“Felicidade plena” em “momento histórico”: JF Vôlei saboreia vaga nos playoffs da Superliga

 

JF Vôlei: vitória em jogão de cinco sets garante inédita vaga à segunda fase da Superliga

   O tão aguardado jogão não era mesmo falsa promessa. O confronto entre JF Vôlei e Minas na noite de sábado, 18, no ginásio da Faculdade de Educação Física, na UFJF, terminou com todas as informações que o torcedor aguardava para poder comemorar. Os anfitriões venceram por 3 a 2 (33/31, 16/25, 25/19, 19/25 e 15/10) e garantiram, matematicamente e com quatro rodadas de antecedência, a classificação aos playoffs da Superliga 2016/17 – no turno, em Belo Horizonte, JF havia vencido por 3 a 0.

   Mesmo que o Bento Vôlei (RS), adversário desta quarta, em Bento Gonçalves, às 20h, vença todas as partidas restantes por 3 a 0 ou 3 a 1 e que o JF perca tudo que falta e não pontue mais, os 27 pontos poderiam até ser até igualados, mas em número de vitórias os gaúchos não alcançariam mais os mineiros – são 10 já conquistadas por JF contra, no máximo, nove de Bento.

    Cobertura

     O Toque de Bola publica vídeos dos pontos finais e diversas informações da Superliga nas redes sociais.

 Acesse aqui a nossa fanpage – Acesse aqui o nosso Instagram – Acesse aqui o nosso Twitter

    Taubaté?

   O adversário dos playoffs ainda depende dos resultados finais do returno. Caso a fase de classificação já estivesse encerrada, o JF, como sexto colocado, enfrentaria Taubaté, que está em terceiro. Os outros duelos serão 1º x 8º, 2º x 7º e 4º x 5 º. Todos em melhor de cinco jogos – quem vencer três, passa adiante.

  Felicidade plena

  “Felicidade plena”, definiu um dos líberos do time, Fábio Paes, um dos remanescentes de temporadas anteriores que vê a primeira vaga aos playoffs em seis anos de representação local na competição de elite do vôlei brasileiro campeão olímpico.

  Momento histórico

   “É uma alegria imensa no momento histórico desse projeto estar ao lado de tanta gente boa. Principalmente de tanta gente lutadora”, encheu a bola o treinador Henrique Furtado, que assim como a grande maioria do elenco veio do Sada Cruzeiro para vestir outra camisa nesta temporada, numa parceria que foi considerada, na época de seu anúncio, como a salvação do projeto do time da cidade.

  Sem euforia

  O dirigente Maurício Bara, após o jogo, mostrou ao mesmo tempo alegria pelo resultado que garantiu a vaga e descrença que o sucesso em quadra possa significar ganhos com novos patrocinadores. Acesse aqui a entrevista com o dirigente. 

Números

      O oposto Renan Buiatti, do JF Vôlei, maior pontuador da Superliga com 366 pontos, anotou 27 no jogo de sábado, 18, contra a equipe do Minas Tênis Clube e  liderou a estatística da partida.     

    Dono do Troféu Viva Vôlei como destaque em quadra, Ricardo Júnior ficou na vice-liderança de pontuação na equipe do JF Vôlei. Ricardo se exaltou bastante durante o jogo, levou cartão amarelo e cravou o último ponto da partida, dando a vitória ao JF Vôlei no tie-break.

  Acesse aqui o scout (dados estatísticos) de JF Vôlei x Minas (fonte: site da Confederação Brasileira de Voleibol)

   Outros jogadores do time da casa que pontuaram nesse dia histórico para o JF VÔLEI foram: Felipi Rammé, 12, Bruno Amorim, 8, Rômulo Silva, 6, Rodrigo Ribeiro, 3, Juan Mosquera, 2, e Diego Almeida,1.

     Já pelo lado do Minas o maior pontuador foi o central Petrus, com 17 pontos. Outros pontuadores do Minas foram: Tiago Wesz – Mão, 16, Felipe Roque, 16, Flávio Gualberto, 13, Thiago Vanole, 11, Yordan Bisset, 10, Aboubocar Neto, 3, e Thiago Gelinski, 1.

 

Entrevista com Fábio Paes, líbero do JF Vôlei

Você que é um dos mais identificados com o projeto. Por tudo que já passou, relembrando o que já viveu, o que significa esse momento para você?

“É uma coisa muito linda. Realmente eu já vivi muita coisa aqui dentro e isso foi falado até em uma reunião, hoje eu falei isso para os meninos. Eu já vivi muita coisa aqui e concretizar esse sonho que é de outras temporadas, e realizar nessa temporada, com as parcerias que tive é muito gratificante. Essa felicidade é plena, não é somente minha, mas de todo o grupo.”

Você presenciou esse momento histórico do banco. Como foi essa sensação diferente hoje, de não ter participado até o final  da partida (o líbero sentiu uma contusão no pé)?

“É, eu fiquei chateado. Porque foi um susto que eu tomei na hora do jogo, mas acho que independentemente disso o que vale é o resultado do grupo. Fiquei muito feliz e fico muito feliz da equipe ter dado cem por cento toda hora, todo mundo se doou ao máximo e o resultado está ai, com essa grande partida.”

Comparando há um ano atrás  o clima era totalmente outro, a equipe estava lá embaixo na tabela de classificação, e hoje essa alegria no ginásio. Como avalia esse ano que passou de fevereiro do ano passado a fevereiro deste ano (JF só confirmara a permanência na elite mais tarde, na seletiva, disputada na UFJF)?

“Cada ano é uma história, o ano que passou a temporada foi  conturbada, um ano difícil.  Mas tem que olhar essa temporada, a Liga que todo mundo está fazendo está sendo muito bonito de se ver, coletivamente estamos fazendo um jogo muito bonito. Tanto que muitos adversários vêm falar com a gente: “Parabéns, vocês estão fazendo uma ótima campanha.” E isso é fruto de muito trabalho, dia-a-dia todo mundo se doando,  e na comissão técnica que está a toda hora estudando os adversários. Acho que um ponto forte nosso, não só nosso coletivo dentro de quadra, mas nosso treinamento muito qualificado, passa essa confiança para nós e nós para eles, e isso é fruto de muito trabalho.”

Mauricio (dirigente) chamou os jogadores para conversar no vestiário. O que foi conversado lá? Foi para comemorar, é claro, mas também foi para avisar que o campeonato não acabou? Que o  JF vôlei pode conquistar até coisas maiores?

“Foi isso que ele falou. Primeiro objetivo já tinha sido alcançado, que era ficar entre os dez, não ser rebaixado. E hoje nós conseguimos o objetivo de classificar. Ainda temos quatro jogos e tem que pensar nesses quatro jogos, serão partidas difíceis, jogos perigosos e precisamos conseguir fazer o máximo de pontuação para ficar melhor na tabela de classificação.”

O que você tenta prever para essa Superliga e para a próxima também?

“Olha, agora a reta final está ficando bem apertada nessa Superliga, acho que todos os times já estão bem estudados, tem que estar sempre alerta e sempre bem. Essa reta final geralmente é complicada, são os nervos à flor da pele, então o que dá para prever é que vamos trazer essa felicidade para a torcida independentemente do resultado.”

 

Entrevista com o treinador Henrique Furtado 

Você entra agora para a história do time, como o primeiro treinador que classifica a equipe para os playoffs. Gostaria de saber da satisfação de poder classificar e ainda com quatro rodadas de antecedência colocar o time entre os oito primeiros da Superliga de Vôlei

        “Satisfação enorme de fazer parte de um projeto tão lutador como esse, um projeto que é liderado por pessoas apaixonadas, por três homens apaixonados, e que eu estou muito feliz de trabalhar com eles. O Maurício (Bara Filho, Diretor), Toninho (Toninho Buda) e o Toledo (Heglisson, supervisor) são três diretores que se sacrificam muito por esse projeto.

         Um grupo de jogadores fantásticos, que com um tipo de potencial especifico formou um time com uma força coletiva muito grande. Em dezoito jogos na Superliga acredito que tenhamos jogado mal apenas um jogo e nos outros dezessete jogos foram boas apresentações. Nós temos uma comissão técnica pequena, porém extremamente trabalhadora com quatro integrantes, um trabalho de uma dedicação enorme, e que o tempo inteiro se dedicou muito, para que pudessem dar todas as condições para os jogadores taticamente jogarem bem.

        É uma alegria imensa no momento histórico desse projeto estar ao lado de tanta gente boa. Principalmente de tanta gente lutadora, e que atingiu esse sonho pelo caminho do bem, pelo trabalho, dedicação e sacrifício. Estou muito feliz por fazer parte disso, de alguma forma ter contribuído com esse projeto. Feliz, muito feliz, de estar aqui, e poder trabalhar o possível nessa reta final para seguir colocando esse trabalho longe.”

Você acha que esse foi um jogo que refletiu um pouco essa campanha do time de Juiz de Fora? Essa consistência não só em casa, como você disse equilibrada em todos os fundamentos?

      “Me parece que sim. Estamos fazendo uma campanha sólida, com vitorias, com derrotas, mas com organização, com muito empenho e muita luta. Jogando fora ou dentro de casa, nós temos mostrado uma organização e  uma entrega muito grande de  todos desse grupo. Esses jogadores são guerreiros demais. Nosso dia-a-dia não é fácil, de treinos pesados, sacrifícios, isso mostra que valeu a pena. Boas atuações, e coroado com uma classificação histórica para os playoffs. Esse grupo está de parabéns e hoje comprova isso.”

Você tem um grupo na mão que a maioria dos jogadores tem abaixo de 22 anos. Qual a importância que você vê na base nesse projeto?

    “A categoria de base é importantíssima, toda categoria de base deve ter ótimos treinadores. É um momento de mudanças, de crescimento, de formação de caráter do homem e do jogador como um todo. O trabalho na base o que eu vivi nos anos no Sada foram espetaculares de um grande aprendizado que me serviu muito. Fui treinador do time infanto-juvenil (sub-19) do Sada durante cinco anos, e que eu guardo recordações espetaculares porque foi uma grande base para mim e para os jogadores também que já se enfrentaram muitas vezes. Esses jogadores já se cruzaram em campeonatos estaduais e  nacionais.

       É fundamental o trabalho de base no país inteiro, de trazer jogadores com cada vez mais qualidade. Existe uma renovação no vôlei brasileiro e fico feliz de ter jogadores que estão saindo da categoria de base com tanta qualidade ao meu lado. Aqui em Juiz de Fora está mudando, a cidade tem dado passos importantes na sua organização para daqui a seis, oito anos, possa estar colhendo os frutos desse investimento e acredito que é um trabalho fundamental no vôlei brasileiro.”

Conhecendo um pouco do seu perfil como treinador, como profissional, a gente sabe que você não está satisfeito por completo. Ainda temos um campeonato pela frente, o que pôde falar no vestiário? Qual seu pensamento a partir de agora?

      “Primeiro foi cumprimentar a equipe e valorizar esse momento. Acho que é um momento que tem que ser valorizado, tem que ser muito valorizado, porque é muito difícil chegar aos playoffs da competição. É uma competição com grandes adversários, com ótimos jogadores, e comissões técnicas excelentes. A minha primeira palavra foi de compartilhar minha felicidade e compartilhar o reconhecimento por todo esforço que eles tiveram, por esse belo passo que nós demos para esse projeto. E muitos pela primeira vez nos playoffs, muitos jogadores jovens. Meu primeiro momento foi compartilhar essa alegria, reconhecer o trabalho que eles estão fazendo e também de seguir lutando muito, mais do que o meu perfil é o perfil deles, é um perfil que criamos para esse time de não estar satisfeito nunca.  O que vier pela frente vamos buscar para poder chegar o mais longe possível.”

Todas as vezes que você esteve na beira da quadra colocou seus times no playoffs, auxiliando o Marcelo (Mendez, treinador da equipe principal do Sada) e aqui em JF.  Satisfação pessoal em chegar mais uma vez chegar e estar entre os oito melhores?

       “Satisfação enorme. Espero sempre estar ai em todas as competições que a gente jogar, sei que é muito difícil porque são muitos grupos fortes, são muitos treinadores com capacidade, existem grandes adversários do outro lado muitas vezes a gente perde e deixa de valorizar o grande trabalho que tem do outro lado. Acho que são muitas equipes que nós fizeram crescer também, porque nos fizeram subir de nível. É uma satisfação para mim ter sido auxiliar técnico de um dos maiores treinadores do mundo, treinador que eu sou fã, que eu admiro muito e que me deu junto a outros trabalhos toda a base que eu consigo aplicar aqui hoje. Tudo que eu passei lá me ajudou muito para contribuir aqui. Claro que todo dia eu também, estou aprendendo muito  com esse projeto, com esses jogadores, é uma alegria enorme. Tive a felicidade de vencer quatro vezes essa competição como auxiliar técnico, e uma vez a Superliga B. Parece que estamos no caminho certo.”

 

Texto: Toque de Bola

Fotos e Artes: Toque de Bola

O Toque de Bola é administrado pela www.mistoquentecomunicacao.com.br

Deixe seu comentário