Éder Bastos abre o jogo no Toque de Bola: com intensidade, se faz um bom Mineiro

  Foi depois de um treino bastante movimentado, em manhã ensolarada nesta terça-feira, 10, no campo do Instituto Granbery, após conversar longamente com o dirigente de futebol do Tupi, Fabinho, e começar a comer uma maçã, que o treinador carijó Éder Bastos atendeu a reportagem do Toque de Bola.

   Nas atividades, sem que houvesse coletivo, os jogadores não tiveram só que correr, mas pensar, principalmente. Como ocorreu na parte final do treino. Um grupo de cinco jogadores recebia a bola do próprio treinador no círculo central e tinham como desafio chegar ao gol adversário, sendo que quatro defensores eram responsáveis por evitar que a jogada de ataque tivesse êxito.

   Entre os que tentavam as melhores soluções, estavam, num primeiro momento, os atacantes Flávio Caça-Rato e Jajá,  o volante Marcel e o meia Faísca. Eles tinham que envolver os zagueiros, de preferência no menor espaço de tempo possível. Quando o gol saía antes de um minuto, Éder comemorava bastante. “Isso. Infiltra atrás da zaga”. Caça-Rato mostrou bom aproveitamento sempre que os companheiros o colocavam em condições de concluir.

   Qual o nome, em resumo, do que o treinador espera desse grupo formado em tempo recorde com 28 jogadores, quase todos novos no clube? Ele chama de intensidade. E diz que os jogadores estão abraçados a essa intensidade, com treinos em dois períodos na maior parte do tempo.

    Antes da estreia no Campeonato Mineiro e, antes ainda, dos testes diante do Núcleo Esportivo de São João Nepomuceno, dia 14, e do Bangu, dia 21, o técnico procura demonstrar tranquilidade. Quer avançar na parte física e chegar para a estreia com um time que consiga mostrar ao ressabiado torcedor alvinegro que a intensidade no dia-a-dia pode tornar essa equipe competitiva no Campeonato Estadual, situação que não foi vista em 2015 e 2016, com desfechos diferentes de temporada – no segundo semestre de 2015, a glória do acesso, e em 2016, a volta melancólica para a Série C. Nos dois casos, o mesmo Campeonato Mineiro problemático marcou o início de temporada.

  Pressão? “No futebol a cada dia a gente tem que estar provando algo diferente. Estou acostumado com isso. Estou no futebol desde os 14 anos de idade. Isso para mim é uma rotina”. Vê, assim como os jogadores, a oportunidade de transformar o Campeonato Mineiro num momento de afirmação na carreira? “Um bom trabalho vai valorizar todo o staff , mais os jogadores”. 

  Se vai dar certo? “Espero (…) deixar um legado aqui quando tiver que sair. Fazer o trabalho com lealdade com todo mundo. Acho que a gente não precisa de muita coisa para viver. Em primeiro lugar, é Deus no coração da gente”.

Em metade do campo, quem estiver atacando precisa encontrar espaços e superar os defensores (de colete)

Entrevista com o treinador Éder Bastos 

Como está sendo o ritmo dos  treinos antes dos  jogos-treinos e a caminho da estreia?

Na pré-temporada, preparamos muitos treinamentos com intensidade. Os jogadores estão bem envolvidos em nossa metodologia de trabalho; Em dois períodos praticamente a semana toda. Ajustando a parte física, já começamos a introduzir a parte tática. O mais importante é que o grupo está mobilizado, envolvido e até o dia 29 estaremos numa condição, principalmente na parte física, mais avançada.

Os dois jogos-treinos foram um pedido seu, até a ordem deles?

Pré-temporada tem que começar do mais simples ao mais complexo. Vamos pegar um adversário em tese mais simples ou mais fraco, na parte de nome no futebol brasileiro, uma equipe aqui de São João Nepomuceno (Núcleo Esportivo), e depois vamos jogar contra o Bangu, uma equipe que disputa Série A do Campeonato Carioca, já chegou  a uma final de Campeonato Brasileiro. Acredito que fazendo esses dois jogos, aliado aos treinamentos que temos feito com intensidade, até o dia 29 vamos chegar numa condição boa, bem evoluídos na parte física, tática e técnica.

A questão do entrosamento talvez seja a que mais preocupa o torcedor e provavelmente a Comissão Técnica, pelo fato de serem muitos jogadores novos em relação ao time que terminou a temporada passada. Gosta  mais dos coletivos, prefere  trabalhos como o da manhã desta terça-feira, parte tática? Qual a melhor forma para se chegar a um entrosamento nesse campeonato curto?

Temos como fazer como foi feito hoje – organização ofensiva, especificando na parte tática, com campos mais reduzidos. Logicamente que vou fazer coletivo tático, para abrir o campo mais. E com os jogadores tendo noção de espaço para saber como fazer nos dias dos jogos.  Mas o mais importante de tudo é a intensidade. Se você  tiver uma equipe que trabalhe com intensidade e que seja competitiva, pode ser o nosso diferencial nesse campeonato. Uma equipe que tenha competitividade. Isso está acontecendo de uma forma bem leal entre os jogadores, para escolhermos os melhores para a estreia contra o Tombense.

Você testou a zaga com Elivelton e Cadu, depois trocou o que seria a defesa. Já  tem na cabeça o onze titular?

Temos  que valorizar todo o grupo, os 28 (jogadores) que estão aqui, Por isso fazemos essas observações. Trocas. Observa-se uma linha de quatro, depois outra linha de quatro. Depois vai para o setor de meio, de ataque, para dar um entendimento para todos que na hora que precisar vamos contar com todos do grupo.  No campeonato, se machuca, tem lesão, tem questões de ordem disciplinar, então temos que trabalhar todos igualmente;

Jogadores falam que têm no Campeonato Mineiro a chance de um espaço para serem recolocados  no mercado,como atletas. Você também considera a competição uma parte do seu processo de afirmação,como treinador?

No futebol a cada dia a gente tem que estar provando algo diferente. Quando você inicia, é cobrado. No meio da temporada, é cobrado. No final da temporada ou do campeonato, você é cobrado. Estou acostumado com isso. Estou no futebol desde os 14 anos de idade. Isso para mim é uma rotina. E os jogadores também sabem que é uma vitrine o Campeonato Mineiro e eu tenho consciência que se a gente fizer um bom trabalho vai valorizar todo o staff ,mais os jogadores.

Grupo está fechado?

Se  aparecer algum jogador interessante no mercado, e o Tupi tendo condições de contratar, vamos receber. Não podemos desprezar jogadores de qualidade para chegar e agregar valor.  Não tem grupo fechado.  Se tiver que chegar alguém, para mim, tendo qualidade  é o que importa.

Carreira:

Comecei no Cruzeiro como jogador. Quando parei de jogar futebol, comecei uma carreira de treinador no sub-20 do Cruzeiro. Minha história depois foi alavancar a carreira. Trabalhei no Coritiba três anos. Fomos campeões brasileiros da Série B no Coritiba. Tivemos uma passagem muito boa no Botafogo, chegamos às finais do campeonato Carioca em 2008. Trabalhamos no São Paulo, ganhamos a Copa Sul-Americana em 2012. Em 2011, sul-americano sub-20, campeão mundial. Essa geração de Neymar, Lucas, Oscar. Danilo (que é aqui de Bicas), uma equipe  forte que nós montamos e jogadores que com certeza estarão na Copa de 2018. Carreira boa. Passagem boa pelo Vitória em 2013, quinto colocado no Brasileiro. É difícil, o Brasileiro é muito competitivo. Carreira graças a Deus vitoriosa, espero que no Tupi possamos contribuir também. E deixar um legado aqui quando a gente tiver que sair. Fazer o trabalho com lealdade com todo mundo. Acho que a gente não precisa de muita coisa para viver. Em primeiro lugar, é Deus no coração da gente, que deus possa abençoar a nossa temporada, e que possa dar certo essa primeira parte, que é o Campeonato Mineiro.

Treinador Éder Bastos explica o que considera mais importante para o Tupi cumprir um bom papel no Campeonato Mineiro

(Resumo da trajetória de Éder Bastos no site do Tupi

Éder Bastos, 50 anos, é natural de João Monlevade (MG) e foi jogador de times como Cruzeiro e Sport, atuando também no exterior (Colômbia e Arábia Saudita). Iniciou a carreira como auxiliar técnico na base do Cruzeiro, chegando a treinar a equipe profissional em 2004. Foi auxiliar técnico em equipes como Flamengo, Botafogo, Vitória, Coritiba e São Paulo, clube onde conquistou a Copa Sul-Americana 2012. Ao lado de Ney Franco, trabalhou na Seleção Brasileira Sub-20, sagrando-se campeão Sul-americano e Mundial da categoria. Como treinador, trabalhou no Valeriodoce e CAP Uberlândia.)

 

Texto: Toque de Bola (na entrevista, também participou o repórter Felipe Frederico, da Rádio Globo Juiz de Fora)

Fotos: Toque de Bola e Tupi

Edição: Toque de Bola

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