Especial: no Dia do Goleiro, Wellington Fajardo abre o jogo no Toque de Bola

     Sexto goleiro com mais atuações na equipe profissional do América Mineiro. Décimo-nono arqueiro com mais partidas na história do Cruzeiro. Um total de 238 jogos, somando as passagens pelos dois clubes.

Passagem marcante no América Mineiro

   Com estes números, o Toque de  Bola escolheu Wellington Fajardo para cumprimentar “a  categoria” pelo Dia do Goleiro neste 26 de abril de 2017 e aproveitou para colocar a conversa em dia.

     “Devo estar entre os goleiros que mais atuaram pelos grandes clubes do futebol mineiro e brasileiro”, conta o agora professor de futebol.

      Nessa entrevista, concedida justamente no aniversário universal dos goleiros, ele conta ao Toque de Bola fatos importantes da carreira, seus ídolos e mestres da posição, e aproveita para matar uma curiosidade que ronda os torcedores do Tupi há quase dez anos. Afinal, por que não houve acordo para a renovação de  contrato com o Carijó em 2008, quando o clube vinha de uma conquista de Taça Minas?

Toque de Bola: Sexto goleiro com mais atuações com a camisa do América Mineiro. Quais os números e o que marcou neste clube?

Curiosamente, o goleiro com mais atuações é o juiz-forano Marco Antônio Milagres

– Foram 158 partidas atuando como profissional. Joguei nas categorias de base desde 1978 até 1981, ano que me profissionalizei, e permaneci no clube até 1986, quando me transferi para o Cruzeiro.

Muitas situações me marcaram no América, fora de campo por ter sido considerado o melhor goleiro nos anos de 1985 e 1986 o que me credenciou para alçar vôos maiores.

Dentro de campo,  as estreias nos jogos tanto na base como no profissional, um fato que me marcou muito foi meu primeiro clássico contra o Atlético. Meu preparador de goleiros, Élcio Jacaré, ex goleiro do clube e campeão mineiro em 1971, me levou momentos antes do aquecimento para perto da arquibancada onde ficava a Galoucura e a Charanga do Atlético. Fomos muito vaiados, lógico, mas naquele momento fiquei mais seguro para entrar em campo e jogar. O “batismo das vaias” me deu mais segurança para enfrentar o Galo de Toninho Cerezo, Reinaldo e Cia.

Toque de Bola: Décimo-oitavo com mais atuações com a camisa do Cruzeiro. Quais os números e o que marcou neste clube? Deve estar entre os que mais atuaram no futebol mineiro e brasileiro. 

Trajetória no Cruzeiro também foi longa

-Foram 80 jogos com a camisa Celeste, sendo campeão mineiro em 1987 e vice-campeão da 1° Supercopa da Libertadores em 1988.

Semana passada, o Rafael, que hoje vive grande fase no Cruzeiro, me ultrapassou, mas continuo muito feliz de estar entre os 20 goleiros que mais atuaram pelo clube.

Realmente por ter feito 238 jogos (80 Cruzeiro e 158 América) por dois grandes clubes da capital devo mesmo estar entre os goleiros que mais atuaram pelos grandes clubes do futebol mineiro e brasileiro.

Toque de Bola: A que atribui essas marcas expressivas?

Atribuo essas marcas principalmente por ter sido um goleiro muito dedicado aos treinamentos. Escutava os conselhos dos treinadores e jogadores mais experientes e tive a sorte de não ter tido nenhuma contusão grave neste período.

Toque de Bola: Como era o treinamento de goleiros na sua época e como é hoje? Essa situação do clube ter treinador de goleiros é relativamente nova?

-Foi exatamente na época que me profissionalizei, em 1981, que começaram a fazer parte as comissões técnicas os preparadores de goleiros. Os aprendizados eram entre o treinamento específico, que eram uma novidade, e principalmente as experiências que nossos preparadores, que eram ex-goleiros, nos passavam.

Toque de Bola: Quem é o melhor goleiro do Brasil, na sua opinião? E por que? Melhor goleiro do mundo, na sua opinião? E por que?

Pelo Cruzeiro, no Estádio Municipal Radialista Mário Helênio

– O melhor goleiro do Brasil, na minha opinião, é o Diego Alves, que joga atualmente no Valência da Espanha, porque atingiu uma maturidade tanto por causa da idade e experiências vividas  no Brasil e no exterior.

O melhor goleiro do mundo há muitos anos para mim é o Buffon, da Juventus. É um goleiro que sempre se mostra presente com defesas no momento que o time mais precisa, a defesa feita quando o jogo está 3 x 0 contra ou a favor não tem peso nenhum e ele sempre se mostra decisivo nos instantes onde se pode perder ou ganhar um jogo. Acho isso muito importante.

Toque de Bola: Preparação de goleiros no Brasil e na Europa, algo específico ou hoje em dia não se observa mais isso, ou seja, todos têm acesso aos mesmos trabalhos específicos?

– Nesse mundo globalizado com vários tipos de ferramentas para acesso a informações, acredito que o que se faz na Europa também acontece no Brasil. Mas apesar da grande evolução dos goleiros no mundo, os erros ainda acontecem por principalmente falta de concentração e percepção das jogadas. Penso que os goleiros de hoje poderiam evitar muitos lances que chegam a seu gol para uma defesa, antevendo situações. O futebol de hoje está muito previsível devido ao que falamos no inicio da resposta.

Toque de Bola: Com qual goleiro aprendeu mais, seja observando ou sendo orientado mesmo em algum clube?

-Leão sempre foi meu ídolo. Penso que fui goleiro por ter me inspirado nele. Na época da minha adolescência, ele era da seleção brasileira. Tive a grande satisfação de ser treinado por ele em 1990 no São José (SP).

Toque de Bola:  E como treinador, como avalia sua trajetória?

Numa das passagens pelo Uberlândia como treinador

– Muito boa. Jamais fui rebaixado com nenhuma equipe, pelo contrário. Já tirei várias do rebaixamento.  Já fui campeão, sempre retorno para as equipes que trabalhei (Uberlândia cinco vezes, Tupi quatro, Villa Nova três, Democrata duas vezes). Sinal que deixei algo bom. 

Penso que meus trabalhos são consistentes já que os  aproveitamentos em média são de 60% pontos disputados.

Desde que saí do Villa Nova depois do Mineiro de 2015 (nos  classificamos para a Série D), tive vários convites, mas por um motivo ou outro preferi ficar por aqui (em Juiz de Fora), dando sequência aos projetos  que temos na cidade e me atualizando, ministrando palestras para os futuros formandos do curso de Educação Física. A última foi na Faculdade Estácio de Sá com o tema. “Futebol Moderno, o que mudou na prática”.

Toque de Bola: Vamos ao Tupi: algumas situações. 1- A cada troca de comando no Tupi, torcedores citam o seu nome. 2 – Você teve uma longa invencibilidade como técnico do clube, no estádio Mário Helênio, inclusive. 3- houve uma polêmica “não renovação” de contrato. Pode falar um pouco sobre cada uma das três situações? E se voltaria a dirigir o clube com a atual diretoria? 

-Em relação aos torcedores do Tupi, meu eterno agradecimento pelo reconhecimento ao trabalho. Foram 57 partidas comandando o clube, de corpo e alma, talvez isso tenha sido o diferencial para a lembrança. E claro, também: os títulos de campeão e as marcas alcançadas como aquela de ter ficado 23 partidas invictas no Mário Helênio.

Em relação à não renovação em 2008, faz parte do passado. Acho que faltou experiência de ambas as partes para conduzir a negociação, principalmente por ter sido depois de um título de campeão inédito para mim e para o clube.

-Torço para que a diretoria do Tupi faça sempre boas escolhas para comandar sua equipe como foi a do treinador Ailton Ferraz que fez um grande campeonato mineiro.

Toque de Bola: O que está fazendo hoje? Quais os planos a curto e médio prazo?

Wellington e o “Futebol Moderno”: tema que o professor mantém atualizado para voltar ao mercado como treinador

– Hoje estamos envolvidos, eu e meu filho, professor Lucas Fajardo, no projeto social da Vila Olavo Costa/Vila Ideal e naEscola de Futebol Welington Fajardo, no bairro Granbery. Ele com a coordenação e treinamentos, eu com as palestras, sempre que posso. 

-Meus planos profissionais a curto e médio prazo são iniciar minha pós-graduação em futebol, já que há algum tempo  terminei a faculdade de Educação Física e gosto muito dessa área acadêmica. Continuar aprimorando minhas palestras cujo tema principal é “Futebol moderno, o que mudou na prática”, o que consequentemente me deixa atualizado e preparado caso venha a surgir algum projeto interessante para assumir alguma equipe do futebol brasileiro.

 

Texto: Ivan Elias – Toque de Bola

Fotos: Arquivo Pessoal

Edição: Toque de Bola

 

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