2?

Alberto Simão – “Nós fizemos um acordo com os jogadores, fizemos um parcelamento, são três parcelamentos, mas os jogadores, cada um têm direito a duas parcelas. Nós dividimos a dívida de todo mundo em dois pagamentos. Então, já foi feito o primeiro e até o fim dessa semana estaremos zerando com esses jogadores. Para podermos viver apenas de 2017. O Tupynambás tem mais de vinte parceiros hoje na cidade. Pela credibilidade desse projeto pode ter certeza, outros parceiros estão chegando para a gente se fortalecer mais ainda. Sabemos que o calcanhar de Aquiles hoje é a falta de um patrocinador maior. Mas  a gente sabe que a cidade está abraçando, conhecendo nosso projeto, mesmo no segundo semestre sem o futebol, nosso departamento de marketing e comunicação de futebol vão trabalhar arduamente para já preparar um 2018.”

TOQUE DE BOLA – Você disse, quando assumiu, que sua parceria com o Tupynambás era de pelo menos cinco anos. Qual é o seu compromisso de tempo com o Villa Nova?

Alberto Simão- “O meu compromisso com o Villa Nova inicial é até o final de 2017. Como já disse não vejo problema nenhum, são dois trabalhos que se encaixam. O Tupynambás acaba  o campeonato em maio e o Vila Nova começa em maio na série D. O mais importante é massificar o esporte na cidade, melhorar a estrutura do Tupynambás, para fortalecer a cada dia mais e chegar na tão sonhada primeira divisão.”

TOQUE DE BOLA – Para fechar: o Tupynambás não vai parar?

Alberto Simão- “Não. É um projeto que chegou para ficar.  A nossa credibilidade junto a cidade, ao empresariado é muito grande. E muito pelo contrario, Tupynambás está cada dia mais forte, principalmente fora de campo, a gente sabe que precisamos buscar ainda um investimento maior em termos de patrocínio, mas o Tupynambás está muito forte e pode ter certeza que vamos dar muito trabalho.”

 

Nota da redação: depois de Tupynambás 2 x 0 Patrocinense, no sábado, 29, Simão anunciou, em entrevista coletiva, que o treinador Lúdyo Santos teve seu contrato renovado para 2018, mesmo tendo recebido proposta para  trabalhar nas divisões de base do Flamengo. Lúdyo já atuou em alguns clubes do Rio, no futebol de base.

 

Texto: Ivan Elias – Toque de Bola

Fotos: Toque de Bola e Divulgação Tupynambás

 

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