Tupynambás mantém 100% em casa e assume liderança mesmo sem torcida. “Prejuízo financeiro é grande”, diz gestor

O Tupynambás chegou à liderança do Campeonato Mineiro da Segunda Divisão com a vitória sobre o Betinense por 1 a 0 no Estádio Municipal Radialista Mário Helênio no domingo, 9. Na manhã em que o artilheiro Ademilson completou 42 anos quem deu o presente foi o zagueiro Thales, autor do gol salvador.

O lado negativo é que a partida teve que ser disputada com portões fechados porque a Polícia Militar negou o laudo encaminhado pela Prefeitura de Juiz de Fora, que administra o estádio. “Reivindicações são totalmente desproporcionais para a estrutura do futebol da cidade”, diz Alberto Simão, gestor de futebol do Baeta.

Jogadores do Baeta comemoram o gol de Thales num estádio silencioso
Jogadores do Baeta comemoram o gol de Thales num estádio silencioso

Primeiro tempo morno

O jogo começou muito truncado. A primeira boa jogada foi apenas na cabeçada de Cassiano, aos 16 minutos, que obrigou o goleiro Thulio a fazer boa defesa. Aos 22, Thiers chutou e César fez boa defesa. Logo em seguida Igor Soares cruzou, mas Ademilson não alcançou. O Betinense passou a dominar as ações e o Baeta tinha muita dificuldade para sair jogando. Luis Antônio recebeu cruzamento de Williams Batista, mas cabeceou para fora. A equipe de Betim precisou fazer uma alteração ainda na primeira etapa: Renato Silva sentiu e deu lugar a Elivelton.

Segundo tempo quente

O Baeta voltou mais inspirado para a segunda etapa. Aos oito minutos, Juninho cobrou escanteio e Washington cabeceou para defesa de Thulio. No rebote, Thales tentou finalizar e a zaga salvou. A bola ainda sobrou para Ademilson, que cabeceou em cima do zagueiro. Aos 20, o Baeta parou novamente em Thulio: Lucas Hipólito cruzou na cabeça de Ademilson, que desviou e obrigou o goleiro adversário a fazer defesa excepcional. O Betinense assustou com chute de Felipe Caldeira, que passou perto, e de Elivelton, que obrigou César a fazer boa defesa. Aos 24, Cassiano recebeu na direita e tentou encobrir o goleiro, mas a bola foi para fora. Igor Soares também teve chance: finalizou no canto e mais uma vez Thulio salvou o Betinense.

Depois da parada, o gol da vitória

O forte calor fez o árbitro Flávio Henrique Coutinho Teixeira parar o jogo para reidratação dos atletas. O gol da vitória saiu aos 36 minutos, quando Juninho levantou a bola na área em cobrança de falta e achou Thales, que acertou a cabeçada e abriu o placar. O Betinense passou a se lançar mais para o ataque. Thales quase fez o segundo em nova cobrança de falta de Juninho, mas a cabeçada do zagueiro foi para fora. O Betinense quase empatou no final: uma bola cruzada na área acertou o travessão. No rebote, César defendeu o chute de Lucas Kattah. A bola ainda sobrou para Thiago, mas César fez sua parte e garantiu a vitória que deu a liderança ao Baeta.

O momento do gol de Thales
O momento do gol de Thales

Tupynambás 1×0 Betinense

Tupynambás: César, Miguel, Thales, Washington e Lucas Hipólito; Caetano, Canário e Juninho (João Paulo); Cassiano (Igor Balotelli), Igor Soares (Gustavo) e Ademilson
Técnico: Gerson Evaristo

Betinense: Thulio, Marcelo, Breno, Luis e Williams Batista; Denilson, Renato Silva (Elivelton), Diego Henrique e Thiers; Luiz Antônio (Thiago) e Felipe Caldeira (Lucas Kattah)
Técnico: Frederico Pacheco

Cartões amarelos:
Tupynambás: Juninho
Betinense: Thiers

Arbitragem: Flávio Henrique Coutinho Teixeira, auxiliado por Frederico Soares Vilarinho e Marciano Pires de Lima.

Ademilson, aniversariante do dia, falou sobre a vitória:

Independente de quem fez o gol, o importante é a gente estar vencendo. Agradecer meus companheiros por esse presente que foi a vitória. O César é um excelente goleiro que vem nos ajudando. No jogo passado ele salvou a gente e aqui de novo. Nosso grupo é forte, então a gente espera manter os pés no chão, estar treinando, e estar em busca do nosso objetivo que é subir. O nosso grupo está fechado, uma união muito forte. Quando existe essa união dentro e fora de campo, o resultado é esse: muita garra, determinação, muita dificuldade e a gente vai vencendo.

Confira a entrevista do técnico Gerson Evaristo:

Resultado importante

A importância da vitória é a liderança do hexagonal. Um hexagonal tão difícil, tão complicado. Todos os jogos vão ser assim, não existem jogos fáceis, nós temos a consciência disso. Não fizemos um bom primeiro tempo, essa é a realidade. Nós estávamos dando muito espaço para a equipe deles, não tirando o passe deles, com essa bola longa. E nós forçamos demais a bola longa, a bola direta. No segundo tempo nós viemos com outra postura. A equipe diminuiu o espaço, alguns jogadores assumiram a responsabilidade igual o Juninho, o Igor, o Marco Aurélio (Canário). O time ganhou conjunto, ganhou força. Neutralizamos principalmente esse passe na intermediária defensiva deles. As coisas encaixaram e conseguimos uma vitória muito importante.

Presente de aniversário para Ademilson

Só faltou o gol dele! Mas o ‘Adê’ tem crédito, é um atleta que inspira os jogadores mais novos. Então, que Deus o abençoe e dê muitos anos de vida. Só não sei até quando ele vai jogar!

Próximo jogo: Jacutinga

A gente tem que avaliar principalmente as condições clínicas dos atletas que terminaram o jogo hoje. A única certeza que a gente tem é que vai ser mais um jogo difícil, porque a única vitória do Jacutinga nesse hexagonal foi fora de casa, diante do Valeriodoce, um campo muito difícil de se jogar. Eles perderam um jogo ontem nos seus domínios, mas é uma equipe que com certeza vai dar o mesmo trabalho que deu o Betinense, o Coimbra, porque esse hexagonal é muito nivelado, muito parelho. Nós temos que continuar com essa disposição, essa vontade, principalmente dentro de casa e fazer prevalecer o mando de campo. Essa competição manda muito você não perder pontos dentro de casa. Graças a Deus nós estamos cem por cento em casa e espero que a gente continue isso no domingo contra o Jacutinga.

Com torcida na próxima partida?

De preferência! A gente pede encarecidamente. O Baeta está com muita dificuldade, como todos os times estão, mas a gente que está voltando agora depois de nove anos inativo, está com uma campanha legal. O grupo está aguerrido, a gente espera mais colaboração, que o torcedor venha nos ajudar. Vamos ajudar o Baeta, é mais um time dentro da cidade. É o juiz-forano que ganha com isso, com o futebol. Espero que eles entendam isso e venham nos prestigiar mais vezes e em mais jogos.

Atuação defensiva

O Miguel não assusta tanto, porque apesar de estar improvisado, marca muito bem. Como temos o Danylinho, que é mais incisivo, mais ala, com o Miguel a gente ganha em marcação. Fica mais consistente, tanto que eles não atacaram por esse lado. Então a gente ganha com ele nesse quesito. Com relação ao Thales, é um jogador que vem trabalhando comigo há muito tempo. Sempre tem oportunidade no elenco. Sei do caráter, da disposição, da vontade que ele tem, da entrega. Às vezes você vai ver ele xingando, brigando, mas dentro de campo é assim mesmo. O Washington é o primeiro jogo dele aqui. Ele estranhou um pouco, principalmente no primeiro tempo o posicionamento, demorando para rebater a bola. Inclusive proporcionou um lance de perigo deles no primeiro tempo com uma bola que ele foi virar e saiu à meia altura e fizeram o contra-ataque. É um jogador rodado, experiente, que vai dando confiança para os demais, principalmente aquele que joga ao lado dele. O grupo mais uma vez demonstrou que essa competição é difícil, é árdua, mas que com disposição, vontade, a gente vai conseguir nosso objetivo, apesar de estar muito longe. Falta muita coisa ainda.

Alterações apenas no final

O melhor momento da nossa equipe foi o segundo tempo. Se me perguntasse por que eu não mudei no primeiro tempo, aí tudo bem. De repente poderia mudar no primeiro tempo, a equipe realmente não encaixou. Mas a gente tem o intervalo para conversar, tem 45 minutos para definir um jogo dentro de casa. A demora foi porque realmente a equipe encaixou e estava difícil você escolher um para tirar. Você vai tirar quem? O momento melhor da equipe dentro da partida. Então a gente só vai substituir no momento preciso, que realmente for necessário.

Bola parada

Cobrei essa semana porque na primeira parte do campeonato nós fizemos o gol de bola parada com Cassiano, com Ademilson. Nesse hexagonal não tinha entrado ainda. Quem acompanha os treinos, é ostensivo o tanto que eu treino de bola parada nessas jogadas. No grupo nós temos um especialista na bola parada: o Juninho. Hoje ele acertou e o Thales entrou muito bem, finalizou. Essa competição é muito difícil. Então no jogo que você pega um time árduo para se vencer igual esse do Betinense, uma equipe que era líder, de repente você trabalha e a bola não entra, só define numa bola parada. Isso serve tanto defensiva como ofensivamente. Se fizer um retrospecto da nossa equipe, nós não tomamos gol de bola parada ainda. A gente trabalha muito isso, sabe que está definindo muito o futebol. Graças a Deus ela foi a nosso favor hoje.

Jogadores e comissão técnica do Baeta comemoraram muito após o apito final
Jogadores e comissão técnica do Baeta comemoraram muito após o apito final

Sem ninguém na arquibancada

Um assunto que esteve em foco foi o fato de o jogo ter sido disputado com portões fechados. A Polícia Militar negou o laudo encaminhado pela Prefeitura de Juiz de Fora, que administra o estádio. O gestor de futebol do Tupynambás, Alberto Simão, falou antes da partida sobre a não emissão do documento.

Alberto Simão:

A gente vai tentar entender de uma outra maneira. O dia 9 de outubro tem que ficar marcado pela mudança do esporte de Juiz de Fora. Eu estou falando em nome do Tupynambás, mas com certeza, neste momento, a gente está abraçando a causa do esporte da cidade. Juiz de Fora hoje tem um time na liga de handebol, um time na liga de voleibol, tem o Tupi na Série B, tem o Tupynambás. Os clubes geram uma receita importantíssima para a cidade. Nós geramos empregos demais, equivalente a quase dez empresas de médio porte. Nós sabemos da nossa responsabilidade para o setor hoteleiro, para gerar recursos para a cidade numa época tão difícil que o Brasil vive.

Infelizmente é a gota d’água nesse momento. Poderia ter acontecido antes, não só nos nossos jogos, nos jogos do Tupi. Isso vem sendo trabalhado sempre no último momento. O Tupi jogou terça-feira, o laudo já foi quarta, questão de tabela. É a terceira vez consecutiva que o laudo sai em cima da hora, vários problemas. Hoje você teve uma falta de diálogo com a Polícia Militar, que fez exigências que não são comuns para esse campeonato. Os jogos do Tupi e Tupynambás não estão passando de mil pagantes. Está sendo exigido um estádio que parece que tem jogo de 40 mil pessoas todo jogo. As reivindicações são totalmente desproporcionais para a estrutura do futebol da cidade. A polícia deu um prazo para correção dessas obras. Várias obras foram feitas. Fizeram uma tentativa, a própria Secretaria de Esportes do município, a própria Prefeitura, isso gera uma tentativa até louvável de conseguir esse laudo. Mas infelizmente hoje a gente tem que conviver com essa realidade triste da cidade de Juiz de Fora.

O prejuízo financeiro é grande, apesar de não estarmos atraindo tantos torcedores, mas faz diferença. O prejuízo técnico é imenso. Emocional indiscutível. Hoje é um jogo de líder e vice-líder, um trabalho feito, o resgate de um time de nove anos pode ser colocado água abaixo hoje pela dificuldade que é concentrar a cabeça de um jogador. Eram familiares vindo, era o apoio numa cidade; é diferente jogar com o apoio do torcedor e jogar sem torcida. Então, tecnicamente vai fazer uma diferença muito grande para gente, principalmente a diferença emocional.

O clube não foi convidado nem para sentar à mesa para estar discutindo a questão do laudo. Obviamente a gente como é parte interessada, procurou as informações. A policia realmente tem feito exigências que não cabem nesse momento ao esporte da cidade. Por exemplo: ela quer que estádio inteiro seja numerado, abertura de portão para adversário que nitidamente não tem torcida, já previamente comunicado. Foi solicitada a retirada das cadeiras que poderiam ter sido apertadas, solicitaram uma entrada exclusiva para árbitros, que basicamente é o motivo do não laudo de sexta-feira.

Baeta atuou sem torcida contra o Betinense. Quase todas as cadeiras foram removidas da arquibancada
Baeta atuou sem torcida contra o Betinense. Quase todas as cadeiras foram removidas da arquibancada

Veja os demais resultados da 3a rodada do hexagonal final:

Jacutinga 0x1 Coimbra

Patrocinense 2×3 Valeriodoce

Confira os jogos da próxima rodada:

Betinense x Patrocinense (15/10, sábado, às 15h30, no Estádio Waldemar Teixeira de Faria em Divinópolis)

Tupynambás x Jacutinga (16/10, domingo, às 11h no Estádio Municipal Radialista Mário Helênio, em Juiz de Fora)

Coimbra x Valeriodoce (16/10, domingo, às 15h30 no Alçapão do Bonfim, em Nova Lima)

Confira a classificação do hexagonal final da Segundona Mineira:

Fonte: FMF
Fonte: FMF

 

Texto: Lucas Bernardino, do Toque de Bola, com informações complementares do site da FMF e supervisão de Ivan Elias, Toque de Bola

Fotos: Toque de Bola

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