“Honra”: aos 16 anos, juizforano Arthur já tem contrato assinado com o Corinthians

Que jovem não sonha em assinar seu primeiro contrato profissional com um clube de massa no Brasil? O talentoso juizforano Arthur Miranda Francisco, de apenas 16 anos, já tem este privilégio. No início de setembro, o atleta oficializou vínculo de três anos com o Corinthians, clube em que treina desde julho, como zagueiro. O Portal Toque de Bola conversou com a nova promessa do Timão, que começou no futsal da Manchester Mineira e hoje comemora participar da equipe tricampeã mundial sub-17:

“É ver que nossa luta, sacrifício de morar tão cedo fora de casa, longe da família, dos amigos e das pessoas que a gente realmente ama, estão sendo recompensados. É uma honra assinar meu primeiro contrato profissional pelo Corinthians. Quem não quer jogar em um clube de ponta do futebol brasileiro?!”, festejou Arthur, “zagueiro de marcação firme, mas boa técnica”, como ele mesmo se definiu.

Arthur no momento da assinatura de seu primeiro contrato profissional, pelo Corinthians
Arthur no momento da assinatura de seu primeiro contrato profissional, pelo Corinthians (Foto: Arquivo pessoal)

  Futebol no sangue

O sonho de Arthur tem inspiração em casa: o pai Adriano Miranda, empresário, defendeu as cores de Tupi e Baeta como lateral-direito nas décadas de 80 e 90: “Cheguei a treinar nos profissionais, fiquei dez anos no Tupi, mas tive que largar porque na época não havia profissionalização, não tinha salário, aí você tem que se sustentar. Entrei no Tupi molequinho, fiquei entre 80 e 89. Houve períodos em que saí, mas o último time que joguei foi do Ilton Chaves, tinha Jorge Luiz, Adil, Evaldo. Depois, o Baeta teve um projeto, se não me engano em 93, de um regional, e disputei por eles”, lembrou Adriano, que é hexacampeão na Copa Prefeitura Bahamas de Futebol Amador, com quatro títulos pelo Flor da Esquina, um pelo Botafoguinho e outro pelo Flamenguinho de São Benedito.

Mas não é o currículo de respeito de Adriano no esporte regional que o torna o principal espelho de Arthur: “Tenho como ídolos o David Luiz e Fábio Luciano, mas meu maior é meu pai, Mesmo não sendo da posição, foi ele quem me mostrou e ensinou tudo o que sei. A importância dos meus pais e da minha família para mim é fundamental. Sempre me prepararam psicologicamente para morar longe, lutar pelos meus objetivos, me ensinaram que nada vem de graça, você tem que correr atrás e fazer acontecer. Me educaram de uma maneira maravilhosa e com muito amor e são tudo para mim. Me ajudam em tudo que preciso, não só de material, como também abstrato, que é o mais importante”.

Arthur ao lado do pai, Adriano Miranda
Arthur ao lado do pai, Adriano Miranda (Foto: Arquivo pessoal)

 

  Da quadra ao campo

Arthur iniciou em meados da década de 2000 como fixo na equipe de futsal do Tiradentes (ADPM), com os profissionais Wilmo e Welisson. Em 2009, no Sport Club Juiz de Fora, e 2011, no Instituto Juizforano, veio o começo de uma nova trajetória com a bola nos pés, registrada, inclusive pelo Toque de Bola em final da Copa JF de Futebol de Base, em 2012, quando Arthur levou o título sobre o Tupi:

“No Sport aprendi a jogar campo, foi lá que me deu acesso a jogar uma Copa Bahamas, mas foi no Juizforano que eu vi que futebol é coisa séria, onde me deu abertura para os clubes grandes. Foi de lá que eu fui para o Cruzeiro na época”, contou Arthur, que foi treinado por Gerson, Rafael e Zebu até ir para a Toca da Raposa, após seletiva no clube juiz-forano e teste mal-sucedido no Fluminense.

Arthur, destacado na foto, com equipe campeã mirim da Copa JF de Futebol de Base, pelo Instituto Juizforano, em 2012 (Foto: Arquivo Toque de Bola)
Arthur, destacado na foto, com equipe campeã mirim da Copa JF de Futebol de Base, pelo Instituto Juizforano, em 2012 (Foto: Arquivo Toque de Bola)

 

  Raposa e Coelho

Em 2012, o time celeste trouxe Arthur para Belo Horizonte. Pouco aproveitado por sua altura, foi para o América Mineiro, onde se destacou e virou capitão da equipe sub-15: “Fiquei um ano no Cruzeiro, joguei alguns campeonatos, mas infelizmente fui dispensado pela minha altura. De lá fui pra o América Mineiro, onde fiquei por três anos e pude ter uma sequência de treinamentos bons, o que é muito importante para nós, da base. Eu era o capitão da equipe e disputamos o Mineiro e a BH Cup (Brasileiro da Categoria sub-15)”, relembrou o juiz-forano.

Arthur com a camisa celeste, que defendeu em 2012
Arthur com a camisa celeste, que defendeu em 2012 (Foto: Arquivo Pessoal)

  Cirurgia

Ainda pelo Coelho, Arthur acabou sofrendo lesão no menisco lateral e teve que ser submetido a uma cirurgia no joelho. A operação foi realizada com sucesso pelo médico do Tupi, José Roberto Maranhas, que assegurou a segurança física do atleta mesmo com o procedimento em um adolescente:

“Ele já é quase um adulto. O que pode mudar é a estrutura muscular, mas a parte óssea, física, não. Ele tinha essa lesão, estava incapacitando ele de atuar, mas é algo simples, no menisco externo, e não vai interferir no desempenho dele”, explicou Maranhas. Arthur voltou a atuar sem dores e limitações.

Ficha técnica de Arthur, ex-capitão da equipe sub-15 do América Mineiro
Ficha técnica de Arthur, ex-capitão da equipe sub-15 do América Mineiro (Imagem: reprodução vídeo Arte10)

 

  Da BH Cup para o Timão

As atuações do jovem zagueiro na BH Cup, ainda em 2014, chamaram a atenção do Corinthians, que sondou o atleta e, meses depois, concretizou o acerto: “Após a BH Cup surgiu a chance dele ir para o Corinthians, mas em dezembro não houve mais conversas e pensei que o assunto tivesse morrido. Em maio, eles voltaram a entrar em contato e o Arthur já tinha sido promovido para o juvenil do América. Então resolvi trocar. Em junho ele foi para o Corinthians, passou por três meses de avaliação, estava tratando uma lesão também, e assinou o contrato agora em setembro”, revelou Adriano.

  Treinos intensos

Desde julho em Guarulhos, Arthur mora em alojamento do Corinthians com outros atletas que não possuem moradia em São Paulo: “Treinamos em São Paulo no Parque São Jorge pela manhã e alguns dias à tarde também, e estudamos de noite”, conta o juiz-forano, que vem em trabalho de adaptação dentro e fora de campo:

“Os primeiros dias foram de conhecer os novos companheiros, fazer novas amizades e até rever ex-companheiros de outros clubes. A principal diferença é que o Corinthians tem por característica um futebol onde o toque de bola rápido é primordial, a transição é muito rápida e o condicionamento físico tem que estar no ápice. Gera um pouco de pressão, pois estamos jogando por milhões de torcedores apaixonados pelo Corinthians, mas já estamos acostumados com isso”, avaliou com personalidade.

  Distância 

Morando ainda mais longe de Juiz de Fora, a presença física da família se torna ainda mais rara para Arthur. A ausência, no entanto, tenta ser compensada com a liderança do orgulhoso pai:

“Quando ele estava em BH, por ser mais perto, ia em todos os jogos. Mas agora em São Paulo as vindas são menos frequentes, só que pelo menos uma vez por mês ou ele vem para cá, ou eu vou. Mas o contato é diário, todo dia conversamos. E o Arthur tem uma cabeça bem legal. É muito gratificante ver ele com seu contrato e cada dia fica mais difícil a situação. Quanto maior a categoria, maior a dificuldade, mas é orgulho e falo sempre com ele para continuar trabalhando forte porque essa é a primeira conquista de muitas, assim espero”, desejou Adriano.

Se as incertezas do futuro são incontáveis, de certo Juiz de Fora tem mais um personagem para torcer, vibrar e se orgulhar.

 

Confira vídeo com lances de Arthur Miranda:

 

 

Arthur novamente em registro do Toque de bola, quando atuava pelo Instituto Juizforano
Arthur novamente em registro do Toque de bola, quando atuava pelo Instituto Juizforano
Arthur ao lado do treinador Rafael, na época de Sport Club JF (Foto: Arquivo pessoal)
Arthur ao lado do treinador Rafael, na época de Sport Club JF (Foto: Arquivo pessoal)
Zebu e Arthur, pelo Instituto Juizforano (Foto: Arquivo pessoal)
Zebu e Arthur, pelo Instituto Juizforano (Foto: Arquivo pessoal)

Texto: Bruno Kaehler – Toque de Bola

Fotos: Arquivo Toque de Bola, Arquivo Pessoal e Divulgação

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