Morre Carlos Alberto Torres. Em Juiz de Fora, capitão do tri já perdeu como jogador e venceu como treinador

No final da manhã desta terça-feira, 25, foi anunciada a morte, por enfarte fulminante, do capitão do tricampeonato mundial conquistado pela seleção brasileira em 1970, Carlos Alberto Torres. Um dos principais nomes do futebol mundial, Torres foi revelado nas categorias de base do Fluminense e defendeu como jogador e treinador grandes clubes do futebol brasileiro e ainda no Cosmos, nos Estados Unidos, ao lado de Pelé, com quem atuou pelo Santos nos tempos gloriosos do clube paulista. Títulos estaduais, nacionais e internacionais foram constantes ao longo da carreira.

   Comentarista

Atualmente, Carlos Alberto era comentarista do SporTV, emissora em que participou, inclusive do programa Troca de Passes do último domingo, 23, analisando principalmente a rodada do Campeonato Brasileiro. Sem meias palavras, também como comentarista, não fazia rodeios para expressar muitas vezes a pobreza do futebol apresentado pela maioria dos clubes brasileiros.

Sobre questões extra-campo, também tinha posições bem definidas. Quando jogadores fizeram manifestações antes das partidas, em defesa ao movimento Bom Senso, Torres disse  que os atletas tinham que se preocupar mais em melhorar o rendimento dentro de campo, mostrar serviço. Recentemente, integrou o Comitê de Reformas do Futebol Brasileiro criado pela CBF.

 

Carlos Alberto Torres: a despedida do Capitão do Tri
Carlos Alberto Torres: a despedida do Capitão do Tri

 

  Passagens por Juiz de Fora

Assim que sua morte foi divulgada, ele foi reverenciado por clubes, entidades e imprensa de todos os cantos do planeta. Em levantamento do Toque de Bola, registramos pelo menos três passagens importantes dessa grande personalidade do futebol brasileiro e mundial por Juiz de Fora.

  Década de 70: derrota para o Tupi 

Em partida que  foi lembrada em entrevista concedida ao Toque de Bola pelo ex-jogador e dirigente do Tupi, Danilo Batista, Carlos Alberto defendia o Botafogo no início da década de 70 e a equipe carioca acabou sendo goleada por 4 a 2 pelo Carijó.

De acordo com o pesquisador Leo Lima, o amistoso foi disputado em 26 de maio de 1971 e marcou as comemorações de 59 anos de fundação do clube carrijó no Estádio Salles Oliveira, em Santa Terezinha. Numa quarta-feira à noite, Guará (duas vezes), Walmir e Turcão garantiram a vitória do alvinegro local. Paraguaio e Paulo César Caju marcaram os gols do alvinegro carioca. Leo Lima registra que, “além de Carlos Alberto, atuaram pelo Botafogo outros dois tri-campeões mundiais: Brito e Paulo Cesar Caju.” O técnico do Tupi era o saudoso Geraldo Magela.

Carlos Alberto Torres no desfile de abertura da Copa Prefeitura Bahamas de Futebol Amador em 2003, em Juiz de Fora
Carlos Alberto Torres no desfile de abertura da Copa Prefeitura Bahamas de Futebol Amador em 2003, em Juiz de Fora

  Copa Prefeitura Bahamas: presença na abertura

Em 2003, Carlos Alberto Torres participou como convidado do desfile de abertura da Copa Prefeitura Bahamas de Futebol Amador. A convite do Bahamas e da Prefeitura, ficou no palanque acompanhando a apresentação dos participantes da competição, considerada a maior do gênero no País. Com o sorriso característico, atendeu a todos com simpatia e simplicidade.

 

    Vitória como treinador

Como treinador, Carlos Alberto Torres tinha boas lembranças de Juiz de Fora. Em sua segunda passagem como técnico do Flamengo, o Capita estreou na Zona da Mata Mineira. Em 2001, o time da Gávea vivia situação complicada no Campeonato Brasileiro e estava ameaçado de rebaixamento. A aposta da diretoria foi na experiência de Torres para livrar a equipe do descenso.

No dia 18 de novembro de 2001, Carlos Alberto Torres reestreou no comando da equipe diante do Internacional, de Luis Felipe Scolari, no Estádio Municipal Radialista Mário Helênio. Com o empate sem gols sendo resultado ruim para o rubro-negro, Torres – sem conhecer os jogadores reservas – chamou o então desconhecido e jovem Felipe Melo. Menos de dois minutos depois, o meia marcou de cabeça o gol da vitória para os cariocas:  1 a 0. Foi o primeiro gol de Felipe Melo como titular e o início da arrancada do Flamengo, garantindo a permanência na primeira divisão.

Nota da CBF

No site oficial, a Confederação Brasileira de Futebol divulgou a seguinte nota:

 “Com enorme pesar, a CBF lamenta que o mundo do futebol tenha sido surpreendido, nesta terça-feira (25), pelo falecimento de Carlos Alberto Torres. Lenda da Seleção Brasileira, o Capitão do Tricampeonato de 1970 morreu no Rio de Janeiro, vítima de um infarto. O velório será realizado no prédio da CBF, na Barra da Tijuca. Os detalhes serão informados em breve.

O presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, declarou luto oficial de três dias. As bandeiras da sede da entidade estão a meio-mastro. Todas as partidas das competições organizadas pela CBF terão 1 minuto de silêncio.

Aos 72 anos, Carlos Alberto Torres deixa um enorme legado de conquistas e colaboração intensa para o desenvolvimento do nosso futebol. Obrigado, Capita. Sua história estará para sempre entre nós.”

   

Carlos Alberto e o gesto imortalizado ao levantar o caneco da Copa do Mundo de 1970, no México
Carlos Alberto e o gesto imortalizado ao levantar o caneco da Copa do Mundo de 1970, no México

   Carreira

Ídolo mundial do esporte, Capita foi um dos maiores laterais de todos os tempos. Pela Canarinho, além da Copa do Mundo de 1970, onde marcou um antológico gol na final contra a Itália, foi campeão da Copa Rio Branco e da Taça Oswaldo Cruz, ambas em 1968, e conquistou também a medalha de ouro no Pan-Americano de 1963. No total, foram 68 partidas pela Seleção principal e quatro pela olímpica, com nove gols marcados.

Carlos Alberto Torres iniciou a carreira no Fluminense e atuou também por Santos, Botafogo e Flamengo. No exterior, ajudou a desenvolver o futebol nos Estados Unidos, atuando pelo New York Cosmos. No Tricolor das Laranjeiras, fez parte da histórica “Máquina” e foi campeão dos Cariocas de 1964, 1975 e 1976. No Peixe, atuando com o grande ídolo e amigo Pelé, viveu grande momento e conquistou inúmeros títulos, dentre eles as edições de 1965 e 1968 da Taça Brasil. Como zagueiro ou lateral-direito, Capita sempre chamou a atenção pela classe refinada.

Na função de treinador, o destaque foi semelhante ao dos tempos de atleta. Dentre os diversos clubes que comandou no Brasil e fora do país, conquistou o Campeonato Brasileiro de 1983, pelo Flamengo, o Campeonato Carioca de 1984, pelo Fluminense, e a Copa Conmebol de 1993, pelo Botafogo.

Mesmo fora dos gramados, Carlos Alberto Torres não se afastou do futebol. Trabalhando como comentarista, o Capita continuou buscando melhorias para o futebol brasileiro. Recentemente, ele foi um dos 17 membros do Comitê de Reformas do Futebol Brasileiro da CBF. Como coordenador do Grupo de Trabalho que tratou do tema “calendário”, Carlos Alberto participou ativamente das discussões que resultaram no novo calendário para 2017.

 

Texto: Toque de Bola e site da CBF

Fotos: divulgação Bahamas, Rafael Ribeiro/CBF e arquivo CBF

Edição: Toque de Bola

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